Reflexo moderno

Da era proibida dos gângsteres aos tempos de Barack Obama, Chicago deixou o passado fora-da-lei para se tornar a metrópole dos arranha-céus, dos museus e da arte nas ruas

10 Novembro 2010 | 10h00

   

 

 

 

 

O gângster Al Capone virou mito. E a Chicago abandonada dos anos 1920 ressurgiu como a terceira maior metrópole dos Estados Unidos, atrás apenas de Nova York e Los Angeles. O segredo do sucesso? Parques, muitos parques. Restaurantes e hotéis badalados. Museus, centros culturais e arranha-céus que foram ocupando os espaços vazios e fizeram da cidade uma verdadeira obra de arte.

 

Digamos que Barack Obama também contribuiu. Bastou ser eleito presidente dos Estados Unidos para que a localidade onde começou sua carreira política se consolidasse no posto de sensação turística.

 

O reflexo da modernidade de Chicago está no centro, muito mais conhecido como Loop, por causa dos trens elevados do metrô que flutuam pela região. Aliás, não existe tour mais original - e econômico - para ver o belo contorno urbano.

 

Você pode pegar a linha marrom, laranja ou rosa, não importa. Apenas garanta lugar em alguma janela do primeiro vagão. Vão passar o espetacular edifício Marina City, de Bertrand Goldberg, o novo Trump International Hotel and Tower, o Pritzker Pavilion de Frank Gehry, o histórico Auditorium Louis Sullivan... Perdeu algum? Sem problema, com o tíquete de US$ 2,25 você pode dar infinitos loops.

 

A rota moderna continua pelo Millennium Park, onde uma das mais divertidas atrações, a Crown Fountain, é só efeitos especiais. Duas torres espelhadas projetam a imagem de algum pedestre. Depois, lançam um jato d’água e molha quem está passando por ali.

 

Ainda por lá, veja o Pritzker Pavilion, de Frank Gehry, um palco para concertos com fitas de aço onduladas, que mais se parecem os tentáculos de um monstro de filme de terror japonês dos anos 1950. E o Cloud Gate, uma espécie de espelho gigante que reflete as pessoas e os prédios.

 

Pura arte. Chicago sabe muito bem como mesclar arquitetura neoclássica e design contemporâneo. E nenhum lugar faz isso melhor que o Art Institute of Chicago, que abriu a tão celebrada Modern Wing no ano passado. Com design de Renzo Piano, a nova ala tem um conjunto de galerias que reúnem arte europeia da primeira década do século 20, com Picasso, Giacometti e Klee, entre outros mestres, além de um salão para a coleção permanente de design.

 

O instituto ainda guarda telas superfamosas, como a American Gothic, de Grant Woods. O quadro de 1930 mostra um agricultor sisudo, com um tridente em mãos, ao lado da filha solteirona. Ou Nighthawks, de Edward Hoppers, e A Sunday on La Grande Jatte, de Georges Seurat.

 

Depois de conferir o acervo, suba ao restaurante Terzo Piano, mesmo que não esteja com fome. De lá dá para ver o Pritzker Pavilion do Millennium Park.

Outros clássicos artísticos são o Museum of Contemporary Art, com exibições em diferentes mídias e formatos: pintura, escultura, fotografia, vídeo, dança, música e performance. E a Colletti Gallery, que expõe uma seleção de móveis e antiguidades art deco e art nouveau.

 

Andando pelas ruas, mais arte. Não é difícil esbarrar com alguma obra-prima. Por exemplo, o mosaico Les Quatre Saisons (As Quatro Estações), produzido por Chagall em 1974, fica exposto na Praça First National, na Monroe Street. O Lincoln Park acabou de inaugurar um pavilhão assinado por Jeanne Gang - mais um exemplo de como a metrópole aprendeu a transformar seus espaços abertos.

 

Caminhar - ou pedalar - são boas ideias para sentir o clima de Chicago. Vale cruzar pontes curvadas, sentar à beira do Lago Michigan, no turístico Navy Pier, experimentar quitutes locais e assistir a aclamados espetáculos de teatro, ópera e dança. Ou, quem sabe, embarcar em tours dos principais personagens da cidade. De Al Capone a Obama. / COM NYT

 

O que levar

 

Olhar crítico

Chicago é praticamente um museu a céu aberto. É preciso ter bons olhos para admirar e entender a arte das ruas, seja escultura ou arranha-céu

 

Disposição

As melhores maneiras de viver a cidade: a pé ou de bike

 

Luvas e gorro

O inverno nem começou, mas já faz frio. Máxima para as tardes de sol: 11 graus

 

O que trazer

 

Onda Obama

Nas lojas de souvenir você encontra o presidente americano em variadas versões: camisetas, broches, chaveiros...

 

Roupas e mais roupas

Preparado para a maratona de compras? Sonho de consumo dos brasileiros, as grifes (Gucci, Vuitton...) estão todas na área chamada The Magnificent Mile. Lojas mais descoladas e independentes se espalham pela East Oak Street

 

Saiba mais

 

Como chegar: A passagem aérea de ida e volta entre São Paulo e Chicago custa a partir de R$ 1.884 na United Airlines. Essa é a única companhia com voo direto para lá. Há empresas que vendem bilhetes para trechos com escala em outras cidades americanas. Na Delta Airlines, sai por a partir de R$ 1.812. Já na American Airlines, custa R$ 2.033. E na TAM, R$ 2.634

 

Site oficial: Para saber mais sobre os principais pontos turísticos de Chicago e ver dicas de hospedagem, restaurantes, bares e compras, acesse a página do escritório de turismo da cidade.

 

No Navy Pier, diversão sem hora para acabar

 

Tem sempre alguma coisa acontecendo no Navy Pier. Usado como centro de treinamento da Marinha dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, o pier se tornou um grande complexo de entretenimento. Com uma bela vista para o Lago Michigan - e para o skyline da cidade. O espaço ao ar livre tem pistas para caminhada, jardins, lojas, restaurantes e inúmeras atrações. Uma das mais curiosas é a roda-gigante, uma cópia da original de 1893. Àquela época, o engenheiro George Ferris fez a estrutura para apresentá-la na Exposição Mundial de Chicago - ele queria desbancar a Torre Eiffel, erguida quatro anos antes para a feira de Paris. A primeira roda-gigante foi sendo destruída ao longo do tempo, mas a réplica é bem fiel, com as mesmas dimensões básicas: 45 metros de altura e 40 gôndolas com capacidade para seis pessoas cada. Uma volta dura cerca de sete minutos - vá à noite, quando há queima de fogos, a cidade toda fica iluminada e o visual é simplesmente irretocável.

 

Outras atrações para toda a família são o passeio de balão, o Museu das Crianças e o cinema IMAX. O Navy Pier também é palco para shows musicais, peças de teatro e outros eventos culturais. É, ainda, de lá que partem os mais diferentes e temáticos passeios de barco pelo Michigan. Uma ótima chance de ver a cidade de outra perspectiva. Confira a lista de atrações e outras informações no site.

 

Veja também:

link Nos passos de Barack Obama

link De museus a prédios históricos, cinco atrações imperdíveis

blog Blog do Viagem. Dicas e bastidores das viagens da nossa equipe

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