Aryane Cararo/Estadão
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Roteiro precioso

Símbolo do Renascimento, Florença concentra boa parte da riqueza cultural da humanidade. E a exibe tanto em praça pública quanto em museus como a concorrida Galleria Uffizi

Aryane Cararo, de O Estado de S.Paulo,

21 Maio 2013 | 02h10

FLORENÇA - Uma é o centro das artes. Outra, da moda e design. Uma é capital da Toscana. Outra, da Lombardia. Separadas por 300 quilômetros, são unidas por um conceito: luxo. A oportunidade de ver as mais importantes obras da humanidade. O prazer de vestir as melhores grifes. A chance de apreciar o que há de mais conceituado em design. A satisfação de comer e beber muitíssimo bem. A sensação de privilégio e exclusividade. Um luxo que Florença e Milão oferecem como poucos. Um convite à arte da contemplação da beleza, começando pelo local que já foi centro do mundo.

Por onde seus pés o levarem, os olhos terão trabalho. Cidade-símbolo do Renascimento, Florença é linda desde o chão trabalhado em mármore das igrejas aos afrescos nos tetos dos palácios. Mesmo que se olhe muito para cima, torres altas de mármore branco, rosa e verde (como a do campanário do Duomo de Santa Maria del Fiore, a catedral) estarão lá para encher seus olhos de espanto e admiração. Uma overdose de informação histórica, um exagero de beleza arquitetônica.

É difícil não cair de amores pela cidade em que Leonardo da Vinci e Michelangelo viveram, que foi berço de Dante Alighieri e Giotto, que viu Carlos Collodi dar vida a Pinóquio, em que Filippo Brunelleschi arquitetou a Renascença e Donatello a esculpiu - e que tem o Rio Arno para refletir os mais lilases e azulados fins de tarde. É como ter a chance de, por alguns momentos, viver em épocas lidas nos livros de história. Voltar ao século 15, quando era o coração cultural da Europa, sob comando dos Médicis, uma rica dinastia de banqueiros patrona das artes e das letras, no poder até 1737.

Florença é um assombro. De longe, a imensa cúpula alaranjada do Duomo se sobressai e à noite, iluminada, orienta as multidões. Não há como fugir de sua presença. A igreja começou a ser construída em 1296 e teve o campanário (1334-59) projetado por Giotto. Mas é a engenhosa abóbada de 45 metros de diâmetro que chama a atenção. Finalizada em 1436, foi idealizada por Brunelleschi, que se inspirou no Panteão de Roma, e tem afrescos do Juízo Final. É a quarta maior catedral da Europa e o prédio mais alto da cidade, com 91 metros e 463 degraus de escadaria.

À sua frente fica o também imperdível Batistério, construção octogonal do século 11 erguida sobre um templo romano. É famoso pelo batismo de Dante, mas, principalmente, pelos portões de bronze, com painéis que contam a história da humanidade e do Paraíso - alguns originais estão no Museu dell'Opera di Santa Maria del Fiore, ao norte da catedral, que tem obras de Michelangelo e Donatello.

Colírios. Poucas quadras separam este de outro marco florentino, a Piazza della Signoria, com o Palazzo Vecchio. No caminho pela Via dei Calzaiuoli, cheia de lojinhas, faça um leve desvio para a Piazza della Repubblica, uma praça com agradáveis cafés que já foi fórum romano e, depois, mercado da cidade até 1860. Mas não perca muito tempo ali, pois há muito para ver. Isto é, se os seus olhos decidirem onde mirar primeiro ao chegar à Signoria: o palácio, sede do governo municipal com sua torre de 94 metros, a cópia de Davi de Michelangelo, as esculturas renascentistas, a Loggia dei Lanzi (1382) com as estátuas O Rapto das Sabrinas (1583), de Giambologna, e Perseu, de Benvenuto Cellini (1554) ou para os cafés e restaurantes. Não tenha pressa aqui. Cada informação deve ser absorvida com a devida calma. No medieval Palazzo Vecchio, por exemplo, há interessantes visitas guiadas (precisa agendar) pelas passagens secretas ou temáticas, com atores em trajes renascentistas.

Se conseguir se isolar do tumulto, tente imaginar que, séculos atrás, os sinos tocavam para chamar moradores para audiências públicas - ou avisar sobre ataques, enchentes e incêndios. Há ali uma placa de bronze no chão onde o líder religioso Girolamo Savonarola queimou livros e objetos de arte na Fogueira das Vaidades, em 1497 - e acabou queimado um ano depois.

A Uffizi, maior galeria da Itália, está logo ao lado e o Museu Bargello (1255), o segundo mais importante de Florença, duas quadras atrás. Com alguns passos na direção sul, você chega a outro cartão-postal, a Ponte Vecchio, construída em 1345 e a única a escapar da destruição na 2.ª Guerra Mundial. É ponto de encontro para fotos e namoros no fim da tarde.

Do outro lado do rio, a região do Oltrarno tem lojas de antiguidade, ateliês e bares como o descolado Volume, na Piazza di Santo Spirito. É nessa praça que fica a simples Basilica di Santo Spirito, projetada por Brunelleschi, com obras de Filippino Lippi e Domenico di Zanobi.

Se a ideia é visitar igrejas com obras de arte, acrescente ao roteiro as basílicas de Santa Maria Novella e de Santa Croce. A primeira tem o impressionante afresco A Trindade (1424-25), de Masaccio, além de trabalhos de Giotto, Lippi e Ghirlandaio. Já a austera Santa Croce não é tão bela, mas ostenta joias raras: afrescos de Giotto e os túmulos de Michelangelo, Galileo e Maquiavel. Afinal, Florença é o que é muito por causa deles.

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