Ministério do Uruguay
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Punta del Este no verão

Na estação mais quente do ano, Punta del Este renova seu cardápio de restaurantes, hotéis e baladas, sem perder a tradição dos paradores à beira-mar, onde a festa segue até o cair da noite

Anelise Zanoni, Especial para o Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2018 | 05h00

PUNTA DEL ESTE - O verão de Punta del Este tem uma dinâmica bem particular. Nas praias, o dia geralmente começa mais tarde, para aproveitar a combinação de sol abundante (que no verão pode brilhar até perto das 21h) e badalação. É sob o céu quase sempre azul que uma maioria de brasileiros, argentinos e uruguaios bebe cerveja e espumante gelados enquanto ouve a música dos paradores instalados na orla. Óculos de sol da moda, chapéu e roupas claras são como uniformes de quem aproveita o verão por lá. 

Se tem uma coisa que se faz bem na cidade uruguaia, afinal, é aproveitar a vida. Para não perder espaço, todos os anos o balneário se atualiza com novos restaurantes, lojas e uma programação completa nos paradores com vista para o mar, que oferecem uma estrutura completa nas praias. Espreguiçadeiras, guarda-sóis e cardápios bem elaborados fazem parte das mordomias de points como os disputados Ovo Beach Club e Imarangatu.

Sob a batida de DJs, é comum ver circulando por ali homens esbeltos e mulheres que parecem saídas de um catálogo de moda, com bronzeado cor de caramelo. A festa, ainda durante o dia, segue ao pôr do sol – quando o céu ganha um colorido especial – e perdura pela noite.

Além da praia, um roteiro básico pela cidade pode começar no Paseo de las Americas, na Playa Brava. Na altura da parada 1 está a escultura mais famosa: uma mão. Conhecida como La Mano, Los Dedos ou Hombre Emergiendo a La Vida, a obra foi feita pelo chileno Mario Irarrázabal e é muito disputada para as fotos. Para quem quer arrasar no clique, o melhor é ir cedo, antes da chegada dos ônibus de turismo – principalmente se você for em algum feriadão ou entre dezembro e fevereiro.

Novidade gastronômica. Em direção à península, a Avenida Gorlero é o coração econômico do balneário e concentra lojas, bares e restaurantes. A novidade por lá é o Ramona, inaugurado em setembro. Com bom custo-benefício e ambiente aconchegante, tem um menu composto de produtos caseiros e artesanais, com boas opções para veganos e celíacos. Tudo sem conservantes, como garante o cozinheiro e proprietário Diego Petroccelli.

Entre os queridinhos da casa está o Chá para Dois, (680 pesos uruguaios ou R$ 75). A mesa é posta com café, chá, cortado ou capuccino, suco de laranja, sanduíche, torradas, geleias, requeijão, biscoitos de canela e de aveia e mel, croissant e bolo. Para refeições mais encorpadas há sugestões como milanesa de entrecot com batatas (cerca de R$ 43) e peito de frango com risoto de quinoa (cerca de R$ 45). 

De estômago cheio, o passeio pode continuar pela própria Avenida Gorlero e seguir adiante até o farol de 1860, feito com prismas de cristal trazidos da França. Também merece atenção o Puerto Nuestra Señora de la Candelaria, onde centenas de embarcações de todos os tamanhos atracam o ano todo. No auge do verão, falta espaço para tantos exemplares. Nos meses mais frios, quem disputa o espaço são os leões-marinhos: é comum eles ficarem por ali, em busca de peixes.

Depois, continue pela Rambla General Artigas, a beira-mar na Playa Mansa. Um gazebo avança a água formando uma espécie de píer para relaxar e curtir o cenário. E, se ainda restar ânimo para algumas comprinhas, a Calle 20 está logo ao lado. Trata-se de um passeio de compras ao ar livre, onde marcas internacionais como Fendi, Valentino e Thommy Hilfiger ajudam a incrementar a mala dos viajantes. Afinal, há muito mais para ver na cidade – e em seu entorno, como você pode descobrir a seguir. 

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Sono tranquilo

Em Punta del Este

Na Praia Brava, em frente à parada 10, uma grande construção que lembra a frente de um navio abriga o moderno The Grand Hotel. Pelas paredes de vidro, avista-se a praia. Lá dentro, estofados, luminárias direcionadas e objetos que esbanjam design preenchem o lobby. Os 120 quartos têm vista para o mar, piscina ou jardins, e móveis revestidos com bambu. O hotel ainda conta com serviço completo de praia, spa, restaurantes, sala de jogos adulto, piscinas e área infantil completa. As diárias começam em US$ 110.

Mais em conta 

Localizados na mesma região do famoso Hotel Conrad, o Sunset e o Best Western La Forêt oferecem diárias bem mais em conta. O primeiro fica quase em frente ao píer da Praia Mansa, com diárias que vão de US$ 195 a US$ 300 para o casal, com café da manhã. O La Forêt é um pouco mais distante, mas ainda próximo da orla. Suas diárias estão na mesma faixa de preço: US$ 220 em média o casal.

Em José Ignacio

Caminhar sem pressa e não ter hora para acordar é um mandamento que a dupla de empresários Ricardo Carranza e Osvaldo Muratorio reconheceu assim que inaugurou a Posada La Viuda de José Ignacio (a partir de R$ 510). O desjejum inicia às 9h, sem hora para acabar. Café prensado na hora, pães feitos na própria cozinha, iogurte, frutas, panquecas e ovos mexidos podem ser colocados na mesa em frente à piscina, no quarto ou na sacada com vista para o mar. A 200 metros da praia, o hotel-butique tem galerias de arte com pinturas, fotografias e esculturas. Há jacuzzi nos com vista para o mar, e piscinas privativas nos com vista para o jardim. No térreo há piscina e sala com adega, com vinho (a preço acessível) para beber no quarto. Os hóspedes ainda podem pegar emprestado bicicletas para explorar o vilarejo.

Em Punta del Diablo

Entre as ruas estreitas de terra clara de Punta del Diablo despontam albergues e pousadas rústicas que aproveitam a arquitetura colorida e simples do vilarejo para transformar os espaços em experiências únicas. Com todas as suítes de frente para o mar, a Posada La Viuda del Diablo (da mesma rede do hotel de José Ignacio) tem quartos equipados com jacuzzi em frente a uma parede de vidro, o que dá a sensação de estar tomando banho na beira da praia. Nos dias frios, à noite, a equipe acende uma fogueira na praia, enquanto os casais se amontoam nas cadeiras de madeira enrolados em mantas de lã. Crianças não são aceitas. Para ir em família, o Terrazas de La Viuda, a poucos metros dali, tem piscina e quartos com vista para o mar. O café da manhã é servido o dia todo, e há algo precioso para quem tem filho: minicozinha com micro-ondas e frigobar.

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Casapueblo e Hotel Conrad: dois ícones que não envelhecem

Casarão do artista plástico Carlos Páez Vilaró e hotel são cartões-postais clássicos que disputam a atenção dos turistas no Uruguai

Anelise Zanoni, Especial para o Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2018 | 04h30

O final da tarde se aproxima em Punta Ballena, balneário vizinho a Punta del Este. No alto de uma colina, carros disputam vaga para estacionar e paragliders rasgam o céu. Por ali, uma dezena de pessoas desce pelo campo para encontrar o melhor ângulo e fotografar Casapueblo, uma das construções mais emblemáticas do Uruguai. 

O casarão concebido pelo artista plástico Carlos Páez Vilaró mais parece um castelo à beira do Mediterrâneo, mas funciona como hotel e museu. Outro hotel clássico, o Conrad, também não é só uma opção de hospedagem, mas tem status de ponto turístico – e dos mais disputados.

Cartão-postal clássico, os sacadões de frente para o mar da Casapueblo  são um convite para assistir ao pôr do sol. Turistas começam a se amontar por ali conforme o céu muda de cor. Logo, uma música invade o ar, e se ouve um verso gravado pelo artista, morto em 2014. É o início da cerimônia em homenagem ao sol, um clássico em que todos fazem silêncio para ouvir.

Todos os dias, desde 1994, é assim que termina o dia na Casapueblo. Não há horário fixo, porque tudo depende do momento que o sol se põe. As reações são variadas. Há aqueles que choram enquanto bebem vinho, há os que parecem hipnotizados com as cores do céu. Outros se acotovelam em busca da melhor selfie. 

Embora muita gente vá ao local para aproveitar o espetáculo, Casapueblo é muito mais que isso. Para aproveitar bem o programa (os ingressos custam cerca de R$ 27), o ideal é chegar cedo ou fazer a visita de segunda a sexta, dias mais tranquilos. 

Um dos maiores encantos é a própria arquitetura, que se destaca por combinar formas irregulares. Sem ser arquiteto, Vilaró se inspirou no homem do campo e nas construções mediterrâneas para levantar a grande casa. Entre as obras do acervo estão peças que contam a trajetória do artista, distribuídas em pequenas galerias. Esculturas de madeira e metal também aparecem no recorrido. Quem dedica tempo para conhecer parte da obra pode ser surpreendido com os janelões com vista inusitada para o mar – e para o pôr do sol.

Além das apostas. Inspirado nos grandes hotéis de Las Vegas, Hotel Conrad é um dos queridinhos dos brasileiros no país. Boa parte do sucesso deve-se à experiência que o cassino proporciona, mas a marca tem investido pesado nos últimos anos para ser reconhecida também como referência em entretenimento para diferentes públicos, inclusive para quem não é hóspede.

O esforço vem dando certo, e o hotel – agora oficialmente denominado Enjoy Punta del Este Hotel Conrad – se transformou em um exemplo em hotelaria e entretenimento. A programação é intensa o ano todo, e inclui de festivais gastronômicos a shows internacionais. As atrações se somam ao serviço do parador Ovo Beach Club, da boate e dos restaurantes do hotel.

Com pé na areia, o parador é um centralizador de gente bonita e bem arrumada e é aberto para quem quiser frequentá-lo. Nos 380 metros quadrados de área, há tendas com sofás e espreguiçadeiras, música selecionada por DJs e cardápio com receitas mediterrâneas, sushis e pratos com proposta saudável. Quando cai a noite, a diversão é direcionada para a boate, que costuma ter trilha sonora assinada por DJs famosos. 

No hotel, são 294 apartamentos, todos com vista para o mar. Quem se hospeda (as tarifas começam em US$ 380 o casal) pode usufruir do fitness center, das piscinas e, para quem vai com crianças, há recreação e espaço kids.

Para quem vai com a proposta de tentar a sorte no cassino, as possibilidades são muitas: ao todo, são 75 mesas de aposta (incluindo roletas, black jack, midi baccarat, entre outras), 550 slots e sala para pôquer. Prefere exclusividade? A área vip, com atendimento personalizado, conta com 25 mesas e slots diferenciados, além de ser a locação de exclusivos e milionários torneios.

Raio X turístico

1. Caro, pero no mucho

Os preços no Uruguai são semelhantes aos do Rio e São Paulo quando o assunto é gastronomia. Os hotéis, entretanto, são mais baratos, mesmo com qualidade mais elevada. O alerta vai para Punta del Este: por ser um destino procurado pelo jet set internacional, tudo é inflacionado. Um suco na beira da praia pode custar US$ 10 e um sanduíche com presunto e queijo, US$ 16.

2. Quando ir? 

O litoral costuma ser ensolarado, com estações bem definidas. Na alta temporada, de dezembro a fevereiro, os dias são longos e as praias, disputadas. No inverno, muitos estabelecimentos deixam de funcionar, e há menos movimento, mais vento e preços mais convidativos. 

3. Precisa de passaporte?

Carteira de identidade com menos de dez anos de emissão é suficiente para entrar no Uruguai – mas a carta de motorista, não.

4. Devolução de impostos

Não há burocracia para turistas receberem o desconto referente ao IVA, imposto cobrado em hotéis, restaurantes e locadoras de veículos. Para isso, é preciso fazer compras com cartão de crédito ou débito emitido no Brasil. O benefício é descontado na hora da compra e vale até 30 de abril. Muitas lojas aderem ao tax-free em compras a partir de 600 pesos uruguaios (cerca de R$ 67), o que significa que o valor de impostos (14,4%) pode ser resgatado em aeroportos, portos e fronteiras terrestres.

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Anelise Zanoni, Especial para o Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2018 | 04h31

Logo ali, pertinho de Punta del Este, La Barra e José Ignacio, a Bodega Garzón é uma ótima opção para conhecer alguns dos melhores vinhos uruguaios. Reserve um dia inteiro para curtir tudo que o local proporciona.

Depois que se estaciona o carro, um caminho cercado de água dos dois lados leva os visitantes até o prédio moderno e de linhas retas que se destaca no horizonte. Ali dentro, o deslumbramento é inevitável: janelões e uma sacada dão vista completa para os campos. A beleza de Garzón deve-se ao faro empreendedor do casal argentino Alejandro Bulgheroni e Bettina, que em 1999 conheceram a região e a compararam com a italiana Toscana. E pensaram que seria um bom local para produzir azeites e vinhos.

A vinícola foi inaugurada oficialmente em março de 2016, e hoje é considerada a primeira bodega sustentável fora da América do Norte. A mistura de bom solo com a brisa do mar e o clima temperado resultou em vinhos de alta qualidade, como o balastro, uma mistura com o melhor das uvas da região: tannat, pinot noir e pinnot noir rosé, albariño, pinnot grigio, entre outros. 

Olhar aéreo. Pela manhã, bem cedo, um balão é inflado e vai trazendo colorido aos extensos campos verdes. Em alguns minutos, ele está vivo no ar – e repleto de turistas. O passeio, a mais de 300 metros de altura, dura cerca de 4 horas e percorre áreas onde são plantadas oliveiras e amendoeiras, e termina com a degustação de azeites de oliva extra virgem e vinhos. Custa cerca de 6 mil pesos (R$ 680) por pessoa e depende das condições do clima. 

Além do passeio de balão, há outras atividades na vinícola, como passeio de carruagem, piquenique e colheita manual de azeitonas. O tour mais simples inclui visitação aos vinhedos e degustação de rótulos e custa cerca de R$ 78 por pessoa. 

Paladar à prova. No restaurante, a proposta é oferecer pratos tradicionais com produtos frescos de cada estação, distribuídos em dois menus. O Estate, com quatro etapas, custa 2.250 pesos uruguaios (cerca de R$ 248). Podem surgir nas opções cordeiro braseado, batata doce laranja, hortelã e iogurte e flan com sorvete de caramelo. 

Na versão Reserva, com cinco passos, o cliente paga 3.100 pesos uruguaios (cerca de R$ 340) e aproveita especialidades como empanadas de cordeiro, filé mignon nas brasas, creme de alho assado, quinoa crocante e mix de folhas.

Outras paradas. Não é só a Garzón que vale o passeio. Para quem tem mais tempo no país e vai se estender em Montevidéu, há opções de vinícolas nas aforas da cidade. Na Bodega Bouza, por exemplo, o programa de experiência custa cerca de R$ 330 e inclui visita guiada, degustação, almoço, passeio pela coleção privada de carros antigos e transporte a partir da de Montevidéu.

A H. Stagnari, por sua vez, é uma das mais premiadas no mundo. A visita é simples, com passeio pelo vinhedo, vinícola, cave e por um labirinto de vinhas. Há opção de participar da experiência gourmet no restaurante da vinícola (a partir de US$ 100). Informações: stagnari.com. Já na Bodega Juanicó, a visita guiada inclui degustação e passeio por antigas edificações, cave e vinhedos. 

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José Ignacio: à beira-mar, com estilo

Refúgio de endinheirados, cidade é para quem busca exclusividade e serviço de primeira, mas sem perder a atmosfera despojada que inspira os artistas das muitas galerias da região

Anelise Zanoni, Especial para o Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2018 | 04h32

A cerca de 40 quilômetros de Punta del Este habita um universo onde a pressa não faz parte do vocabulário. Prédios altos são proibidos e lojas e restaurantes funcionam basicamente entre a primavera e o verão. Em José Ignacio, a regra é deixar apenas o vento correr, como gostam de dizer seus moradores.

Mas como os ventos que sopram ali passam pela vizinha Punta, a pequena cidade se transformou em refúgio de endinheirados que querem exclusividade ou, pelo menos, fugir do turismo de massa.

Com clima descompromissado e informal, José Ignacio conquistou fama por seu estilo chique e descolado e ao tratamento vip aos visitantes. E é fácil se sentir especial no balneário.

Antiga aldeia de pescadores, a praia tem ruas de terra clarinha, muitas delas sinalizadas por placas de madeira. Assim como Punta del Este, abriga uma Playa Mansa e uma Playa Brava. Só que, às margens do Atlântico, José Ignacio tem dunas e campos próprios para cavalgadas, praias rochosas e de água fria e fazendas escondidas. 

Na rede hoteleira, os resorts são banidos e dão espaço a pousadas e hotéis-butique que capricham na decoração e no atendimento.

Perto do mar estão paradores como o La Huella, que reúne o jet set internacional e tem serviço com direito a chefs renomados e baldes de champanhe. Localizado na Playa Brava, exige reserva se você quiser ficar menos tempo na fila – mesmo no inverno. Durante o dia, o salão principal ferve e mostra a vocação democrática que tem. 

Além da atmosfera informal, o cardápio curto e de alta qualidade chama atenção. Há um menu de sushis e sashimis, uma seleção de prato do dia e receitas com frutos do mar e carnes preparadas na parrilla – entrecot, cordeiro, picanha e matambre suíno. Entre as sobremesas, um dos sucessos é o petit gâteau de doce de leite com sorvete de banana e cookie de amendoim.

Haja fôlego. Para turistar há o Farol de José Ignacio. Chegar ao topo exige cerca de R$ 3 e uns 110 degraus de escada estreita. Do alto de seus 30 metros, a vista compensa: a paisagem mostra as praias Mansa e Brava. E, para quem prefere não subir, em frente ao farol há um caminho com piso de madeira sobre rochas.

A atmosfera especial do vilarejo também se transformou em inspiração para artistas. Não faltam ali galerias com acervos contemporâneos e de bom gosto. Na Los Caracoles, o trabalho pioneiro de Miguel Zerebny e Sebástian Manuelle com mais de 80 artistas tem rendido reconhecimento internacional e arrebanhado turistas. A Galeria de Las Misiones, com sua arquitetura simples e contemporânea, é outra opção para se perder pelo mundo da arte.

Como ir: na alta temporada, a latam.com tem voo direto desde R$ 1.298 e a aerolineas.com.ar desde R$ 1.272, com conexão em Buenos Aires. Voando para Montevidéu, alugue carro no aeroporto ou vá de ônibus (são 130 km): cot.com.uy ou copsa.com.uy

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Punta del Diablo, descolada e relaxada

Um dos destinos mais descolados do Uruguai é ponto de encontro de mochileiros, naturebas, universários e turistas que desejam passar o dia de chinelo de dedo e roupas simples

Anelise Zanoni, Especial para o Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2018 | 04h33

Assim que o carro ingressa na estradinha que leva à Punta del Diablo, uma trilha sonora própria dá as boas-vindas à região. O assobio do vento que entra pelas frestas faz uma sinfonia junto aos badulaques que se movimentam dentro do veículo por causa do piso de terra batida.

Pelo vidro, surgem casinhas coloridas, parecendo caixas cobertas por telhados de palha ou telhas muito simples. Nenhuma das moradias têm cercas e uma dezena delas exibem recados na fachada. Pode ser um “Silêncio, por favor, escute o mar” ou um “Deixe o barulho do vento entrar”. 

Ir ao balneário a 190 quilômetros de Punta del Este é dar uma pausa na vida agitada para viver o luxo de passar alguns dias fazendo quase nada. Nas quatro ou cinco vezes que viajei para lá, a sensação foi a mesma: o relógio parece parar, porque o ritmo da cidade exige contemplação. 

Considerado um dos destinos mais descolados do Uruguai, o local se transformou em ponto de encontro de mochileiros, naturebas, universitários e turistas que desejam passar o dia de chinelo de dedo e roupas simples. Trajes bem diferentes do público que circula na badalada Punta del Este.

A cidadezinha mantém características da vila de pescadores que foi instalada naquela região na década de 1940, mas reserva surpresas. O terreno elevado coberto por construções que não ultrapassam os três andares faz com que praticamente todos os imóveis tenham vista para o mar. Muitos deles são construídos sobre palafitas.

A Playa de La Viuda é uma uma das mais populares, com suas dunas altas de areia de fina e mar agitado. As ondas atraem surfistas para a água – e gente bonita descansando na areia, em espreguiçadeiras de madeira, enquanto toma cerveja gelada ou mate quente. Barcos de pesca de nomes femininos desfilam na Playa de los Pescadores, perto do centrinho. Por ali é comum disputar espaço com os cachorros de rua. Eles são muitos, geralmente de grande porte, e costumam ser dóceis.

Ao lado da orla dos pescadores está a principal atração na alta temporada: a feira de artesanato. Por ali também ficam os bares e restaurantes – a oferta gastronômica é rica em frutos do mar, com cardápios assinados por chefs locais e estrangeiros.

Sinta-se em casa. Na baixa temporada, o clima é de pura tranquilidade – e são poucos os lugares abertos. Na minha última passagem por lá, o único restaurante aberto para jantar era o Il Tano. E lá fui eu, com meu filho de 1 ano nos braços. 

Do lado de fora do casarão de dois andares dava para ver pela janela uma criança festejando no colo de um homem. Ele a levantava pra cima e para baixo. Fiquei aliviada. Pela cena que vi, era um lugar “child friendly”. Só que bastaram cinco minutos no salão principal para entender que o Il Tano não era um restaurante qualquer. 

Comandado pelo chef Luciano Raimondo, o restaurante é a própria casa dele, de sua mulher, Ximena, e dos três graciosos filhos pequenos do casal. Por isso, abre todos os dias do ano.

Argentino, Raimondo viveu por anos na Itália, onde atuou em diferentes cozinhas. Da experiência, trouxe receitas de massas, carnes e pescados. Em Punta del Diablo o menu tem cardápio enxuto, criado a partir de ingredientes da região. Muitos dos insumos vêm da horta orgânica da família ou são comprados de pescadores e produtores locais.

No verão, quando as filas são comuns, há receitas mais práticas, baseadas em petiscos e frutos do mar. Entretanto, alguns pratos permanecem o ano inteiro, como o ravióli de abobrinha italiana e camarões e o agnelotti de prosciutto com queijo. Também vale a pena passar os olhos na carta de vinhos, que prioriza rótulos uruguaios e europeus. 

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