Juliana Sayuri/Estadão
Juliana Sayuri/Estadão

Pé na trilha rumo ao tesouro

Conhecida como cidade de pedra - ou rosa, ou perdida, ou dos mortos -, Petra enfeitiça e revela, em curvas e templos talhados na rocha, um enclave de rotas de comércio e povos ancestrais

Juliana Sayuri, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2013 | 02h17

PETRA - Petra é uma armadilha. Você se distrai por um minuto, perde-se nas suas curvas e aí não tem mais volta: está apaixonado. Uma das sete maravilhas do mundo moderno e considerada Patrimônio Mundial da Unesco desde 1985, Petra transpira uma atmosfera de aventura, história e mistério por entre as majestosas montanhas avermelhadas e os mausoléus esculpidos nas pedras. Diante de uma vertigem sedutora do alto de suas rochas, a vista fascinante nos conquista de vez.

Petra é lembrada por várias expressões, apelidos que tentam descrever tanto suas feições quanto as histórias que nela se entrelaçam através dos tempos. É a cidade rosa, a cidade perdida, dos mortos e das pedras. Mas, sobretudo, é uma cidade inesquecível. Outrora lar do povo nabateu, fundada por volta de 312 a.C., a rochosa localidade se transformou num eixo importante para as rotas da seda, do incenso e das especiarias, que perpassavam China e Índia com destino a Grécia, Roma, Egito e Síria.

Os nabateus talharam história nessas pedras: árabes nômades, eles fizeram florescer a cidade material e culturalmente, com influência greco-romana e oriental. Apesar das investidas de imperadores como Pompeu e Herodes, a cidade perdida nunca se perdeu. Tempos depois, na época bizantina, os nabateus decidiram puxar o camelo para outros cantos mais seguros, pois um terremoto destruiu quase toda a cidade. Aí o enclave se transformou numa cidade literalmente fantasma, dedicada a tumbas, teatros e monumentos. Ficou esquecida no tempo e na areia - e só os beduínos sabiam suas direções.

A redescoberta veio em 1812, com o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt (1784- 1817), amante da cultura muçulmana que se fez passar por um mercador árabe para conquistar a confiança dos homens do deserto, que um dia finalmente lhe mostraram o caminho das pedras. Essa trilha começa no Siq, um estreito de 1 quilômetro ladeado por rochedos de até 80 metros de altura. Bons passos depois, a pepita de ouro do sítio arqueológico: o Tesouro (Al-Khazneh).

Diz a lenda que um faraó egípcio teria escondido um tesouro ali. De estilo arquitetônico com inspiração helênica, o templo foi construído como túmulo para um rei nabateu. O tom simbólico e místico surpreende: a fachada mostra 365 riscos em alto relevo (365 dias do ano), 30 flores (30 dias do mês), 7 cálices (7 dias da semana), 12 colunas (12 meses) e 4 águas (4 estações).

Multicoloridas. Às 7 horas, melhor momento para se iniciar a trilha, ainda deserta, as pedras mostram cores pálidas. Por volta das 13 horas, vibram entre o rosa e o vermelho. Ao fim do dia, o festival de luzes também se destaca. Na verdade, as rochas ainda estão sob constante transformação, à mercê do sol, das tempestades e dos ventos (95% foram esculpidas naturalmente, 5% foram cinzeladas pelos povos).

Outro impacto é o Monastério (Ad-Deir), içado após 853 degraus numa escada talhada nas rochas. Pode-se subir a pé, a passos firmes, ou montando num burrinho, a passos preguiçosos, vacilantes. Ali se encontram os melhores mirantes, irresistíveis para registrar a principal paisagem jordaniana. Ao longo do caminho, beduínos e artesãos de Wadi Musa arranham o inglês, gentilmente oferecendo passeios em camelo e burro, lenços e cartões-postais.

Na volta, uma vereda de 11 quilômetros, predomina a sensação de quem caiu mesmo na armadilha: coração palpitante, borboletas no estômago, olhos magnetizados pelos contornos de uma beleza natural singular. Não dá para escapar. No fim, a certeza de ir embora apaixonado por Petra.

*Viagem a convite de Jordan Tourism Board.

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