Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Primeiros passos

Decidida a cair na estrada sozinha? Talvez você esteja tão cheia de vontade e coragem quanto de dúvidas. Veja por onde e como começar.  

O Estado de S.Paulo

23 Maio 2017 | 04h00

Como escolher o destino?

As listas de melhores destinos para mulheres que você vê em sites e blogs brasileiros e estrangeiros têm como base não os interesses da viajante, mas sim a questão da segurança. Neste aspecto, o ranking Global Peace Index (Índice Global de Paz) é um dos mais conceituados: feito pelo norte-americano Institute for Economics and Peace (Instituto para Economia e Paz), compara 21 indicadores relacionados a violência, como homicídios e acesso a armas de fogo. No ranking de 2016, a Islândia aparece como o país mais seguro do mundo. Veja a classificação de todos os países aqui.

Mas, para além da segurança, os interesses da viajante devem prevalecer na escolha. Esqueça estereótipos. Veneza não é só para casais, é um desses lugares que ninguém deve morrer sem ver – compartilhado com outros turistas, o passeio de gôndola sai cerca de 40 euros, metade dos 80 euros do preço cheio. As chapadas Diamantina e dos Veadeiros têm trilhas e cachoeiras para todos, independentemente do condicionamento físico. 

Nos destinos considerados difíceis para mulheres, como Egito, Turquia, Índia e tantos outros, contratar um bom serviço receptivo local é suficiente para driblar as dificuldades. Se não quiser fazer essa parte sozinha, um agente de viagens no Brasil resolve. 

Quais passeios fazer e como se enturmar?

Curtir tudo no seu ritmo é a melhor parte da viagem solo. Quer passar o dia todo lendo na praia em Jericoacoara, no Ceará? Sua viagem, suas regras. Que tal ficar quanto tempo quiser no novíssimo Center for Women’s History (Centro de História das Mulheres), inaugurado em abril em Nova York?

Para os momentos em que bate a vontade de encontrar gente, existem os tours guiados. Os centros de informação turística e a recepção do hotel indicam vários. Passeios a pé são oferecidos nas grandes e médias cidades. O grupo Sandemans New Europe, fundado em 2003 por um estudante da Universidade Yale, oferece passeios gratuitos em 15 cidades na Europa, em Jerusalém, Tel-Aviv e Nova York. No fim, você dá quanto quiser de gorjeta. Passeios de bicicleta também rendem conversa e informação; já os ônibus panorâmicos são mais impessoais. Para interagir, não servem.

Criada em 1984 na Inglaterra, a comunidade Women Welcome Women World Wide (Mulheres Recepcionam Mulheres no Mundo Todo), chamada pelas associadas de 5W, é uma rede de mulheres que se dispõem a serem anfitriãs de outras viajantes. Hoje, são 2.250 integrantes em 70 países. Algumas oferecem hospedagem gratuita na própria casa, outras convidam para uma refeição ou passeio. É preciso se associar pelo site e pagar a taxa inicial de 37 libras (R$ 150), mais custo anual de renovação de 27 libras (R$ 109).

Onde se hospedar?

O quarto individual pode encarecer a viagem da turista solo. Para economizar e conhecer gente, considere os hostels – em vários deles a diária fica em conta mesmo em quarto com banheiro exclusivo. Pesquise em hostelworld.com. Hostels também contam com bares descolados, interessantes para socializar. Veja uma lista de bares e áreas de lazer em coberturas de hostels

Outra forma de conseguir quartos econômicos – e companhia – é ficar na casa de um morador. O Airbnb está aí para isso. Para quem prefere mesmo hotel, o site My Boutique Hotel oferece uma seleção de hotéis com design no mínimo bonitinho e preços interessantes. 

E as refeições?

O drama número 1 das viajantes desacompanhadas. Não deixe de ir a um restaurante com medo do que pessoas (que você nem conhece) vão pensar ao vê-la sozinha. Se for o caso, escolha os que têm mesas coletivas. Na hora do almoço, o clima é mais informal. 

Mas se não quiser mesmo comer sozinha, há opções para encontrar companhia. O site Colunching.com e o aplicativo Crushingtable.com ajudam a compartilhar mesas com desconhecidos em restaurantes: você cria uma mesa em um restaurante específico e espera que alguém se interesse pela sua companhia, ou se candidata a mesas criadas por outros. 

 

 

AONDE ELAS QUISEREM

Islândia, a mais segura

Primeiro colocado do Global Peace Index, o país é perfeito para quem ama contato com a natureza, trilhas e sonha em ver a aurora boreal. Dinamarca e Áustria também estão no ranking.

NY, para comprar

Se o seu objetivo é comprar, dá para usar como base o ranking do Expedia, que usa critérios como poder de compra, atendimento e popularidade. A primeira da lista é Nova York, seguida por Berlim e Los Angeles. São Paulo é a 11ª.

Paris, para respirar cultura

Cidades com vida cultural ampla são sempre boas opções - museus são ótimos para visitar quando se está sozinho, vendo tudo em seu póprio tempo. Paris não é só dos casais: é dos museus e shows também. Inclua na lista Madri, Amsterdã, Londres. Mais perto: Rio, São Paulo, Curitiba, Ouro Preto e até Buenos Aires e Santiago. 

Índia, Marrocos, Dubai...

Sonha em ir para esses destinos? Vá, mas atenção à segurança – os guias Lonely Planet sempre têm uma seção com dicas para mulheres. Em alguns países muçulmanos, há serviços exclusivos para elas, como táxis; informe-se antes de ir. 

Spas para relaxar

Relax na própria companhia: spas são ótima opção para a viajante solo. O Rituaali, em Itatiaia (RJ), tem programas de relaxamento e reeducação de estilo de vida. Aqui, uma lista com mais 11 opções.

Trilhas e mais aventuras

Roteiros na natureza não deixam ninguém deslocado. No Brasil, considere as Chapadas e o Jalapão. Nos EUA, o Grand Canyon tem trilhas marcadas, ônibus opcionais e saídas em grupo organizadas pelo parque – é um destino super amigável para levar as crianças.

 

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