Pequeno guia do Grand Canyon

Ricardo Freire - viagem.estado@grupoestado.com.br,

05 Julho 2011 | 06h00

Passarela. Fora do parque nacional, atrações como o Skywalk

 

Contemplar o Grand Canyon ao vivo certamente está na sua lista de viagens para fazer antes de morrer. Quando chega a hora de planejar a visita, contudo, você se vê à beira de um precipício logístico. As opções de acesso são inúmeras - quase todas, infelizmente, bastante complicadas. Os hotéis dentro do parque lotam com uma antecedência maluca, e todos os outros pontos de acesso são distantes. (Não, o cânion não está do ladinho de Las Vegas como você sempre imaginou.) Por onde chegar? O que fazer? Do que abrir mão? O Turista Profissional esteve no Grand Canyon no meio de seu último périplo pelos Estados Unidos e traz o caminho das pedras - e abismos e desfiladeiros - para você programar uma viagem confortável e proveitosa.

 

Quantos dias? Os mais afoitos reservam apenas um dia para fazer um desvio ao Grand Canyon, normalmente saindo de Las Vegas. Isso só é factível se você cacifar um caríssimo bate-volta de aviãozinho - ou então se contentar com a Borda Oeste, que fica fora do parque nacional. O mínimo ideal é hospedar-se por duas noites, seja dentro do parque, seja numa das cidades próximas. Quem gosta de atividades ao ar livre vai encontrar diversão para quatro dias, fácil.

 

O filé: a Borda Sul (South Rim). A visita clássica ao Grand Canyon se faz pelo acesso sul do Parque Nacional (450 quilômetros de Las Vegas, 100 quilômetros de Williams, 135 quilômetros de Flagstaff). Doze mirantes espetaculares e uma série de trilhas vertiginosas contribuem para tornar este trecho o mais visitado do cânion. A Borda Sul está aberta o ano inteiro; no verão do Hemisfério Norte (junho a agosto) tende a lotar de turistas. O ingresso custa US$ 25 por carro ou US$ 12 por pessoa entrando em van ou ônibus; o passe vale por uma semana (inclui a Borda Norte). Compre seus ingressos nos estabelecimentos comerciais da cidadezinha de Tusayan; assim você não pega a fila da bilheteria.

 

Você é livre para zanzar entre os mirantes - a pé, com o seu carro (fique atento a eventuais interdições) ou usando o ótimo serviço de ônibus à disposição dos visitantes. Vale a pena retornar aos seus pontos favoritos em diferentes horas do dia; a luz tem o poder de mudar a paisagem, sobretudo ao entardecer. As demais atividades no interior do cânion, no entanto, são estritamente regulamentadas. O passeio de mulas até a base do cânion (restrito a dez visitantes por dia), o pernoite no Phantom Lodge (próximo ao Rio Colorado) e a travessia de barco pelas corredeiras (que duram de 4 a 21 dias) devem ser reservados com entre nove e doze meses de antecedência. O único passeio que ainda é fácil de fazer é o tour de helicóptero (entre US$ 180 e US$ 200 por pessoa para um percurso de meia hora; papillon.com). Mas não se atrase: o passeio está sob a mira dos ambientalistas, que querem acabar com os sobrevoos. No momento, os tours podem ser feitos apenas no Corredor do Dragão, um vão magnífico que permite observar da Borda Sul à Borda Norte. Dentro de alguns anos é possível que só seja permitido sobrevoar o cânion fora dos limites do parque.

 

Os melhores passeios guiados podem ser agendados no centro de visitantes da National Geographic de Tusayan: caminhadas e tours conduzidos por geólogos e biólogos. No local também funciona o cinema IMAX; vale a pena começar a sua visita assistindo ao premiadíssimo filme sobre o Grand Canyon exibido na tela gigante (a propósito: hoje em dia as filmagens na base do cânion não seriam permitidas pela administração do parque).

 

O osso: a Borda Norte (North Rim). O acesso norte ao Parque Nacional (400 quilômetros de Las Vegas, 200 quilômetros de Page) é o menos frequentado. Abre apenas de 15 de maio a 15 de outubro, tem só três mirantes e pouca mordomia. É o Grand Canyon para iniciados - e para quem deseja contemplar as vistas (espetaculares) e fazer as trilhas sem muita companhia. A vegetação e a fauna são peculiares: a Borda Norte está mais de 300 metros acima da Borda Sul; o clima é mais frio e o ar, mais rarefeito. O ingresso custa US$ 25 por carro ou US$ 12 por pessoa entrando de van ou ônibus, e vale por sete dias consecutivos (inclusive para ir à Borda Sul).

 

Os complementos: Grand Canyon West e Lake Powell. Existem dois motivos para visitar áreas do Grand Canyon que não pertencem ao Parque Nacional. Uma, é a distância. Outra é fazer atividades que não são permitidas dentro dos limites do parque.

 

O Grand Canyon West se enquadra nos dois casos. Por estar a apenas 195 quilômetros de Las Vegas, torna possível até o bate-volta de ônibus. E por estar numa reserva indígena, não se submete ao regulamento rígido do parque. É neste ponto que foi instalada a Skywalk, uma passarela de vidro que dá a sensação de caminhar no ar sobre o vazio do cânion. O ingresso para o parque incluindo a Skywalk custa US$ 87 - e você acaba morrendo com outros US$ 35 para imprimir uma foto sua na passarela (visitantes não podem levar suas próprias câmeras à passarela). Operadores de Las Vegas oferecem tours de helicóptero nesta área com possibilidade de descer até a base do cânion; o rafting também é muito procurado.

 

Já a cidadezinha de Page, à beira do Lake Powell, é o ponto de partida para uma travessia de bote pelo trecho mais tranquilo do Rio Colorado, atravessando o imponente Glen Canyon - uma espécie de antessala do Grand Canyon. Page está a 290 quilômetros de Flagstaff (pouco mais de três horas de estrada).

 

Grand Canyon Village, o camarote. Existe um núcleo de seis hotéis dentro da Borda Sul do parque, junto à estação do trem que vem de Williams. O lugar é conhecido como Grand Canyon Village. As opções vão desde o classudo El Tovar ao rústico Bright Angel Lodge (os dois hotéis com maior peso histórico da vila). O maior hotel é o Yavapai Lodge. Todos devem ser reservados com pelo menos seis meses de antecedência (nove meses para a temporada de verão, entre junho e agosto, e grandes feriados americanos). Reservas são processadas pelo site grandcanyonlodges.com.

 

Tusayan, a quebra-galho. Localizada a 10 quilômetros da entrada do parque, esta cidadezinha tem uma coleção de hotéis básicos e funcionais, perfeitos para quem não conseguiu reservas nos hotéis da Grand Canyon Village. São cinco: Holiday Inn Express, Best Western Grand Canyon Squire Inn, Quality Inn Canyon Plaza, Grand Hotel e Red Feather Lodge. Mesmo nesses, tente reservar com pelo menos três meses de antecipação. O centro de visitantes da National Geographic fica na vila, que também oferece vários restaurantes.

 

Williams, para chegar de trem. A cidade histórica de Williams, a 100 quilômetros do parque, proporciona a visita mais charmosa: você pode chegar a bordo dos trens vintage da Grand Canyon Railways. A viagem de ida e volta custa US$ 70 e precisa ser feita no mesmo dia; você terá 3h45 no parque (recomenda-se complementar com um tour de ônibus da mesma companhia; thetrain.com). O aeroporto mais próximo é o de Flagstaff, a 65 quilômetros.

 

Flagstaff, para ver mais. A 1h30 de carro da entrada da Borda Sul, esta simpática cidade do Arizona tem o aeroporto mais próximo do parque a receber voos regulares (quase todos provenientes de Phoenix). É ideal para quem chega de avião e não quer alugar carro; você pode pegar tours organizados tanto à Borda Sul quanto à área do Lake Powell e Glen Canyon, em Page (a 3h15 de viagem).

 

A melhor viagem de carro. O trajeto clássico de Las Vegas à Borda Sul passa por inúmeras atrações. Reserve um dia inteiro para o percurso. Se você curte megaobras de engenharia, pare depois de 55 quilômetros no Hoover Dam, a represa que permite que Las Vegas sobreviva no deserto. Cento e vinte quilômetros adiante, em Kingman, desvie da autoestrada principal para pegar um dos trechos mais bem conservados da Rota 66. A próxima parada será 85 quilômetros adiante, em Peach Springs, para visitar as Cavernas do Grand Canyon, onde há visitas guiadas de 25 ou 45 minutos. Continue por mais 60 quilômetros até Seligman, que é a cidadezinha com a infra mais simpática ao longo deste trecho da estrada. Caso você queira viver a experiência completa de se hospedar na Rota 66, escolha um de seus motéis; senão, prossiga por mais 70 quilômetros até Williams (ou 150 quilômetros até Tusayan). Fique duas ou três noites na região e depois devolva o carro em Flagstaff (a 135 quilômetros do parque).

 

Bate-volta de Las Vegas. Você só tem mesmo aquele diazinho de sobra em Las Vegas para ir ao Grand Canyon e voltar? Pois não. O passeio mais completo envolve ida e volta de aviãozinho até Tusayan; lá você toma o helicóptero para um sobrevoo de meia hora e depois ainda visita dois ou três mirantes no ônibus do tour; prepare-se para pagar entre US$ 400 e US$ 470. Os tours de helicóptero ao Grand Canyon West (fora da área do parque) podem também incluir pouso na base do cânion; o tour Grand Celebration custa entre US$ 300 e US$ 400. De ônibus, os tours ao Grand Canyon West custam desde US$ 90; a entrada na Skywalk é cobrada à parte (papillon.com). Não é recomendável fazer bate-volta por terra à Borda Sul; o passeio completo leva mais de 15 horas e você tem pouquíssimo tempo no parque.

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