Raízes etruscas no cotidiano de Volterra

Basta chegar a uma cidade com poucos turistas (para os padrões da Toscana) para sentir a rotina local. Sem as hordas de visitantes, as ruas, praças e lojas parecem mais reais, enquanto moradores passam para cima e para baixo, concentrados em seus afazeres. Assim é Volterra, povoado de 11 mil habitantes fundado pelos etruscos há 2.700 anos no alto de uma vistosa colina.

VOLTERRA , O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2012 | 03h09

Boa parte dos 7 quilômetros da muralha erguida pelos etruscos e, mais tarde, reaproveitada pelos romanos, está em ruínas, mas dá um charme adicional a Volterra. Basta uma caminhada sob o famoso sol toscano pela Via dei Marchesi até a belíssima Piazza dei Priori para encantar-se com os robustos edifícios medievais. Tudo acontece ao redor da praça - um bom termômetro da intensidade de turistas na área: poucos e em pequenos grupos. Repare nas conchinhas incrustadas nas pedras do calçamento: tudo era mar outrora.

Destaque para o Palazzo dei Priori, do século 13, a mais antiga sede de governo de toda a Toscana. A visita, a 1,50 (R$ 4), só vale se você subir na torre (por mais 3,50 ou R$ 9), reaberta recentemente, após uma longa reforma. De lá, é possível avistar o mar, a 30 quilômetros, e compreender o quão estratégico era aquele ponto. Prepare-se: o sino toca implacavelmente ao meio-dia e venta muito na cidade - leve um casaquinho, mesmo no verão.

Passado. História é mesmo o forte de Volterra e sua principal atração é o Museu Etrusco Guarnacci (Via Don Giovanni Minzoni, 15), com um impressionante acervo sobre a sofisticada civilização pré-romana, que viveu na região desde o século 8.º a.C.. Em Volterra e arredores foram descobertos os principais objetos do período - como uma coleção de mais de 600 urnas funerárias feitas em alabastro, a translúcida pedra local.

Trata-se da segunda maior coleção etrusca do mundo. Entre as principais obras está Ombra della Sera (foto), estátua longilínea em bronze fundido, que inspirou o artista Alberto Giacometti (1901- 1966). A entrada custa 8 (R$ 21), mas há um pacote que inclui visita à Pinacoteca Comunale e ao Museo Diocesano d'Arte Sacra por 10 (R$ 26).

Depois dos etruscos, os romanos deixaram ali um esplêndido teatro do século 1.º a.C., que começou a ser escavado em 1951. Nem é preciso pagar os 3,50 (R$ 9) da entrada. O melhor jeito de observar o teatro é numa caminhada noturna até a Via Lungo Le Mura del Mandorio - você vai dar de cara com a construção, completamente iluminada. /F.M.

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