Radical por natureza

Adrenalina e a bela paisagem de Valais. Quer combinação melhor?

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2009 | 01h41

A paisagem bucólica dos Alpes, marcada por casas de madeira com gerânios nas janelas e vacas pastando ao som do sino que levam no pescoço, esconde muita adrenalina em Valais, no sul da Suíça. No verão e no início do outono, a neve cobre apenas os picos mais altos da região. E permite a prática de modalidades radicais quase nunca associadas ao país.

 

 

Trilhas em florestas com ampla biodiversidade, alpinismo e trekking para ver o gigantesco glaciar Aletsch (leia mais ao lado) estão entre os programas preferidos da temporada. Deixando para depois o esqui e o snowboard, que reinam praticamente sozinhos no inverno.

 

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É no Cantão de Valais, o maior dos 26 que formam país, que estão esses grandes contrastes da natureza. No Estado também ficam as montanhas mais altas do continente: há picos com altitude superior a 4 mil metros.

 

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Poucos quilômetros dali, percorridos em estradas sinuosas, separam o gelo eterno das montanhas da flora mediterrânea dos vales. O protagonista desse cenário verde é o Rio Rhône, que nasce do degelo dos Alpes suíços, deságua no Lago de Genebra e corre pela França até alcançar o Mediterrâneo.

Os vilarejos nos arredores do rio parecem saídos de livros de contos de fada. Nax, Binn, Leuk e Evolène encantam à primeira vista. E também quando você chega ali em busca de hospitalidade. Os hábitos simples desses povoados estão em harmonia com a prática de esportes radicais e os moradores se acostumaram a receber quem busca aventura.

Em Nax, por exemplo, há uma via ferrata usada para subir um rochedo de 200 metros de altura, do qual se avista o vale do Rhône. Escalar essa pedra, no entanto, é um desafio indicado só para quem já tem prática em alpinismo. Também é possível fazer cavalgadas. Vários ranchos alugam animais para os que não querem encarar o trekking. A paisagem é marcada por plantações de uva nas encostas dos vales, onde se misturam vacas e cabras de pelagem bicolor, típicas das montanhas.

Ao lado das uvas cultivadas na região - origem de vinhos que não fazem vergonha nem quando comparados aos de países vizinhos -, o leite é um dos pilares do agronegócio local. É o ingrediente básico para a fabricação do queijo raclete, produzido em Valais, e também nome de um dos pratos típicos.

A necessidade de levar a água do degelo para irrigar a encosta dos vales, onde estão as uvas, proporcionou a Valais outra opção de ecoturismo. Os 207 canais que serpenteiam as montanhas, construídos a partir do século 12, viraram trilhas muito apreciadas pelos adeptos do trekking.

RAÍZES

Além de paisagens bucólicas e turismo de aventura, Valais tem um terceiro ingrediente: a história. Boa parte dessas raízes se concentra em Sion, capital da região e uma das localidades mais antigas da Suíça. Fundada pelos celtas na parte mais baixa do vale do Rhône, a cidade caiu em mãos romanas e francesas antes de se firmar suíça.

A charmosa parte antiga de Sion fica ao pé de montanhas fortificadas, onde se destacam os medievais castelos de Tourbillon e Valère (por lá, confira o museu cantonal e a catedral, com um órgão de 1435). Outra atração da parte histórica, mas na parte baixa, é mansão de Georges Supersaxo, do século 15. Vista de fora, a residência não chama atenção. Mas vale a pena entrar para conferir o teto do hall decorado com uma escultura de madeira do mestre italiano Jacobinus Malacridis. Nas paredes laterais, outras imagens contam o desenvolvimento de Sion.

A influência romana e francesa é nítida em toda a região. Há inúmeras igrejas católicas espalhadas pelo cantão, herança dos povos que dominaram a área. O francês, falado pela maioria dos moradores, e o alemão são as línguas oficiais. Mas se prepare para ouvir palavras que você nem de longe vai identificar. Muito provavelmente são expressões em alemão valasiano, o walliser düütsch. Com origem na Idade Média, o dialeto só é entendido por ali.

NO INVERNO

A partir de Brig, cidade bem perto do Aletsch, é fácil atingir os principais resorts de esqui de Valais. Mas você nem precisa andar tanto. Escolher as pistas de Blatten/Belalp, Rothwald e Rosswald (ótima para crianças) já seria de bom tamanho. Quem gosta mesmo do esporte, no entanto, não pensaria em ir a Valais sem esquiar em Zermatt, um dos mais exclusivos e tradicionais resorts de inverno da Suíça, ao lado de St. Moritz, no cantão de Graubünden. São quase 400 km de pistas todos os níveis. E um adicional: o lendário Matterhorn (4.478 metros), um dos símbolos do país.

 

Viagem feita a convite do Switzerland Tourism e da Swiss International Air Lines

PACOTES

linkUS$ 1.721: 4 noites (Zurique, St. Moritz e Zermatt). Com café. Na Cit Viagens (0--11-3138-3535; www.citviagens.com.br)

linkUS$ 1.778: 6 noites (3 em Zurique e 3 em Valais). Com café. Na Natural Mar Turismo (0--11-3256-7492; www.naturalmar.com.br)

linkUS$ 2.035: 9 noites (3 em Zermatt, 2 em Brig e 2 em Martigny). Com café, dois passeios e passagens de trem incluídas. Na CI (0--11-3677-3600; www.ci.com.br)

linkUS$ 4.105: 7 noites em Zermatt. Com meia pensão. Na Tia Augusta Turismo (0--11-3068-5111; www.tiaaugusta.com.br)

linkUS$ 6.235: 7 noites em Crans Montana. Com café e entradas ilimitadas para o SPA. Na Tereza Ferrari Viagens (0--11-3021-1699; www.terezaferrariviagens.com.br)

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