Pelos fiordes da preciosa Nova Zelândia

Número de visitantes internacionais quase dobrou em Fiordland desde que a região serviu como set para a trilogia 'O Senhor dos Anéis'

Alex Hutchinson FIORDLAND / NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2010 | 02h17

Routeburn Track. Menos concorrida, trilha de três dias revela picos nevados e cachoeiras

Devagar, nosso navio encolheu. Deslizávamos em meio a um fiorde e o capitão havia pedido a cada um que escolhesse um ponto nos paredões do penhasco ao redor, aproximadamente da mesma altura do mastro. À medida que nos aproximávamos, a perspectiva mudava e o ponto escolhido se encontrava, de repente, três vezes mais alto.

Estávamos em Fiordland, no sudoeste da Nova Zelândia, região quase virgem com população de 18 pessoas - de acordo com o censo mais recente. Abastecida por picos nevados, lagos alpinos e florestas, este Patrimônio Natural da Humanidade é celebrado pelos 14 fiordes que se estendem pela costa.

As belezas de Fiordland começaram a ser desvendadas em 1908, quando o semanário britânico The Spectator elegeu a Milford Track, uma trilha de quatro dias entre o Lago Te Anau e Milford Sound, a melhor do mundo. E o número de visitantes internacionais quase dobrou desde que o primeiro filme da trilogia O Senhor dos Anéis instalou ali seu set, em 2001.

Estimativas apontam que a "preciosa" região, como diria o personagem Smeagol, é procurada por 700 mil turistas a cada ano (informações), principalmente entre outubro e abril. A maior parte segue para Milford Sound, o mais acessível dos fiordes graças a um túnel entre as montanhas.

Primeiro, trekking. Com as estatísticas de superlotação em mente, decidi evitar a trilha famosa. Em seu lugar, quatro dias de caminhada pela menos conhecida Routeburn Track, a leste da Milford, seguidos por um cruzeiro pelo remoto Doubtful Sound, poucas horas ao sul (realjourneys.co.nz).

O ponto baixo da viagem veio logo, no segundo dia da trilha, por causa da chuva que reduziu o cenário alpino ao que parecia a imagem de uma TV mal sintonizada. Com direito a caminho fechado pelo risco de avalanche, até que um guia veio em nosso socorro. Felizmente, o sol do dia seguinte curou o trauma. O céu azul revelou cachoeiras e majestosos picos nevados. Terminamos o trekking mais animados para a segunda parte da viagem.

Nas águas. A partir da cidade de Manapouri, navegamos por 45 minutos em direção ao oeste - a única forma de alcançar a isolada estrada que leva ao Doubtful Sound. Atracado na margem estava o Fiordland Navigator, um navio de três mastros com lugares para 70 passageiros.

Uma hora após iniciada a navegação, o capitão desceu a âncora para que pudéssemos explorar uma pequena baía em caiaques. No nível da água, a gigante prisão formada por paredões deixou claro por que a região nunca se tornou um roteiro permanente. A próxima experiência foi uma imersão no fiorde: um mergulho a partir do convés inferior. Focas estavam esparramadas nas rochas em uma ilhota na foz do sound. Vimos pinguins e gaivotas. Mais tarde, a tripulação avisou que navegávamos ao lado de três baleias jubarte.

O navio voltou ao ponto de partida no dia seguinte. Foi nesta manhã que o capitão nos deu a lição de perspectiva. Tentei encaixar as escalas contrastantes no visor da câmera. Era impossível. Mas parecia não importar.

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