Walter Hupiu/Divulgação
Walter Hupiu/Divulgação

Refúgio radical

Para além de Machu Picchu, o país dos incas mescla sítios pré-hispânicos [br]a esportes de ação nas desoladas paisagens ao sul da capital, Lima

Fábio Vendrame, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2010 | 01h56

O país dos incas radicaliza. Para além de Machu Picchu, seu destino mais famoso, o Peru mescla arqueologia a esportes de ação e se renova como opção de férias para os brasileiros. De Paracas a Lima, numa rota com cerca de 400 quilômetros, você surfa dunas no deserto, desce ondas no Pacífico, decola de bike nas montanhas, desliza de parapente entre as nuvens em plena capital, pega carona nos ventos de kitesurfe e ainda esbarra em sítios pré-hispânicos que revelam o surgimento, esplendor e declínio do império mais extenso já existente nas Américas.

Santuário natural na costa sul peruana, Paracas fica a 4 horas de carro de Lima. A paisagem é desoladora. Desértica. Arenosa. Monocórdica. Pontilhada, vez ou outra, por humildes vilarejos. Um campesino cá, outro acolá tratam de lavrar para subsistência a terra ressequida, irrigada por sistemas artificiais. Chove quase nada nestas bandas. Em meio ao delírio de areia e vento, a miragem do Double Tree Hilton (doubletree.hilton.com; diária desde US$ 128), único resort da região situada no Estado de Ica e perto da cidade de Pisco, acolhe os viajantes mais privilegiados.

Famílias, casais em lua de mel, esportistas e aventureiros de bolso cheio hospedam-se ali em busca de privacidade, serviços exclusivos e infraestrutura de primeira. Sem luxo nem exageros.

Quem elege Paracas como refúgio de férias está atrás também das dunas perfeitas para o sandboard, das manobras de vento do kitesurfe, dos rolês de buggy pelo deserto, dos banhos de mar em frias águas protegidas e do que mais a natureza da região, patrimônio natural do país, facilitar. Um passeio de reconhecimento pode ser feito a bordo de um veículo-gaiola nos moldes do filme Mad Max. Capacete e óculos de proteção contra rajadas de areia nos olhos são itens indispensáveis. Proteja também boca e nariz com um lenço. Se você estabeleceu um paralelo com o Rali Dacar, chegou bem perto do que quero dizer.

Mergulho. Algumas horas depois de percorrer o sobe-e-desde de dunas, o viajante estará louco por um refresco. Eis que surge o inesperado: uma plantação de melancias. Seria surreal e você estaria a se perguntar sobre os efeitos alucinógenos da insolação no deserto, não fosse o fato de ser esse um sinal bem real da presença de lençóis freáticos.

Ou, dito em outras palavras, a boa notícia é que existem minioásis formados por reduzidas lagoas cercadas de alguma vegetação rasteira. Aí está o almejado refresco. Com a cuca fresca depois do mergulho fica bem mais fácil, ou menos difícil, encarar a subida ao topo de dunas de 30, 40, 50 metros de altura. Objetivo: apreciar a vista e se lançar areal abaixo sobre uma prancha.

Fazê-lo de pé ou sentado, bem, daí é com cada um. E tudo bem se ao final de cada descida você se sentir feito um croquete. A lagoa está lá para ajudar a se recompor desse tratamento esfoliante. As águas que brotam nesse deserto peruano, chamado pelos locais de Califórnia, também servem aos campesinos para o pastoreio de cabras e ovelhas e a plantação de melões.

Outra atividade popular em Paracas, o kitesurfe tem como aliada a ventania constante na região. O roteiro fica ainda mais completo com uma esticada às Linhas de Nazca (leia na página 9) e ao Candelabro, um geoglifo com 120 metros gravado em rocha, também conhecido como Três Cruzes ou Tridente. Para cumprir todo o itinerário bastam uns dez dias de viagem e um orçamento em torno de R$ 2 mil. No caminho de volta a Lima, porta de entrada e de saída do país, ainda dá para curtir atrações como Huacachina, Pachacamac e as praias da Costa Verde.

 

 

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