Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Programa de índio na subida ao Monte Pascoal

Enquanto alguns índios se pintavam com urucum, o cacique Araçari Pataxó contava, com ares de narrador e algum rancor: "Aqui começou a invasão...". Só para esclarecer, estamos a poucos metros da porta do Parque Nacional do Monte Pascoal, a 38 quilômetros de Prado, de onde parte uma caminhada ao topo do icônico marco, guiada pelos índios.

PRADO, O Estado de S.Paulo

12 Março 2013 | 02h11

Como escutamos nas aulas de história, Pero Vaz de Caminha registrou que, no Sábado de Aleluia de 1500, "toparam com um grande monte, muito alto e redondo, ao qual o capitão pôs o nome Monte Pascoal e à Terra de Vera Cruz". Pois cá estamos, no primeiro ponto avistado por Cabral nestas bandas do Atlântico.

Apesar de batizado com o sugestivo nome de Programa de Índio, o tour da Prado Bahia Brasil é um grande achado. Após uma roda de dança típica, com crianças e idosos cantando, o jovem líder Torrón Pataxó, pitando seu cachimbo, faz algumas considerações na língua nativa (que alguns lutam para manter viva). Compreender um pouco dos costumes indígenas nos faz sentir mais brasileiros.

No bem organizado centro de visitantes, painéis explicam a história dos pataxós pela região. O local conta ainda com um monumento em homenagem às tribos brasileiras, erguido no ano 2000.

Panorama. Um calor úmido castigava o grupo e dava motivos de sobra para desistir de subir o Monte Pascoal, a 536 metros de altitude. Os 1.700 metros de trilha são íngremes (e bota íngreme nisso) e tomam no mínimo 1h30 para serem desbravados. Quem desiste aguarda na portaria, pechinchando por colares e outros itens de artesanato indígena.

Mas já que você resolveu ir até lá, persista. Nas paradas, a índia que nos guiava mostrava curiosidades da mata nativa, como árvores cujo tronco ecoa e a raiz de jaborandi. A dormência na boca provocada pela erva - utilizada pelos índios para tratar dor de dente - me fez esquecer também do cansaço. Confesso que lá de baixo parecia mais fácil.

Finalmente, uma placa indica o fim da trilha. Do alto, a intrigante Pedra do Pescoço ganha um novo formato e, naquele dia claro, deu até para avistar o mar de Caraíva, a 30 quilômetros. Um índio com cocar colorido parece posar sobre os galhos de uma árvore, com o horizonte infinito ao fundo.

Mais bela que a vista é a troca de experiências com os índios e a sensação de descobrir um pouco mais do Brasil. E, ao final do dia, poder dizer: eu subi o Monte Pascoal. /F.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.