Viagem

Roteiros literários para conhecer as múltiplas faces da Inglaterra

Dos clássicos de Jane Austen aos personagens icônicos Sherlock Holmes e Harry Potter, país reserva lugares para viver a fantasia

11/04/2017 | 05h00    

Luiz Fernando Toledo  - O Estado de S. Paulo

Vestir-se à caráter é tradição no Jane Austen Festival de Bath

Vestir-se à caráter é tradição no Jane Austen Festival de Bath Foto: Craig Fast/Visit Britain

LONDRES - Estar na Inglaterra é reconstruir com os sentidos as memórias formadas graças à ficção, no cinema ou na literatura. Uma rua não é só uma passagem: por ali, a aclamada escritora Jane Austen (1775-1817) pode ter passado e se inspirado. Talvez você reconheça o lugar pelos passos de Elizabeth Bennet, a feminista de olhar à frente de seu tempo que protagoniza Orgulho e Preconceito – mas nada como seguir o exemplo da personagem e pisar na lama com seus próprios pés. 

Um descuidado pode passar pelo número 221B da Baker Street, endereço do detetive mais famoso de todos os tempos, e acreditar que Sherlock Holmes realmente esteve lá. Elementar, caro leitor: o endereço está repleto de evidências – e os ingleses dificilmente negarão. 

Não se confunda: os jovens ingleses de cachecóis coloridos que passam pela estação King’s Cross não são estudantes de Hogwarts, a escola de bruxaria onde estudou Harry Potter (embora pudessem ser). Afinal, parte de suas instalações está logo ali, pertinho de Londres, acessíveis a quem quiser ver. Difícil acreditar que em 2017 se completam 20 anos desde que a saga do bruxinho chegou às livrarias. 

Nas páginas ou na telona, a ilha confunde quem ousa desbravá-la, misturando ficção e realidade com a maestria dos grandes escritores. Em busca dessas nuances, percorremos (ou folheamos) um roteiro que vai da abarrotada Trafalgar Square, na capital inglesa, à calmaria de Bath, onde viveu Jane Austen. 

SAIBA MAIS

Trem: o BritRail Pass dá acesso irrestrito aos trens entre qualquer região da Grã-Bretanha por uma semana. O passe custa £ 117 (R$ 455); compre em bit.ly/treming. De Londres para Bath ou Winchester há tarifas mais econômicas. Fique atento: pode haver conexões. 

Site: visitbritain.com.

Funcionáio ajuda na produção da foto clássica na estação King's Cross

Funcionáio ajuda na produção da foto clássica na estação King's Cross Foto: Luiz Fernando Toledo/Estadão

ONDE FICAMOS

Londres - Georgian House Hotel

Os quartos decorados com a temática de Harry Potter – chamados Wizard Chambers – são acessados por uma passagem “secreta”, uma porta que parece uma estante. Oferece café da manhã e um aparelho de celular com internet para usar durante a estada. Desde £ 134 (R$ 521); georgianhousehotel.co.uk.

Londres - Montcalm Royal London House 

As acomodações são espaçosas e com ótima vista. Também há empréstimo de celular para hóspedes e é pertinho da estação Moorgate do metrô. A partir de £ 265 (R$ 1.032) o casal; bit.ly/montcalmlondres.

Bath - Emma’s Garden Apartments  

Não é pegadinha para turista: a escritora Jane Austen realmente morou ali. É claro que quase nada – além da curiosidade pelo local – restou da casa original, mas, ainda assim, é interessante saber que, há mais de 200 anos, a escritora dormiu naquele mesmo lugar. O hotel, na verdade, é uma casa completa: você terá acesso à cozinha, lavanderia, uma sala espaçosa com lareira e um belo jardim.

Fica colado ao Holburne Museum (focado em obras dos séculos 17 e 18) e a poucos quarteirões da Pulteney Bridge, um dos pontos mais belos de Bath. A ponte que cruza o Rio Avon foi construída em 1773 e serviu de locação para uma das cenas da versão cinematográfica de Os Miseráveis, baseado no livro de Victor Hugo. A partir de £ 129 (R$ 502); bathboutiquestays.co.uk.

Winchester - Lainston House 

Entre os moradores de Winchester, o Lainston é considerado um dos pontos mais bonitos da cidade. Para os turistas, é símbolo de luxo. A mansão do século 17 tem quartos tão grandes que você vai ficar em dúvida se explora a cidade ou fica nele. O jardim pode ser acessado diretamente dos quartos. São muitas, muitas janelas, e muitos, muitos corredores – difícil não se perder. O hotel fica afastado do centro e tem funcionários que falam português. Se a diária de £ 195 (R$ 759; inclui café) for demais para seu orçamento, reserve um típico chá da tarde inglês (£ 29,50 ou R$ 114 por pessoa).

 

*O repórter viajou a convite do Visit Britain.

Capítulo 1 - Harry Potter: a magia dos bastidores

Nos estúdios da Warner Bros., praticamente tudo existe na 'vida real': os objetos que se mexem sozinhos, as escadas que se movem...

Não dá para resistir uma foto no saguão de entrada de Hogwarts

Não dá para resistir uma foto no saguão de entrada de Hogwarts Foto: Andrew Testa/The New York Times

Está escuro. Tudo que se vê é uma grande tela de cinema que acabara de ser desligada. Minutos antes, os rostos de Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger davam as boas-vindas ao estúdio da Warner Bros. em Leavesden, a 1 hora de Londres, onde foram gravadas boa parte das cenas dos oito filmes da série baseados nos livros de J.K. Rowling. A tela sobe e uma grande porta, cheia de detalhes, se destaca. Uma funcionária incentiva as crianças a saírem de suas cadeiras e tocar no objeto mágico. “Estão preparados?”, ela pergunta, enquanto os olhos de meninos e meninas brilham. “Então podem empurrar.”

Em um instante, o que parecia ser uma sala de cinema se transforma no Saguão de Entrada de Hogwarts. É “uau” para tudo quanto é lado – e não só das crianças. À frente estão as mesas gigantes (nos filmes elas parecem maiores, é verdade), as cadeiras, os pratos, os talheres e as estátuas de aves que iluminam a sala com uma chama viva (de mentira, claro). Os figurinos dos professores da escola de bruxaria e do diretor Alvo Dumbledore estão logo no começo do corredor, em manequins. É só o começo.

Não só de efeitos especiais viveu a franquia. Praticamente tudo existe na “vida real”: os objetos que se mexem sozinhos, as escadas que se movem (mas só há uma, e não várias), as máscaras dos inúmeros monstros a dar as caras na série. Uma agradável surpresa, por exemplo, é descobrir que um monumento colossal que aparece na obra – Magia é Poder, localizado no Ministério da Magia –, foi construído e em tamanho real. É quase uma Fontana di Trevi do mundo bruxo. 

A quantidade de informações visuais é tanta que faz cambalear o mais estável dos fãs da saga. Você dá alguns passos e se depara com uma parede imensa com todos os decretos de Dolores Umbridge enquanto inquisidora do castelo, assim como em cena de A Ordem da Fênix. À direita está o espelho de Ojesed, que, na série, mostra em seu reflexo o desejo mais profundo daquele que o observa. Bem, a não ser que estar ali seja o tal desejo, o produto deve estar quebrado. Mas renderá uma ótima selfie.

É difícil até escolher aonde olhar: trata-se de um universo tão grande que cada item remete a um capítulo de algum livro, uma história, uma cena. O Troféu Tribuxo está ao seu dispor, assim como o Cálice de Fogo. E em tamanhos reais. 

Dê atenção aos muitos cenários completos que podem ser visitados: a sala de Dumbledore, a casa na Rua dos Alfeneiros, o Nôitibus e até plataforma de trem que leva ao castelo. O mais importante deles, no fim do roteiro, é uma maquete do Castelo de Hogwarts, produzida por dezenas de artistas. É ele que aparece nas filmagens aéreas. 

 

O Palace Theatre, onde está em cartaz a peça 'Harry Potter and The Cursed Child'

O Palace Theatre, onde está em cartaz a peça 'Harry Potter and The Cursed Child' Foto: Peter Nicholis/Reuters

Hora de gastar. O fim do passeio traz uma surpresa e, ao mesmo tempo, um perigo: a megaloja de produtos oficias da franquia. Há doces, como os sapos de chocolate e feijões de todos os sabores (e são muitos sabores mesmo, inclusive os de gosto horrível), bonecos dos personagens, estátuas, roupas e varinhas. Bichos de pelúcia se vê aos montes: da aranha Aragogue ao cão de três cabeças Fofo. O problema, assim como tudo na Grã-Bretanha, está nos preços. Difícil encontrar algum por menos de R$ 60. Não deixe de ver as Relíquias da Morte, idênticas às do filme.

Para as crianças, há mais opções de entretenimento. É possível, por exemplo, participar de uma aula de feitiços ou aprender a fazer uma vassoura levitar. O ponto alto da diversão é subir em uma vassoura e, com apoio de um software 3D, voar pelas ruas de Londres. Mas o preço para adquirir o arquivo pode ultrapassar £ 40 (R$ 155). 

Outros passeios. O universo de Harry Potter não se restringe ao estúdio. Há passeios guiados pelas ruas de Londres, e muitos pontos citados nos livros de J.K. Rowling podem ser visitados por conta própria. Mas um guia ajuda a revelar curiosidades – o Harry Potter Walking Tour ( bit.ly/potterwalk; £ 12 ou R$ 46) leva a cenários como a locação do Banco de Gringotes e do Beco Diagonal. Na estação de trem King’s Cross há uma loja com produtos do mundo bruxo e a reprodução da plataforma 9 ¾, onde turistas fazem fila para tirar foto cruzando a parede com seu carrinho de bagagens, com gaiola para coruja e tudo.

 

Quiosque vende cerveja amanteigada

Quiosque vende cerveja amanteigada Foto: Bruna Tiussu/Estadão

DICAS

Sobre o tour: o ingresso adulto custa £ 37 (R$ 142); compre em wbstudiotour.co.uk. É possível reservar o tíquete já com o ônibus incluído a partir de Londres (£ 69 ou R$ 266); veja outras formas de chegar no site. São cerca de 3 horas de passeio – não deixe de provar a cerveja amanteigada (na verdade, um refrigerante) no meio do trajeto.

Novidade: a área da Floresta Proibida acaba de ser inaugurada – encontre a aranha Aragogue, o Hipogrifo e outras criaturas fantásticas por lá. 

Peça: a peça Harry Potter and The Cursed Child, baseada no último livro da série, está em cartaz no Palace Theatre. Ingressos a partir de £ 42,50 (R$ 165); harrypottertheplay.com.

Capítulo 2 - Investigando Sherlock

Você pode nem estar procurando, mas Sherlock Holmes estará em algum lugar no centro da capital inglesa

Sherlock Holmes e seus objetos tão marcantes quanto seu nome

Sherlock Holmes e seus objetos tão marcantes quanto seu nome Foto: Visit Britain

 

Você pode nem estar procurando, mas Sherlock Holmes estará em algum lugar no centro de Londres. São tantas as referências aos livros, séries e filmes da saga que fica difícil ignorar as pistas. Um bom começo é aderir ao tour à pé ( bit.ly/sherlockape; £12 ou R$ 46), que começa em um dos pontos mais movimentados e agitados de Londres, Picadilly Circus. Não será difícil encontrar o guia, que terá o símbolo máximo do detetive na cabeça: o chapéu. 

É onde hoje está o Lyceum Theatre, no centro nobre da cidade, que a primeira peça baseada nos romances de Arthur Conan Doyle foi apresentada. A adaptação do livro, de William Gillette, traz uma surpresa: seu elenco tinha a participação de um ator de 13 anos cujo nome viria a ser conhecido mundialmente: Charlie Chaplin. A bela arquitetura barroca monumental não é a única coisa para se ver, mas também seus espetáculos – no momento, está em cartaz o musical O Rei Leão.

Ter assistido à série do detetive feita pela BBC (e disponível no Netflix) deixará o roteiro mais interessante. Na Trafalgar Square, onde está a National Gallery, você verá exatamente o mesmo cenário em que os heróis Sherlock e Dr. Watson caminham em busca de um pichador que possa ajudá-los a resolver um mistério. Assista ao episódio ( The Blind Banker) depois de passar por lá: a cena não teve figurantes contratados, e as pessoas olham curiosas para as câmeras.

A Somerset House, palácio com vista para o Rio Tâmisa, é um dos pontos mais utilizados por cineastas. Já foi cenário para filmes de James Bond (como O Amanhã Nunca Morre) e Jackie Chan ( Bater ou Correr em Londres) e, claro, para uma das versões cinematográficas de Sherlock Holmes, sob direção de Guy Ritchie.

 

O Sherlock Holmes Pub tem bar e restaurante 

O Sherlock Holmes Pub tem bar e restaurante  Foto: Luiz Fernando Toledo/Estadão

Pub. Uma das torturas do tour é passar pelo Sherlock Holmes Pub (10 Northumberland St.) e não entrar. Mas não se preocupe: do ponto final do passeio, a Somerset House, é um pulo. O local é dividido em dois andares: no térreo está o bar e, acima, um restaurante. O espaço é decorado com páginas de revistas e cartazes com tudo sobre o detetive. Só não faça como este repórter, que fez uma fila se formar ao observar os adereços nas escadas.

Na parte de cima há uma sala que simula o que seria o escritório de Holmes, mas não é possível se aproximar. Fique tranquilo: você terá a oportunidade no museu. Aproveite para pedir o clássico fish and chips (peixe com fritas), £ 14,45 (R$ 56) em uma porção bem servida.

Nenhum fã que se preze pode partir sem visitar a casa onde Sherlock viveu entre 1881 e 1904, segundo os contos de Arthur Conan Doyle. Ok, a Baker Street não é a mesma e tem até McDonald’s, mas o charme está lá. Esqueça as lojas caça-turistas e parta direto para o número que você já sabe: 221B. 

Ali funciona um museu ( sherlock-holmes.co.uk) dedicado à saga do detetive – a fila é grande e a espera pode levar meia hora. Compre os ingressos (£ 15; R$ 58) na lojinha, mas cuidado. O local pode ser um pesadelo de gastos, com praticamente tudo ligado ao detetive: livros, bonecos, chapéus, miniaturas, pelúcia, DVDs e pôsteres. 

Não fique decepcionado, mas Holmes nunca morou no local – nem existiu, embora há quem diga o contrário. O que se sabe é que, antes de abrigar o museu, nos anos 1930, o endereço era a sede do banco Abbey National. E, embora resolver mistérios não fosse exatamente a habilidade dos proprietários, eles receberam, por muitos anos, cartas endereçadas ao detetive. 

Na entrada, o próprio Dr. Watson recepciona os visitantes e aceita, de bom grado, posar para fotos. A visita não dura mais que meia hora: o grande barato é ver objetos e cenas feitas com bonecos que remetem aos livros. Uma equipe também está de prontidão para tirar dúvidas, embora não haja muita explicação para os “não iniciados” na saga. Não saia sem pegar o kit cachimbo-chapéu e posar em frente à lareira para uma foto – dizer o clichê “elementar, meu caro Watson” é opcional. 

 

Estátua de Sherlock Holmes em Londres

Estátua de Sherlock Holmes em Londres Foto: Lee Ryda/The New York Times

DICAS

Internet: dependendo do tempo que você ficar na Inglaterra, invista em um chip de celular (peça por um SIM card). Paguei £40 (R$ 155) para ter acesso à internet rápida e sem limites– inclusive para assistir vídeos.

Transporte: Ter um Oyster Card, o Bilhete Único londrino, é fundamental para se locomover na cidade (passe na catraca na entrada e na saída). Compre nos centros de visitantes; mais em bit.ly/oysterlondres.

Capítulo 3 - Jane Austen, razão e aromas do século 18

A 160 km da capital inglesa e Patrimônio da Unesco, Bath faz convite a andar pelos caminhos da escritora, morta há 200 anos

Dizer que é possível sentir o cheiro da antiga Bath não é exagero

Dizer que é possível sentir o cheiro da antiga Bath não é exagero Foto: Stefan Wermuth/Reuters

“Você está andando pelo mesmo caminho em que Jane Austen andou. E provavelmente se inspirou”, me disse o guia Tony Abbott durante visita à aconchegante Bath, a 160 quilômetros de Londres. Visitar a cidade, Patrimônio da Unesco, é muito mais: é dançar como ela dançou, beber chá como bebeu, admirar a arquitetura georgiana e até sentir os aromas da época da escritora, morta há exatos 200 anos. 

Sim, houve mudanças desde então: com os £ 10 mil anuais do “milionário” sr. Darcy, de Orgulho e Preconceito, mal dá para pagar o aluguel – a cidade é uma das mais caras do país. Mas, para o turista, os custos são semelhantes aos da capital. 

O caminho citado pelo guia é um pequeno trecho de terra que liga o centro da cidade ao Royal Crescent, uma das obras arquitetônicas mais importantes do país. Faça um breve desvio e conheça o modesto Georgian Garden, que rende uma bela vista das casas da cidade e faz lembrar os cenários de Abadia de Northanger e Persuasão – nos filmes, os personagens passam por ali em suas carruagens.

O Royal Crescent foi construído entre 1767 e 1775 e é composto por dezenas de casas, em um dos modelos mais bem definidos da arquitetura georgiana no Reino Unido. Praticamente todos os imóveis, que podem custar mais de R$ 10 milhões, são privados. Mas o primeiro prédio da fila, conhecido como Nº 1, é um museu ( no1royalcrescent.org.uk) que nos apresenta à vida de um abastado morador de Bath do fim do século 18. 

Logo ao lado está o icônico The Circus, elaborado pelo arquiteto John Wood the Elder e completado por seu filho, John Wood the Younger, o mesmo responsável pelo Royal Crescent. A inspiração dos especialistas veio do formato arredondado do Coliseu romano. 

Os Assembly Rooms também merecem destaque. Ali a sociedade de Bath realizava bailes, concertos e outros eventos da nobreza. Mencionado em Persuasão, quando dois personagens vão a um concerto, o local é também um dos pontos favoritos de Catherine Morland em Abadia de Northanger

Pulteney Bridge, um ícone de Bath

Pulteney Bridge, um ícone de Bath Foto: Colin Hawkins/Visit Britain

Antigos perfumes. Dizer que é possível sentir o cheiro da antiga Bath não é exagero. Esta é uma das experiências do Jane Austen’s Center (£ 11 ou R$ 42; janeausten.co.uk), principal exibição permanente da escritora no país. Em uma das alas do casarão, há uma série de frascos com colônias que, segundo os organizadores, têm aromas semelhantes às usadas pelos moradores na época de Austen.

O local oferece uma imersão na obra de Austen: quadros mostram a relação da escritora, que viveu ali de 1801 a 1805, com todos os pontos da cidade. Se você não a conhece tão a fundo, não se preocupe: na entrada há uma pequena “aula” sobre a história da escritora e um filme sobre sua vida na cidade. Outro destaque é a sala de fantasias: ali, você pode se vestir como um dos personagens dos livros de Jane Austen. 

 

No Jane Austen Festival, em Bath, todas à caráter

No Jane Austen Festival, em Bath, todas à caráter Foto: Craig Fast/Visit Britain

DICAS

Banhos termais: Bath ganhou esse nome graças às suas águas termais, descobertas pelos romanos na Antiguidade. A fonte ainda é preservada, embora sem uso para banho – o local é hoje um museu (mais informações no site oficial do turismo local, visitbath.co.uk). Para um banho de verdade, vá ao Thermae Bath Spa.

Festival: em setembro (este ano, de 8 a 17), o Jane Austen Festival é uma tradição em Bath. Em razão do bicentenário da morte da escritora, haverá uma programação especial, com mais de 70 atividades. Antes, em julho, um baile celebra o livro Abadia de Northanger e a obra da autora. Mais: janeaustenfestivalbath.co.uk.

Capítulo 4 - O último lar de Jane Austen

Cidade de ar bucólico dos romances da escritora também foi onde ela passou os últimos dias da vida, em 1817

Catedral de Winchester, onde Austen está sepultada

Catedral de Winchester, onde Austen está sepultada Foto: Luiz Fernando Toledo/Estadão

Winchester, capital do condado de Hampshire, muito se assemelha às cidades de ar bucólico dos romances de Jane Austen. Talvez por isso tenha sido ali que a autora decidiu passar seus últimos dias, em 1817. 

Com apenas 50 mil habitantes, a população da cidadezinha a 100 quilômetros de Londres é dividida basicamente entre trabalhadores do comércio e estudantes. Alunos e pesquisadores do mundo todo (especialmente os chineses) são atraídos pela University of Winchester. 

Um dos principais cartões-postais locais, a caminhada na pista ao lado Rio Itchen parece saída de um conto de fadas. A trilha não é exatamente longa, mas convida à contemplação. Bancos de madeira estão espalhados pelo entorno – basta sentar e deixar a imaginação correr. Na sequência, ruínas do Wolvesey Castle, residência de bispos no século 17, ganham cor com uma moldura de árvores. Ótimo lugar para tirar fotos – especialmente no verão. 

Seguindo pela College Street você encontra a Winchester College, uma das faculdades mais antigas da Grã-Bretanha ainda em funcionamento, com cerca de 600 anos. O espaço é aberto à visitação ( winchestercollege.org/guided-tours; £ 8 ou R$ 30). 

Na mesma rua, no número 8, está o último lar de Jane Austen. A escritora veio de Chawton, a poucos quilômetros, para se tratar de uma enfermidade desconhecida – até hoje não se sabe as razões de sua morte, em 18 de julho de 1817. Não é permitido entrar no local, mas dá para visitar seu belo jardim.

Para celebrar os 200 anos da morte da escritora, o site oficial de Winchester ( visitwinchester.co.uk) sugere um passeio pelo condado de Hampshire, seguindo os passos da autora desde seu nascimento. Baixe o material, que inclui mapa e guia de eventos, em bit.ly/janepdf. Visite também o site comemorativo: janeausten200.co.uk.

 

Placa indica Museu Jane Austen

Placa indica Museu Jane Austen Foto: Daniel Bosworth/Hampshire County Council

Távola Redonda. Entre casas coloridas e muito floridas e feiras convidativas de Winchester, há muitos pontos de interesse histórico. O Hospital of Saint Cross, do século 12, é a instituição de caridade mais antiga do país, com várias áreas abertas à visitação. 

A construção se manteve preservada, o que não aconteceu com Castelo de Winchester. O Great Hall, salão nobre de colunas de mármore e vitrais, é o que restou do castelo construído a mando de William, o Conquistador, no século 13. Mas o local é famoso mesmo pela Távola Redonda, uma enorme mesa onde, de acordo com a lenda, o Rei Artur se reunia com seus cavaleiros. 

Ícone. O principal ponto turístico da cidade, contudo, é a Catedral de Winchester, uma das maiores da Europa. Você não precisa entender muito da história inglesa para admirar a construção e o parque que se abre à frente dela. 

Com suas 500 toneladas de cobertura, a catedral começou a ser erguida ainda no século 7, quando uma monarquia pagã se tornou cristã. Fique o tempo necessário na entrada, observando as nuances do telhado e suas curvas. Por dentro haverá muito mais (entrada £ 8; R$ 30). 

É ali que está enterrada Jane Austen – a catedral tem uma exibição permanente sobre a escritora, suas ligações com a cidade e outras curiosidades. Ao se aproximar da placa reluzente que traz o nome de Austen, é possível ler seu epitáfio: “Conhecida por muitos pelos seus escritos, querida de sua família pelos muitos encantos de seu caráter e enobrecida pela fé e piedade cristãs, nascida em Steventon, no condado de Hants em 16 de dezembro de 1775 e enterrada nesta catedral em 24 de julho de 1817. Abriu a boca com sabedoria e a lei da clemência estava em sua língua.”

Além de Jane Austen, há muitos nobres enterrados na catedral. É o caso do Rei Canuto II da Dinamarca, morto em 1035. Há mais curiosidades no site da catedral ( winchester-cathedral.org.uk), mas você também pode se programar para as visitas guiadas, que ocorrem de hora em hora, de segunda a sábado, das 10 às 15 horas.

 

Távola Redonda no Great Hall do Castelo de Winchester

Távola Redonda no Great Hall do Castelo de Winchester Foto: Luiz Ferando Toledo/Estadão

DICAS

Gim: aqui que se produz o gim azul da Bombay Sapphire – visite a destilaria (£ 15; R$ 58) e monte sua própria bebida. A cidade também é rica em pubs e cervejas artesanais. The Black Boy e Plough Inn são boas opções.

Capítulo 5 - Mais quatro roteiros literários

Os escritores Charles Dickens e Sheakespeare e os personagens Paddington e Peter Pan também têm lugares especiais em Londres

Museu Charles Dickens, no centro de Londres

Museu Charles Dickens, no centro de Londres Foto: Toby Melville/Reuters

 

Charles Dickens 

A vida e obra do escritor do século 19 (1812-1870) está em muitas partes de Londres. Indispensável, o Museu Dickens funciona na casa onde ele viveu com a família e escreveu o clássico Oliver Twist. No pub The George Inn, um dos mais antigos da capital, há uma placa indicando sua passagem por lá – e no livro Little Dorrit, o autor faz referências ao local. 

Shakespeare 

Nascido em Stratford-upon-Avon, a 2 horas de Londres, o escritor chegou à capital inglesa na década de 1580. O teatro Shakespeare’s Globe, construído às margens do Rio Tâmisa e bem próximo àquele onde foi sócio e viu suas obras serem encenadas no início do século 17, tem visitação o ano todo e, a partir de 22 de abril, abre a temporada de verão com peças clássicas como Rei Lear e Romeu e Julieta

 

No Teatro Shakespeare's Globe, peças do autor mais consagrado do país de abril a outubro

No Teatro Shakespeare's Globe, peças do autor mais consagrado do país de abril a outubro Foto: Luke Tchalenko/The New York Times

Paddington 

As aventuras do ursinho mais querido da Inglaterra, criação do escritor Michael Bond que invadiu as telonas do cinema em 2014, passam pelo Museu de História Natural. É para lá que a vilã taxidermista Millicent (vivida por Nicole Kidman) quer levar Paddington embalsamado.

Já na cheia de curiosidades Portobello Road – sim, de Um lugar chamado Nothing Hill – fica a loja Alice’s, cuja fachada serviu de cenário ao longa - às sextas e sábados há a famosa feira de antiguidades ali. O bairro tem restaurantes e lojas descoladas – e, claro, vale a passagem na livraria do filme protagonizado por Julia Roberts e Hugh Grant.

Ainda em Notting Hill, a The Distillery tem mais de 100 opções de gim. Algumas degustações podem durar até três horas – o local é também hotel e você pode se hospedar lá mesmo. Os drinques custam em média £ 10 (R$ 39).

Peter Pan

A história do menino que não queria crescer nasceu das mãos de um escocês, J. M. Barrie. Mas foi na Inglaterra, mais precisamente no Kensington Gardens, que seu conto mais famoso encontrou inspiração. Era ali que ele, no início do século 20, se encontrava com os filhos de uma amiga que, tempos depois, acabou adotando. Por isso, há uma estátua de Peter Pan no parque – entre pela estação Lancaster Gate e siga reto.