Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Sabor dos vinhos locais, com graça e grife

Os mesmos 12 quilômetros que percorremos instalados em um carro de safári, Tempranillo correu. Mas basta saber qual é a principal habilidade do Rhodesian ridgeback, popularmente leão-da-rodésia, para entender que o cão de estimação da vinícola Waterford Estate não fez nada que estivesse além de sua capacidade. A raça é conhecida por caçar leões.

STELLENBOSCH, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2013 | 02h08

Tempranillo é de uma gentileza a toda prova. Por toda nossa visita aos vinhedos da propriedade em Stellenbosch, quando o veículo parava, ele abanava o rabo, para depois deitar e esperar. O passeio, que na ocasião foi guiado pessoalmente por Kevin Arnold, é chamado por lá de safári de vinhos. Não só pelo carro: tem mesmo estrutura bem diferente de visitas convencionais a vinícolas (e custa US$ 50 por pessoa; www.waterfordestate.co.za).

Arnold é uma celebridade do mundo do vinho rodeada de polêmicas. É respeitado pela qualidade da bebida que produz, a ponto de uma de suas garrafas ter sido escolhida para servir Nelson Mandela quando o ex-presidente sul-africano ganhou o Nobel da Paz. Há quem o julgue vaidoso, menos pelo bom uso dos olhos azuis e da pinta de Sean Connery e mais pelo fato de ter um syrah batizado com seu próprio nome.

Criador do safári de vinhos, que consiste em passear de carro entre as plantações e parar em pontos para provar a bebida feita com uvas daquele trecho do terreno, o enólogo se esforça para guiar passeios vez ou outra, mas não é sempre que consegue. Quem tem a sorte pode observá-lo em ação, enquanto prepara a mesa de piquenique, distribui nas taças primeiro o sauvignon blanc e depois o chardonnay e defende que o conceito sul-africano de terroir é diferente do francês. Ali se daria mais ênfase às qualidades do solo e do clima que à cultura local. Um debate com potencial para durar horas.

Nas próximas paradas, o safári inclui outras três degustações. Uma delas dedicada ao The Jem, que Arnold considera o seu melhor rótulo. Um corte de sete tipos de uvas, entre elas, a espanhola tempranillo.

Antes de ir embora, ainda há o momento da harmonização de vinhos com chocolates. É quando aprendemos, por exemplo, que o cabernet sauvignon de Waterford Estate vai bem com chocolate levemente salgado.

Depois de passar na loja (de 175 a 300 rands cada garrafa, ou R$ 37 a R$ 64), o enólogo acompanha o grupo ao estacionamento. Tempranillo, como bom anfitrião, também.

Arte local. Foi de bicicleta, num passeio guiado que parte de uma rua tranquila no centrinho de Franschhoek, que seguimos por estradinhas cercadas de vinhedos até a vinícola Grande Provence (www.grandeprovence.co.za). Uma pedalada de menos de 5 quilômetros, com apenas um trecho pela rodovia.

Ali, o objetivo não era degustar vinhos, mas visitar a esplêndida galeria de arte que fica dentro da propriedade. O lugar representa mais de 100 artistas, todos sul-africanos e contemporâneos. O belo retrato de Mandela, aquele de Arlene Amaler-Raviv, é destaque absoluto.

Em outra região vinícola também nos arredores da Cidade do Cabo, a de Walker Bay, acompanhamos a colheita das uvas na Bouchard Finlayson (bouchardfinlayson.co.za). Uma vinícola que se denomina butique - as instalações, lindas, justificam o título -, mas que vende suas garrafas a preços justíssimos, começando em 60 rands (cerca de R$ 12). A visita com degustação é gratuita. / MÔNICA NOBREGA

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