Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Profissionais que evitam roubadas

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Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 04h00

Com inúmeras aves-do-paraíso guardadas na memória de seu equipamento fotográfico, nosso correspondente britânico deixou Papua-Nova Guiné e foi para Queenstown, na Ilha Sul da Nova Zelândia, com a intenção de visitar e celebrar o aniversário de Mary Felicity Galveston, aeromoça hoje aposentada, com quem viveu um tórrido romance no século passado. A viagem também tinha o objetivo de devolver a alegria a sua mascote Trashie que – como se sabe – adora o frio. A temperatura por lá anda abaixo de zero. A seguir, a pergunta da semana:

Caro Mr. Miles: não pude embarcar para a Colômbia, onde ia tirar férias, porque descobri, em cima da hora, que a regra mudou e a Colômbia agora exige vacina contra febre amarela. Já tinha tudo reservado pela internet. Como faço para ser informado dessas mudanças de última hora?

Marcelo Reis, por e-mail

“Well, my friend: consulte um agente de viagens e faça suas reservas por meio dele. O profissional tem a obrigação de saber tudo sobre o que está vendendo, of course. Se, however, ele deixar de informá-lo sobre algum pré-requisito para qualquer tipo de viagem, a responsabilidade passa a ser dele. Anos atrás, um velho amigo em lua de mel fez um roteiro pelo Chile e pela Argentina. A agência de viagens programou-lhe um rápido voo entre Puerto Montt, no Chile e Bariloche, na Argentina. Guess what?

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No dia certo, na hora exata, ele apresentou-se no balcão da companhia aérea, munido das passagens – que, à época, eram de um papel mais grosso e escritas à mão. Com ar de chacota, o atendente olhou os bilhetes e informou que o tal voo não existia mais há um bom tempo. Oh, my God! O infeliz casal de pombinhos foi obrigado a fazer uma poeirenta e longa viagem de ônibus para atingir seu destino. Mas, na volta, foi indenizado com um valor expressivo pela empresa que lhe vendeu o serviço inexistente.

Há muitas outras histórias parecidas: hotéis que não cumprem o que prometem, quartos que são muito mais exíguos do que se pode ver nas fotos de seus sites. Meu amigo John Martabold, for instance, foi vítima da má-fé de um hotel e de sua própria falta de conhecimento geográfico. Morador de Birmingham, ele (e sua Mildred) encontraram um hotel muito barato para passar as férias no Rio de Janeiro. A propaganda dizia que o referido estabelecimento estava situado nas proximidades das mais belas praias. Guess what again? Mildred e John acabaram alojados em um hotel de Belford Roxo, um lugar muito apreciado, sobretudo por quem gosta da cor incluída em seu nome.

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Como eu sempre digo, my friend, há assuntos que a internet não resolve. Não porque haja falta de informação nessa vertiginosa estrada cibernética. Pelo contrário: cada vez que eu abro meu computador (yes, fui obrigado a me render à tecnologia porque não encontrava mais insumos para minha máquina de escrever, uma Royal quiet, deluxe, de 1941, what a shame!), descubro uma quantidade crescente de asneiras, tolices, mentiras e mistificações que me fazem duvidar até do que é sério e honesto. E, believe me, Marcelo a tendência é piorar; felizmente não devo viver para ver o desastre final, apesar de ser longevo, saudável e feliz.

Outra coisa: é preciso estar atento porque as regras não param de mudar nunca. Em alguns casos – como esse da vacina que você menciona – com justificados motivos. Lembre-se que o Brasil, unfortunately, passa por um surto dessa doença e outras nações, inclusive no interior da África, querem se proteger. Na maior parte das vezes, porém, as regras mudam pela simples razão de que existem burocratas cuja única função é criar regras e normas, para depois alterá-las.

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Espero que você tenha mais sorte da próxima vez. E que consulte um profissional do ramo. Don’t you agree?”

MR MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 312 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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