Viagem

República Checa, ou a república da boemia

Canecas cheias e jardins ao ar livre animam o verão de Pilsen, onde foi criada a cerveja homônima. Em Praga, curta a história e degustações do tipo ‘beba o quanto quiser’

23/08/2016 | 05h15    

Bruna Toni  - O Estado de S. Paulo

A República Tcheca é o lugar para beber boa cerveja. Se você pretende ir ao Leste Europeu, não deixe de ir a Praga, cidade repleta de história e de degustações do tipo “beba o quanto quiser”. Vale a pena provar a "trdelnik", uma rosca doce com açúcar superdeliciosa. Mais dicas estão neste roteiro pelo país com paradas em Praga, Karlovy Vary e Cesky Krumlov.

A República Tcheca é o lugar para beber boa cerveja. Se você pretende ir ao Leste Europeu, não deixe de ir a Praga, cidade repleta de história e de degustações do tipo “beba o quanto quiser”. Vale a pena provar a "trdelnik", uma rosca doce com açúcar superdeliciosa. Mais dicas estão neste roteiro pelo país com paradas em Praga, Karlovy Vary e Cesky Krumlov. Foto: Bruna Toni/Estadão

 

PILSEN - A palavra boêmio define tanto a pessoa festeira quanto os povos de uma região específica na Europa central, que assim costumavam ser chamados em referência ao estilo de vida dos ciganos que habitavam a área no século 15. Na República Checa, porém, os dois significados da palavra se cruzam há pelo menos oito séculos. 

Além de ser o coração do então Reino da Boêmia, que existiu do século 13 ao 20, antes de dar lugar à Checoslováquia, o país sempre investiu na produção de cervejas, desde os antigos mosteiros até as fábricas atuais. E bebe tanto quanto produz: os checos são os maiores consumidores da bebida no mundo. Cada habitante “enxuga”, em média, 143 litros por ano. Uma marca de respeito que já foi maior, de 165 litros.

(A cerveja) ficou mais cara”, justifica Magda Callerova, nossa guia pelas ruas da capital, Praga. Na verdade, o custo de vida nessa parte da Europa subiu. Ainda assim, trata-se de um dos destinos mais em conta para brasileiros no continente em tempos de real desvalorizado. 

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Para se ter ideia, o tour guiado pela U Fleku, cervejaria em Praga que fabrica a bebida há mais de 500 anos, sai por 200 coroas checas, com degustação ilimitada. Sim, são cerca de R$ 27 para beber quanto pivo, o nome local da cerveja, você quiser ou aguentar. Foi a melhor que provei na cidade. 

Encontrar cerveja boa e barata jamais será uma dificuldade na República Checa, e algumas, pela tradição de séculos que carregam, merecem atenção especial. Aos bons bebedores, o nome Pilsen vai soar familiar. Ele batiza uma cidade a 100 quilômetros de Praga e o tipo de cerveja, leve e clara, que foi inventada lá. 

É na fábrica da Pilsner Urquell que você experimentará a mais autêntica de todas as pilsens que já tomou na vida. Sem filtragem, sem pasteurização, tirada direto de tonéis para a caneca. Se vale a pena? Vale a viagem inteira, na verdade. 

 

Fábrica da Pilsen tem visitas guiadas, basta agendar

Fábrica da Pilsen tem visitas guiadas, basta agendar Foto: Bruna Toni/Estadão

Maltados. O passeio por Pilsen começa nas dependências antigas da fábrica da Pilsner Urquell e segue por sua área mais moderna, onde hoje é produzida a bebida que nasceu na Idade Média, quando era feita em pequenas quantidades nas casas dos moradores, e hoje é exportada ao mundo inteiro. Os tours de duas horas custam 200 coroas (R$ 27; prazdrojvisit.cz).

Para saber ainda mais sobre a história e o preparo do “pão líquido” dos checos, vale passar depois no Museu da Cerveja, que fica em um prédio do século 15 também de propriedade da Pilsner Urquell – embora com localização independente. Ali, a viagem pela longa trajetória da bebida, desde a Mesopotâmia até os dias atuais, provoca o olfato e o paladar: além de objetos profissionais e curiosos, o forte cheiro de lúpulo e o sabor da cerveja servida para degustação fazem parte do programa (120 coroas; R$ 16). Por mais 90 coroas (R$ 12), visite os tonéis subterrâneos da cidade, onde provamos a já citada cerveja retirada diretamente do tonel. 

Chegamos até aqui e você não gosta de cerveja? Então saiba que em Karlovy Vary, a 200 quilômetros de Praga, há como mergulhar na bebida, literalmente, sem precisar experimentá-la. Famoso por suas águas termais (leia mais na página 8), o balneário também tem spas que usam a cerveja nos tratamentos estéticos, como o Pivní Lazne (1.600 coroas ou R$ 215 a hora). Na banheira, a bebida é misturada com a água naturalmente quente. Verdade seja dita: ficamos, eu e o maiô, cheirando a lúpulo depois. Mas a sensação de relaxamento valeu a pena.

Seja deitada na jacuzzi aquecida a 37 graus, ao lado de uma torneira de onde a cerveja escorre gelada e à vontade para a caneca, ou sentada à mesa de um antigo mosteiro agostiniano, atualmente um hotel, onde a receita criada por monges do século 13 é mantida e servida até hoje, não há dúvidas: a boemia é mesmo a vocação desse pedaço do mundo. Vá em frente, com direito a brinde. Saúde, ou melhor, n zdraví!

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DICAS DE COMPRAS E SABORES NA REPÚBLICA CHECA

Comer na rua. Em Praga, é praticamente irresistível não parar para experimentar um prato com salsichas no centro da Torre Astronômica ou o famoso trdlo (ou trdelnik), uma espécie de rosca doce que, recheada com doce de leite, fica ainda melhor (67 coroas; R$ 9). Para levar para casa, caixas com waffles redondos de sabores diversos são boas pedidas (27 coroas ou R$ 3,63 o pacote com meia dúzia). 

Rua do luxo. A Cidade Velha de Praga tem uma Paris para chamar de sua, pelo menos quando o assunto é moda. A Rua Parizka é uma concentração de lojas de grife como Prada, Hermés, Gucci e Ermenegildo Zegna. 

Festivais líquidos. Setembro e outubro são meses de festa na República Checa. Além do Dia de São Venceslau, patrono do país, no dia 28 de setembro, festivais como o Pilsen Fest, em outubro, reúnem música local, concursos de bartender, artesanato, comidinhas e muita cerveja aos visitantes.

 

Praga é cheia das comidinhas deliciosas de rua e uma das mais tradicionais é essa rosca doce chamada trdelnik

Praga é cheia das comidinhas deliciosas de rua e uma das mais tradicionais é essa rosca doce chamada trdelnik Foto: Bruna Toni/Estadão

SAIBA MAIS

Aéreo: Para outubro, a KLM tem ida e volta com parada em Amsterdã por R$ 3.123; na Lufthansa o trecho custa R$ 4.692 e na Latam, R$ 5.8834, ambas com conexão em Frankfurt. Já na Emirates, a parada é em Dubai e sai por R$ 4.143.

Moeda: R$ 1 vale 7,50 coroas checas; muitos lugares aceitam euro também.

Site: czechtourism.com/pt

*A repórter viajou a convite de Cezech Tourism e KLM.

Praga: uma cidade em quatro e o maior castelo do mundo

Na capital checa, arte e arquitetura de oito séculos convivem e fazem da cidade um dos mais incríveis cenários da Europa

Catedral de São Vito, dentro da área do Castelo de Praga, levou sete séculos para ser concluída

Catedral de São Vito, dentro da área do Castelo de Praga, levou sete séculos para ser concluída Foto: Bruna Toni/Estadão

A história humana deixou marcas na arquitetura, nos costumes e na política de Praga. A cidade às margens do Rio Vltava (ou Moldava), que tem 440 quilômetros de extensão e atravessa a capital da República Checa, soube conservar muito bem suas construções erguidas a partir do século 9.º. Seu valor histórico foi reconhecido pela Unesco que, em 1992, declarou o centro de Praga um Patrimônio da Humanidade.

Sob o frio de meados de abril, chegamos ao Mosteiro de Strahvov, um dos mais significativos exemplos da passagem do tempo na cidade. Erguido sobre a Colina de Petrin por volta de 1143, pertence atualmente à Ordem de São Norberto, como na época de sua fundação. Mas, durante os anos socialistas da então Checoslováquia, entre 1945 e 1989, os frades foram expulsos e as dependências, transformadas em um museu de literatura. 

Os frades retornaram ao convento com a queda do regime socialista, na década de 1990, depois da Revolução de Veludo, e encontraram o patrimônio intacto: a Capela de São Roque, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, do século 18, a rica biblioteca barroca, a galeria de pinturas. Tudo aberto à visitação: strahovskyklaster.cz.

Da Colina de Petrin se vê, do alto, a capital enfeitada por telhados avermelhados e dividida em quatro “cidades”: a Nova, a Pequena, a Velha e a do Castelo. Até 1784, as quatro comunas funcionavam de maneira independente, apesar do intercâmbio entre elas por meio do Rio Moldava. O tempo passou, Praga se unificou, foi repartida em zonas numeradas – Praga 1 é a região central –, mas as quatro “cidades” continuam sendo referência a moradores e turistas. 

 

Rio Modava (ou Vltava) cerca toda Praga e divide suas quatro cidades 

Rio Modava (ou Vltava) cerca toda Praga e divide suas quatro cidades  Foto: Bruna Toni/Estadão

Colosso. Na margem esquerda do rio, onde tudo começou, sobre a Colina Hradcany, está o maior castelo do mundo segundo o Guinness Book, em uma área de mais de 72 mil metros quadrados. As dimensões são mais bem explicadas (e apreciadas) à noite, sob as luzes que cobrem de dourado seus prédios e torres, cujos primeiros registros datam de 880.

A movimentação na frente do Castelo de Praga sinalizava a proximidade da troca da guarda, como a inglesa – o castelo abriga a presidência do país. Passada a marcha dos soldados, alcançamos o pátio que leva a dez pontos históricos, entre eles a impressionante Catedral de São Vito e o Beco do Ouro, com antigas casinhas de alquimistas que desejavam encontrar a tal partícula de Deus que teria dado origem ao universo. “Foi aqui também que, séculos mais tarde, Franz Kafka se isolaria para escrever”, conta a guia Magda Callerova.

A impressionante catedral, que não cabe inteira no enquadramento da foto, demorou sete séculos para ser terminada, do primeiro tijolo, posto em 1344, sob o imperador Carlos IV, à conclusão, em 1929. Seu interior preserva relíquias dos santos e reis checos, enterrados ali com suas joias e outros pertences desde a Idade Média. Um dos túmulos mais importantes é o de São Venceslau, que tem capela própria – no caminho até ela, pare para admirar o mosaico veneziano de 1370 que preenche a parede lateral. 

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A entrada ao complexo do castelo é gratuita. Ao Beco de Ouro e ao interior dos prédios, o acesso é cobrado: de 70 a 700 coroas checas (R$ 9 a R$ 92). 

Staré Mesto, a Cidade Velha, é a área mais antiga e turística. Está do outro lado da famosa Ponte Carlos, que começou a ser construída no século 12. Hoje, serve de palco a artistas e cenário para selfies e fotos de casamento. A uma curta caminhada, o Relógio Astronômico, na torre do prédio da antiga prefeitura, junta gente em volta a cada hora cheia para assistir à performance de bonecos lá no alto. 

Na Rua Republiky, a Torre da Pólvora, de estilo gótico, é remanescente da muralha medieval que cercava a Cidade Velha. Chegar ao alto de seus 44 metros requer disposição para subir 186 degraus.

O bairro Josefov guarda memorabilia do povo judeu que os nazistas traziam de outros territórios invadidos e faziam questão de preservar. “Eles queriam manter uma documentação histórica de uma raça que, afinal, desapareceria”, conta a guia Magda. Placas douradas incrustadas nas calçadas registram nomes de moradores que se tornaram vítimas do holocausto. A sinagoga Velha-Nova, mais antiga da Europa, de 1270, e o Cemitério Antigo recebem hoje milhares de turistas. O ingresso combinado custa 250 coroas (R$ 33): jewishmuseum.cz.

 

Na Cidade Nova, manifestações da juventude de várias gerações

Na Cidade Nova, manifestações da juventude de várias gerações Foto: Bruna Toni/Estadão

VELHAS E NOVAS IDEIAS NA ARTE E NA ARQUITETURA

A Praga de hoje mescla fachadas renascentistas às linhas duras da arquitetura socialista. Preserva inúmeras igrejas góticas junto da quarta maior população de ateus no planeta. Dá espaço a prédios art nouveau e a ideias contemporâneas, como a Casa Dançante, um sinuoso edifício da década de 1990, projetado pelo arquiteto checo Vlado Milunic com colaboração do canadense Frank Gehry, erguida sobre escombros de bombardeios da 2º Guerra Mundial. Fica na Nové Mesto, a Cidade Nova, e tem uma torre de vidro curvada inspirada em um casal de dançarinos – precisamente a dupla Fred Astaire e Ginger Rogers. Tome distância para apreciar as curvas e aproxime-se para almoçar no restaurante de seu terraço, o Ginger & Fred.

Na Cidade Pequena (Malá Strana), uma península sob a Ponte Carlos chamada Ilha de Kampa tem sido espaço de manifestação artística e política. Ali, hippies se reuniam para pedir paz. Um muro colorido, pintado e repintado por muitas gerações, tem um recorrente rosto de John Lennon, figura que também dá nome a um café-bar adiante, o John Lennon Pub

Karlovy Vary: as águas termais do rei Carlos

Segundo destino mais procurado por turistas na República Checa tem spas de cerveja e licores saborosos

Karlovy Vary está acostumada a receber a nobreza e famosos como Goethe

Karlovy Vary está acostumada a receber a nobreza e famosos como Goethe Foto: Bruna Toni/Estadão

Karlovy Vary poderia ter sido o cenário de um encontro entre Mozart e Scarlett Johansson ou entre Karl Marx e Roman Polanski se, assim como as construções, pessoas também pudessem atravessar séculos. A “praça da fama”, em frente ao histórico e luxuoso Grandhotel Pupp, construído em 1701, conseguiu aproximar não só os quatro ilustres citados acima, como tantos outros que, por motivos diversos, estiveram na pequena cidade a 200 quilômetros de Praga, a segunda mais visitada da República Checa.

As águas termais renderam à cidade seu nome, que significa algo como “águas quentes de Carlos”. Por causa delas, que brotam de profundidades variadas, Karlovy Vary sempre recebeu elites aristocráticas e intelectuais, como Goethe, assíduo frequentador, e Mozart, cujo filho mais novo, para tentar curar-se de uma grave doença, morou e acabou sendo enterrado na cidade – é possível ver a casa dele numa visita pela Rua Stará Louka.

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Hoje, não é preciso ser ilustre para conhecer e experimentar o gosto salgado da água termal que sai de suas 12 fontes espalhadas. Símbolo da cidade, Vridlo é uma delas. Fica dentro de uma espécie de galeria, aberta das 6 às 19 horas, com três torneiras esguichando água continuamente a temperaturas de 30, 50 e 72 graus. Você até pode bebericar com as mãos, mas dizem por lá que bom mesmo é virar dois copos pequenos do líquido três vezes ao dia – os copinhos, claro, são vendidos ali mesmo como souvenir, ao custo de 130 coroas (R$ 17). Por causa de sua característica mineral, o sabor pode não agradar a todos os paladares. 

Karlovy Vary vale tanto como bate-volta desde Praga quanto para ficar mais tempo e aproveitar seus balneários, spas e seus aproximadamente 200 hotéis. Muitos desses spas, que eram públicos durante o regime socialista, hoje ostentam marcas mundialmente conhecidas, com diárias reajustadas de acordo com o novo padrão, claro. No verão, há festivais ao ar livre.

 

Praga é cheia das comidinhas deliciosas de rua e uma das mais tradicionais é essa rosca doce chamada trdelnik

Praga é cheia das comidinhas deliciosas de rua e uma das mais tradicionais é essa rosca doce chamada trdelnik Foto: Bruna Toni/Estadão

Erva boa. Sem deixar de dar sua colaboração à consolidação da fama cervejeira da República Checa, Karlovy Vary também se destaca pela produção de uma outra bebida. Fabricado pela Becherovka, um popular licor de ervas também tem seus fãs.

Criada por Jan Becker em 1807, a marca mantém em segredo a receita de seu licor que, na versão original, inclui cerca de 20 ervas, a maioria delas plantadas na região. A parte que não é nativa vinha da América do Sul, Indonésia, Austrália e África. 

Como apenas duas pessoas no mundo conhecem a lista completa dos ingredientes, a cada semana uma delas é responsável por preparar a mistura mágica que inclui – isso eles revelam – açúcar, álcool e a água quente de Karlovy Vary. Segundo os fabricantes, é essa água que garante o sabor único e inimitável da bebida exportada ao resto do mundo. 

Por 400 coroas (R$ 54) é possível comprar tamanhos variados de garrafas do licor e versões alternativas, como a Lemon e a Ice & Fire. Mas o mais interessante é fazer o tour pela fábrica antiga, onde a bebida foi produzida por 143 anos antes de migrar para uma nova sede. O passeio guiado mostra a produção e a história da marca, como a evolução das garrafas verdes que acondicionam o produto, e termina em uma mesa redonda de degustação. 

Essa parte pode se revelar um desafio: o teor alcoólico dos licores é de 38%. Para amenizar, prefira o beton, coquetel inventado pelos checos que mistura licor e água tônica. O tour guiado custa 120 coroas checas (R$ 16). Agende: vstupenky@jan-becher.com. 

 

No U Svejka, o goulash, prato mais encontrado nos restaurantes checos

No U Svejka, o goulash, prato mais encontrado nos restaurantes checos Foto: Bruna Toni/Estadão

RECEITAS TÍPICAS E ALGUMA OUSADIA

Ensopado de carne (bovina ou de porco) feito com farinha, cebola e pimenta, o goulash é receita tradicional na República Checa. Em Karlovy Vary, experimente o prato servido no restaurante U Svejka, por 65 coras (R$ 8,74). Em Cesky Krumlov, aventure-se por outros sabores no restaurante da cervejaria Eggenberg: uma porção de joelho de porco assado e rabanete picante ou um queijinho temperado no azeite com pimenta sai a partir de 135 coroas (R$ 18). 

Cesky Krumlov: torres e bonecos de contos de fadas

A 170 quilômetros de Praga, é a cidade mais querida dos checos e onde fica o segundo maior castelo do país

Marionetes são muito tradicionais na República Checa - há várias lindas para vender

Marionetes são muito tradicionais na República Checa - há várias lindas para vender Foto: Bruna Toni/Estadão

Um castelo medieval na entrada. Uma praça central cercada por casinhas renascentistas e rios, inclusive o Moldava. Catedral imponente, ruas estreitas de paralelepípedos, lojinhas com simpáticas marionetes à venda. Esta é a encantadora Cesky Krumlov, cidadezinha de 14 mil habitantes fundada no século 13 no sul da Boêmia, a 170 quilômetros da capital checa, Praga.

Considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, Krumlov é um destino querido entre os checos. É que há em cada pedacinho dela uma aura quase que encantada, daquelas dos contos de fadas que fazem arregalar nossos olhos à primeira leitura – ou, nesse caso, olhar. 

Fique um dia inteiro para se encantar sem pressa. A principal atração é Castelo de Cesky Krumlov, o segundo maior da República Checa, atrás do de Praga. Desde 1250, quando foi fundado, importantes famílias da elite medieval viveram nele, como os Rosenbergs e os Eggenbergs – esta, de origem austríaca e responsável pela ampliação feita na propriedade com a adição de um importante teatro barroco e a reforma do seu extenso jardim.

 

Joelho de porco e queijinho temperado no azeite e na pimenta da cervejaria Eggenberg, em Cesky Krumlov

Joelho de porco e queijinho temperado no azeite e na pimenta da cervejaria Eggenberg, em Cesky Krumlov Foto: Bruna Toni/Estadão

Dois passeios são indispensáveis no complexo de 40 prédios. O primeiro é a subida até o alto da torre, de onde se tem uma visão privilegiada de toda a cidade, formada por descompassados telhados vermelhos com discretas chaminés, tudo envolvido pelo caminho de rio que abraça a cidade. Chega-se até o alto por uma apertada escada de muitos, mas muitos mesmo, degraus. Reúna fôlego e paciência. Compensa. 

O segundo passeio é a visita ao Museu do Castelo, onde estão guardadas peças que remetem ao passado dos poderosos que ali viveram, como uma espécie de micro-ondas à lenha, retratos, objetos pessoais e até um esqueleto de um sujeito da nobreza, preservado com as vestes dentro de uma espécie de caixão de vidro. Tudo está legendado em inglês e alemão, além do checo. 

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O complexo ainda tem uma casa da moeda, um museu regional, monastério, centro de artes, o tal teatro. O ingresso para a visita completa custa 300 coroas checas (R$ 40; ckrumlov.info).

Já fora do castelo, visite ao menos um dos museus de marionetes da cidade, como o Muzeum Loutek, uma pequena casa que recria contos infantis checos protagonizados pelos bonecos. Bastante tradicionais na República Checa, marionetes faziam parte principalmente do cotidiano dos habitantes mais velhos, que confeccionavam os seus em casa. Hoje, aos turistas, não faltam lojas com diferentes figuras, como o clássico e irresistível Pinóquio, que trouxe para casa por pouco mais de 500 coroas (R$ 66).

*A repórter viajou a convite de Cezech Tourism e KLM.

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