Bruna Toni/Estadão
Bruna Toni/Estadão

Guia para aproveitar o melhor de Porto de Galinhas

Onde dormir, comer e o que fazer na badalada cidade a 50 quilômetros de Recife

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2017 | 05h00

IPOJUCA - O nome Ipojuca lhe é familiar? Talvez você imagine que jamais tenha ouvido falar nessa cidade, então melhor apresentá-la pelo nome que lhe deu fama e que, na verdade, batiza um de seus bairros: Porto de Galinhas. Agora sim, né? 

Um dos destinos mais visitados do País, Porto não tem tempo ruim. Em 2016, mesmo com a crise, a taxa de ocupação de seus 15 hotéis e 200 pousadas no primeiro semestre foi de 70%, segundo seu Convention & Visitors Bureau. Além disso, os únicos meses mais tranquilos por lá são maio, junho e agosto – quentes, mas chuvosos.

Qual o segredo do sucesso? Nos meus quatro dias no destino (tempo mínimo para conhecê-lo bem), encontrei três razões convincentes. A primeira: manter uma estrutura que atende quem quer visitar a badalada praia sem perder o luxo da privacidade, pagando bem por isso, e também quem tem orçamento limitado. A segunda: estar perto do aeroporto do Recife e ser ótimo ponto de partida para explorar outros destinos, como Maragogi. 

A beleza singular de Porto pode às vezes ficar escondida em razão da quantidade de visitantes – mas acredite, ela está lá. Eis a terceira razão para visitá-la. 

SAIBA MAIS

Aéreo: SP – Recife – SP em março: R$ 687 na Avianca; R$ 702 na Latam; R$ 933 na Azul; R$ 944 na Gol.

Terrestre: para chegar a Porto de Galinhas, alugue carro no aeroporto e siga pela rodovia Rota do Atlântico (pedágio R$ 7) ou reserve o transfer pelo hotel. Dá para contratar também receptivos como a Lucky, a maior delas (R$ 80 por pessoa). Na vila, o táxi começa em R$ 5.

Marés: os passeios às piscinas naturais dependem do nível da maré – as luas cheia e nova são as melhores. Consulte as variações: bit.ly/tabuamarinha.

Site: portodegalinhas.org.br.

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Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2017 | 04h30

1. JANGADA NAS PISCINAS NATURAIS

bit.ly/jangadaporto

A água esverdeada da Praia da Vila de Porto de Galinhas, no centro, é coberta por jangadas de todos os tipos, nomes e cores. Ali, ao lado de seus fiéis jangadeiros, elas aguardam turistas diariamente para um curto trajeto de cinco minutos até as mais movimentadas (e próximas da costa) piscinas naturais de Ipojuca.

Entre os arrecifes onde ouriços brincam de esconde-esconde com os jangadeiros, que sempre os exibem nas palmas das mãos, buracos de areia são preenchidos por águas verdinhas e tranquilas no meio do oceano. Claro que falar em tranquilidade num dos pontos turísticos mais famosos da cidade não quer dizer vazio, e boa parte dos corais demonstra os sinais do excesso de visitantes. Mas, de posse de seu snorkel, geralmente concedido pelo próprio jangadeiro, encontre um cantinho para chamar de seu por alguns minutos. 

Na maré baixa, mesmo sem a máscara, é possível se divertir com os peixinhos saberés (sargentinho para os paulistas), que seguem insistentemente os movimentos dos pés e mãos de quem vem visitá-los – se for beliscado por eles, não se zangue. Afinal, você é o intruso. 

Os passeios duram de 45 minutos a 1 hora e os ingressos são vendidos na cabine em frente à praia. Cada jangada da Associação de Jangadeiros leva até seis pessoas a R$ 25 cada.

Inclusão. Desde o ano passado, a praia de Porto de Galinhas faz parte do projeto Praia Sem Barreiras. Sobre a areia, duas esteiras 

servem de caminho para quatro cadeiras anfíbias levarem à água pessoas com mobilidade reduzida ou alguma deficiência.

2. OUTRAS PRAIAS

Os 18 quilômetros de faixa litorânea que contornam a cidade de Ipojuca se dividem em sete praias além da Praia da Vila, cada uma com sua particularidade. 

Porto de Galinhas, por exemplo, é para quem quer badalar e ficar pertinho do centro comercial da cidade. Mas a grande diferença entre elas está mesmo na presença ou ausência de arrecifes de corais. 

Nas praias do Borete e de Maracaípe, a falta deles garante muita diversão aos surfistas, principalmente nesta última, que conta com ondas gigantes e leva campeonatos de surfe à região. Já as praias com arrecifes, como Cacimbas e a própria Porto de Galinhas, garantem a diversão das piscinas naturais.

Para quem quer um pouco de cada, vá à Praia do Cupe: lá há ondas para surfistas e outra área com piscinas. É nela também que se concentra a maior parte das casas e apartamentos de veraneio e boa parte dos ninhos de tartarugas. Se sua escolha for se hospedar em um dos resorts da cidade, seu lugar é a Praia de Muro Alto, com a melhor infraestrutura hoteleira e clima bem familiar. Para praticar esportes, como kitesurfe, por exemplo, as praias de Camboa e do Pontal de Maracaípe são as ideais.

3. ATELIÊ DO CARCARÁ

facebook.com/carcarapgalinhas

Uma galinha (ou seria um galo?) vestida à la Michael Jackson divide a calçada quase da fama com outra parecida com Amy Winehouse. Confeccionadas com tronco de coqueiro, as duas compõem um verdadeiro time de esculturas galinhescas cujo mentor é o artesão Gilberto Carcará.

Nascido no Delta do Parnaíba, Gilberto morou em São Paulo e Olinda antes de fincar residência em Ipojuca. Ali, criou um ateliê relaxante e charmoso, onde produz não só as curiosas galinhas, mas quadros, enfeites e esculturas de madeira e material de demolição. Apesar de trabalhar sob encomenda, há bastante arte interessante à venda no estúdio, seja para levar como lembrancinha, seja como investimento cultural – os preços vão de R$ 15 a R$ 25 mil. Abre de terça a domingo, das 9h às 17h.

 

4. BUGUE

Percorrer caminhos de areia fofa, onde carros normais não se atrevem a ir e, de quebra, encontrar paisagens mais inacessíveis, percebendo o vento contra o rosto, dá sempre aquela sensação de energias renovadas. Em Ipojuca, o trajeto dos aproximadamente 350 bugueiros associados costuma ir de ponta a ponta, como eles dizem, parando em quatro das nove praias da cidade: Cupe, Muro Alto, Maracaípe e Pontal de Maracaípe.  Paradas para fotografar e mergulhar nas águas mornas da faixa litorânea estão no roteiro clássico, que dura em média 3 horas e custa R$ 250 o casal. Se quiser passar o dia, negocie. Os contatos para contratar o passeio são (81) 98333-4715 ou (81) 99910-7376, mas os hotéis costumam oferecer o serviço aos hóspedes.

5. JANGADA NO MANGUEZAL

(81) 98320-5896​

O único som que acompanha a passagem da nossa jangada pelo Pontal de Maracaípe, onde o Rio Maracaípe encontra o mar em Ipojuca, é o de uma música saída de um rádio impossível de se identificar a procedência.

Em menor número do que os jangadeiros da praia, cerca de 40 homens levam turistas para observar cavalos-marinhos no meio do mangue. O barulho só cresce dentro do próprio barquinho, no momento em que o jangadeiro retira e devolve à água um e outro cavalo-marinho, a estrela do tour.

Com a maré baixa, pela manhã, o que se vê embaixo d’água é quase tudo, sobretudo no verão, quando a água fica menos turva. Mas, se quiser um cenário mais romântico, brindado pelo pôr do sol, vá à tarde – o passeio ocorre das 8h às 16h diariamente, e dura de 45 minutos a 1 hora. Cada jangada leva até dez pessoas; ingresso R$ 25 (compra-se na cabine em frente ao rio).

É novidade. A Associação de Jangadeiros de Maracaípe acaba de lançar um novo passeio, digamos mais romântico, apesar de aceitar grupos. Uma vez por dia, às 16h30, uma jangada decorada e abastecida de champanhe faz o passeio especialmente para o brinde diante do pôr do sol.  Custa R$ 200 o casal.

6. PARA VER TARTARUGAS - ECOASSOCIADOS

ongecoassociados.weebly.com

A ONG Ecoassociados surgiu em 1998 para tentar salvar da extinção a tartaruga-de-pente, sacrificada por causa de seu casco, usado na fabricação de pentes, joias e armação de óculos. Hoje, a sede mantém um pequeno museu cuja proposta é explicar a trajetória das tartarugas, a luta natural que elas travam pela sobrevivência e alertar para os riscos de extinção. Seus biólogos e estudantes também cuidam de quatro tartarugas machucadas no quintal da sede. É possível visitar os ambientes de terça a domingo, entre 9h e 12h e 14h e 18h; ingresso a R$ 5. Entre setembro e julho, ainda é possível assistir à desova das fêmeas – fique atento à página do Facebook da ONG, onde são avisadas datas e horários. 

7. PARA VER CAVALOS-MARINHOS - ESPAÇO HIPPOCAMPUS

projetohippocampus.org​

Um grupo de estudantes do ensino fundamental ouvia às perguntas da guia sobre as características dos cavalos-marinhos. Estavam, como nós, em uma excursão aos aquários do Espaço Hippocampus, sede do projeto que estuda e atua na conservação de cavalos-marinhos em Porto Alegre e em Ipojuca. O aquário tem 600 metros quadrados e diversas espécies de cavalos-marinhos, peixe do gênero Hippocampus, e outros habitantes do mar, como siris e lagostas. Ali também são realizadas palestras à comunidade local, sempre com o intuito de evitar a pesca predatória e o comércio ilegal de cavalos-marinhos. Abre diariamente, entre 9h e 12h50 e das 14h30 às 16h50; entrada R$ 12 e visita guiada.

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Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2017 | 04h30

1. BARCAXEIRA

barcaxeira.com.br 

Nossa primeira imersão na gastronomia local foi demorada, mas compensadora. Com um ambiente colorido e cheio de inventividades – porta de banheiro feita de retalhos, guardador de talheres imitando um bolso de calça jeans, plantas de cabeça para baixo no teto –, o Barcaxeira prende a atenção durante a espera – um tanto demorada – pelo prato. “É tudo feito na hora”, justifica um colega recifense conhecedor da casa.

Um banquinho e um violão deixam a trilha sonora na altura adequada, distraindo os clientes enquanto seu famoso escondidinho – de macaxeira, claro – não chega. Porque quando chega, é o silêncio que reina. O tradicional, com carne de sol (e não de carne seca, como estão acostumados os paulistas), custa R$ 54 e serve duas pessoas. Carne de sol à parte, o que conquistou mesmo foi o de camarão (R$ 80,90, para dois).

2. LA CRÊPERIE 

lacreperie-pe.com.br

O nome já deixa clara a especialidade da casa. Com mesinhas ao ar livre bem no centro da vila, o restaurante capricha nos pratos e na variedade: tem de shitake, queijo Gruyère, sorvete de tapioca, limão, Nutella... Este último, aliás, de comer rezando. No cardápio há também mais de 30 tipos de saladas e opções sem glúten (com acréscimo de R$ 5). Os pratos, individuais, custam em torno de R$ 25.

3. BAR DA PRAIA PONTAL DO CUPE

bit.ly/bardocupe

Você pode até não apostar muito nesse restaurante-quiosque à beira-mar. Embora a atmosfera seja simples, os pratos são bem elaborados e têm alta qualidade. 

Quem chega pelo lado oposto ao da praia, onde há espaço para estacionar, até encontra alguma decoração, com placas de frases engraçadinhas (e outras nem tanto). Já sentado (sob o guarda-sol ou em uma das mesas cobertas), comece pela caipirinha de umbu-cajá – foi a mais nobre descoberta da fruta cantada nos versos de Alceu Valença. O caldinho de feijão ou de peixe servido no copinho plástico (R$ 9,90) e o sushi de tapioca (enroladinho de massa de tapioca, recheado com cream cheese e coberto com gergelim e melaço; R$ 15,90) também caem muitíssimo bem.

Não faltam opções de prato principal. Todos servem bem duas pessoas, do arroz de polvo à caldeirada e moquecas de peixe e camarão (R$ 119,90 cada). Se você é daqueles que não dispensa a carne, saiba que há até carneiro na brasa no cardápio.

 

4. PEIXE NA TELHA

peixenatelha.com.br

Passando pela avenida principal da vila de Porto de Galinhas, uma placa indica que, nos fundos de um corredor, encontra-se o Peixe na Telha, ótima pedida para um jantar mais íntimo, com uma gostosa vista para o mar da varanda. Desde 1991, a casa serve delícias como o seu carro-chefe, o peixe na telha (filé de peixe com molho à base de legumes e molho bechamel gratinado com queijo; 

R$ 100,80 para duas pessoas). 

Outra boa pedida é o peixe inteiro grelhado, acompanhado de cuscuz marroquino e camarões; R$ 148,80, para dois.

5. JOÃO RESTAURANTE

joaorestaurante.com.br

Se o melhor fica sempre para o final, não sei. Mas foi no último dia de viagem que tivemos o almoço mais surpreendente. 

Há sete anos, João, o dono do restaurante, decidiu erguer as muretinhas de seu quarto restaurante, dessa vez na Praia de Maracaípe, a 3 quilômetros da vila. A seu favor, contou com o astral descontraído do ponto que atrai surfistas diariamente, e uma pretensiosa atmosfera hippie nas construções que dividem a área com ele.

Mas João foi além: instalou redes coloridas nas árvores que cercam o restaurante, uma piscina para os clientes, caprichou no sabor dos pratos e no atendimento. Resultado: criou o melhor restaurante para se comer bem e relaxar que visitamos, no estilo “low profile”, como ele mesmo gosta de classificar.

Não ouse sair sem provar a caipirinha de cajá com manjericão ou a de manga com pimenta rosa, duas especialidades da casa. A porção de bolinhos de feijoada instigam o paladar (R$ 17,70, com oito unidades). De prato principal, escolha entre o peixe cioba acompanhado de creme de jerimum; macaxeira; arroz com castanha; carne de sol de picanha ou a moqueca Banana da Terra, delícia que serve dois por R$ 89,50. 

6. CASA DO BOLO DE ROLO

Ir a Pernambuco e não experimentar bolo de rolo é como não ir. Os hotéis em Ipojuca oferecem a iguaria no café da manhã. Na vila, passe na Casa do Bolo de Rolo (81-99771-5213) para comprá-lo, grande ou em miniatura.

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Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2017 | 04h30

Com uma rede hoteleira de 15 hotéis e 200 pousadas, Porto de Galinhas tem opções bem variadas. Os preços listados são o mínimo por casal (exceções estão marcadas) e podem variar de acordo com a temporada. 

1. PRAIA HOTEL

portodegalinhaspraiahotel.com.br

Com preços mais acessíveis, recebe muitas famílias e casais, e oferece atividades recreativas para adultos e crianças. São duas piscinas (uma delas infantil), DJ nos fins de tarde, e acesso direto à praia. É possível escolher entre dois pacotes: um com café da manhã e outro que também inclui o jantar. Os preços em fevereiro começam em R$ 552.

2. VILLAGE PORTO DE GALINHAS 

villageportodegalinhas.com.br

O Village tem atrações suficientes para casais e famílias. Seu conjunto de piscinas (são mil metros quadrados), fontes interativas e banheiras de hidromassagem podem distrair os hóspedes por horas. Durante a semana, há programação noturna especial, com shows e jantares temáticos. Ao todo, são 184 quartos – alguns com varanda e rede, além de bangalôs com saída para a praia. Diárias a partir de 440 (criança até 12 anos grátis).

3. KEMBALI

kembalihotel.com

O Kembali não aceita crianças (apenas a partir de 13 anos), ou seja: casais em busca de momentos a dois são o principal público do hotel. Mais moderninho e com espaço fitness, seus 63 quartos têm varanda com vista para o mar e são decorados com temáticas diferentes. Desde R$ 562 o casal na baixa; R$ 1.093 na alta.

4. SUMMERVILLE BEACH RESORT 

summervilleresort.com.br

Um dos mais antigos e sofisticados de Porto de Galinhas, o resort recebe bem tanto casais quanto famílias, tendo uma programação especial para crianças. A piscina acompanha toda a extensão do jardim. Dentro dela, bar, cascatas, hidromassagem... Tantas mordomias que dá até para esquecer que, lá no fim da dela, está a praia de Muro Alto. Diária com meia pensão a partir de R$ 733.

5. NANNAI RESORT & SPA

nannai.com.br

Ao lado do Summerville, o Nannai aposta no luxo – foi premiado três vezes pelo guia internacional Condé Nast Johansens Awards, a última vez este ano, na categoria 'Melhor Vila ou Serviço de Apartamento' para América do Sul e Central. 

Apesar de não haver restrição oficial de idade, os valores das diárias para crianças de 0 a 12 anos – 30% das praticadas para adultos – já seleciona seu público-alvo: casais. Quem se hospeda ali é mimado todo o tempo, seja na quantidade de atrações (parque aquático, campo de golfe...), seja recebendo seu serviço cuidadoso. O restaurante tem vista para o mar – café da manhã, chá da tarde e jantar estão incluídos na diária, a partir de R$ 1.015 o casal na baixa; R$ 1.595 na alta.

6. SOLAR E VIVÁ 

solarportodegalinhas.com.br e vivaportodegalinhas.com.br

São os únicos de Porto de Galinhas que aderiram a uma bandeira internacional, Best Western. Dentro do mesmo padrão quatro estrelas, têm clube infantil e salão de jogos. Em ambos, os quartos da categoria luxo têm jacuzzi na varanda de frente para o mar. Enquanto o Solar (R$ 470 na baixa e R$ 920 na alta, com café) é voltado para a Praia da Vila, o Vivá (R$ 560 na baixa e R$ 1.100 na alta) fica na Praia do Cupe e conta com spa, academia e hidromassagem.

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Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2017 | 04h30

1. PRAIA DOS CARNEIROS

53 km de distância

A pequena vila de Tamandaré, onde fica a Praia dos Carneiros, é um achado pernambucano daqueles que fazem não querer ir embora nunca mais. Bem mais tranquila que a vizinha Porto de Galinhas, seus oito quilômetros de areias branquinhas e piscinas naturais em verde transparente são um pouco menos disputados e, como consequência, mais preservados. Segundo alguns jangadeiros do local, aliás, é comum certas agências colocarem em seus catálogos fotos de Carneiros como se fosse Porto de Galinhas. 

De alguns anos para cá, apesar de haver acesso público e gratuito para quem chega a Carneiros andando, a maior parte dos caminhos que levam à praia são dominados pelos hotéis, que cobram para que você, não sendo hóspede, o atravesse e utilize seus serviços. Indo de carro, é preciso pagar para parar, seja no estacionamento de uma propriedade particular com entrada para a praia, seja no estacionamento de seus restaurantes – no Bora Bora custa R$ 30. 

Em Tamandaré, além da Praia dos Carneiros, há a Praia do Guadalupe, onde dá para tomar banho de argila (dizem que deixa a pele macia), a igrejinha de São Benedito e restaurantes em menor quantidade, mas com bons pratos, como o Tapera do Sabor e o Beijupirá. Sem falar do curioso Submarino Amarelo, no calçadão da praia, cuja decoração é beatlemaníaca à moda nordestina. Logo na entrada, quatro esculturas dos rapazes de Liverpool mostram o lado cangaceiro desconhecido de cada um: ao invés de ternos, chapéus de couro; ao invés de guitarras, sanfonas.

2. RECIFE

61 km de distância

Normalmente, quem vai a Porto de Galinhas chega pelo aeroporto do Recife – localizado, na verdade, em Jaboatão dos Guararapes. Mas vale a pena colocar a capital pernambucana, a apenas 1 hora de distância, no seu radar. 

Vale perambular pelo recém-renovado Recife Antigo, principalmente se for sua primeira passagem pela cidade ou se fizer mais de três anos que você não passa por lá – do Marco Zero, são apenas 30 minutos até o Aeroporto Gilberto Freyre. 

Com o processo de revitalização, o centro antigo ganhou outros ares, está mais limpo e convidativo. Visite os bonecos gigantes que desfilam nos carnavais da cidade na Embaixada de Pernambuco – Casa dos Bonecos Gigantes; o museu interativo Cais do Sertão, que resgata a cultura do sertanejo e faz uma homenagem a Luiz Gonzaga; o Paço do Frevo e o Centro de Artesanato de Pernambuco, com peças de únicas – no mesmo complexo, fica um ótimo restaurante por quilo chamado Bistrô e Boteco.

Outro espaço de artes que vale a visita é a Oficina Brennand, museu-ateliê do ceramista Francisco Brennand. Não confunda com o Instituto Ricardo Brennand, do outro lado do Rio Capiberibe, que exibe uma coleção de armaria, tapeçaria, escultura e mobiliário no Castelo São João e onde está o sofisticado restaurante Castelus.

Se tiver tempo extra, estique até a vizinha Olinda, tão próxima do Recife que nem dá para perceber que você mudou de cidade – em uma manhã, é possível percorrer seus pontos principais. No Recife, aproveite a renovada rede de hotéis dos bairros de Boa Viagem e Pina para se hospedar, e do Casa Forte, Poço Panela e Espinheiro para explorar a gastronomia local.

3. MARAGOGI

87 km de distância

É verdade que Maragogi é menos vantajosa para um bate-volta a partir de Porto de Galinhas do que Carneiros. Por isso, o melhor mesmo é combinar os dois destinos na mesma viagem, dividindo a hospedagem entre ambos. Ainda assim, com alguma organização (e muita disposição) é possível passar um dia agradável por lá. 

Assim como Porto de Galinhas, Maragogi tem como principal atração suas piscinas naturais, mas com um diferencial relevante: abriga a maior delas, as chamadas galés. Catamarãs levam os turistas em um trajeto de 20 minutos – as operadores funcionam em restaurantes, como o Frutos do Mar, hotéis e resorts. 

Se for para ficar apenas um dia, é imprescindível reservar seu lugar com antecedência: há um limite diário de visitantes nas galés para preservação dos corais. Por isso, nenhuma operadora faz o passeio todos os dias. Em troca, levam a outras piscinas, como Taocas e Barra Grande. Outros pontos interessantes de Maragogi: a bela Praia do Burgalhau e Japaratinga.

Saia cedo de Porto para chegar a Maragogi ainda com a maré baixa e, sem carro, contrate o serviço de receptivos: na Lucky, o passeio sai cinco dias por semana e dura 8 horas, com guia (R$ 80 adulto; bit.ly/atemaragogi).

VÍDEO: SAIBA COMO GASTAR BEM SUAS MILHAS

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