Retorno às raízes nordestinas é prioridade em Caruaru

Cultura local ganha força e antigas atrações voltam aos festejos

14 Maio 2009 | 14h42

Os números do São João de Caruaru fazem aquela quadrilha do colégio ficar totalmente sem graça. São R$ 6 milhões em investimentos, 42 dias de festa e 1,5 milhão de visitantes. Em 2009, porém, nenhuma dessas cifras será mais importante do que os dois zeros que representam o centenário do nascimento de Vitalino, o mestre da música e do barro que ganhou homenagem na festa de sua cidade natal (leia mais ao lado). Sua importância é tanta que a programação começa em 30 de maio e termina em 10 de julho, dia em que seria seu aniversário.

 

O artista caruaruense simboliza o retorno às raízes culturais a que se propõe o São João deste ano. "Nossa festa tinha perdido um pouco de sua autenticidade. Era apenas palco, som, banda e bebida", diz o presidente da Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru, José Pereira. "Queremos resgatar origens e seguir a linha do mestre disso tudo, que é Luiz Gonzaga."

 

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Em 2009, a cidade terá, sim, atrações de peso, mas vai abrir mais espaço a artistas regionais e eventos que valorizam a cultural local.

 

Essa valorização se percebe também no retorno do Arraial Vitalino, ausente desde 2000. Trata-se de um corredor junino que vai do centro da cidade até a principal área de eventos.

 

A programação também inclui artistas de renome - como Elba Ramalho, Zé Ramalho e Dominguinhos -, que se apresentam a partir das 20h, no Parque de Eventos Luiz Gonzaga. O local tem 42 mil metros quadrados, com dois palcos. Além do Pátio do Forró, preparado para receber 150 mil pessoas.

 

DIFERENTE

O São João também toma conta das ruas na animada festa de Caruaru, com seus 290 mil habitantes. Em uma das vias mais movimentadas, a Avenida Agamenon Magalhães, ocorrem os desfiles das pitorescas "drilhas". Durante os fins de semana da festa, se apresentam 11 quadrilhas especialmente preparadas com dose extra de irreverência. Na Sapadrilha, por exemplo, apenas mulheres vestidas de homem podem entrar.

 

Outra curiosidade é a festa das comidas gigantes. Entre 6 e 29 de junho, o público poderá degustar, de graça, receitas como a do Maior Cuscuz do Mundo, com mais de 4 metros de altura, 600 quilos de flocos de milho e 200 quilos de charque.

 

Quem quer aproveitar a viagem e conhecer algo além das festas juninas, deve ir ao Casa-Museu Mestre Vitalino, que funciona na casa onde o ceramista viveu. Lá estão obras, objetos pessoais e o rústico forno a lenha em que queimava o barro.

 

Casa-Museu Mestre Vitalino: Rua Mestre Vitalino, s/n, Alto do Moura. Entrada gratuita. Aberto de segunda a sábado, das 8 às 12h e das 14 às 17h. Aos domingos, das 9 às 13h.

 

O MAIS ILUSTRE CARUARUENSE

Música e artesanato fizeram de Mestre Vitalino um caruaruense conhecido no mundo inteiro. Se estivesse vivo, completaria 100 anos em 2009. Por isso, é o homenageado especial no São João de Caruaru, em Pernambuco.

 

De origem humilde, filho de lavradores, Vitalino Pereira dos Santos nasceu em 10 de julho de 1909 e morreu em 1963. Quando criança, aprendeu a fazer as primeiras peças de barro com sua mãe, que construía utensílios domésticos com argila, vendidos a preços bem baixos na tradicional Feira de Caruaru.

 

Seu sucesso como ceramista, depois de expor na 1.ª Exposição de Cerâmica Pernambucana, no Rio, acompanhou o ritmo de suas composições para a banda Zabumba Vitalino, na qual tocava o pífano principal.

 

Vitalino virou estrela nacional, ganhou reportagens, participou de programas de televisão e viajou para fora do País para mostrar sua arte.

 

Tornou-se referência para inúmeros artesãos nordestinos e, quando morreu, já era considerado um autêntico mestre de Caruaru. E um dos principais artistas populares do Brasil.

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