Pedro Marques/Arquivo Pessoal
Pedro Marques/Arquivo Pessoal

Saigon, onde o país parece diferente

Há até uma Catedral de Notre Dame na cidade, que sofreu influência francesa e marcou o fim da guerra com os EUA

Pedro Marques / SAIGON,

17 Maio 2011 | 06h00

Não, não tem nada a ver com aquela música melosa do Emílio Santiago. Pelo contrário: caótica, barulhenta e lotada de scooters e lambretas, a cidade (batizada de Ho Chi Minh, em homenagem ao líder vietnamita, após o fim da guerra) não é nem um pouco romântica, pelo menos à primeira vista. No centro econômico do Vietnã, as pessoas vivem com pressa. E, por estranho que pareça, é por isso que a cidade vale bons dias na agenda do viajante. É preciso calma e paciência para entrar no clima de Saigon.

 

Aliás, o Vietnã aqui parece diferente. A influência da França é bem mais marcante - até porque Saigon foi a capital da colônia francesa da Cochinchina (que incluiu os países vizinhos Laos e Camboja). Isso fica evidente em vários cartões postais da cidade, como a Catedral de Notre Dame, o Museu de Ho Chi Minh e o Hotel Caravelle, lar temporário de correspondentes internacionais durante a guerra. Some isso às aquisições recentes - arranha-céus, lojas de grifes internacionais e shopping - e Saigon adquire uma atmosfera ocidental.

 

Outra diferença importante é que foi nessa cidade que, há pouco mais de 26 anos, a Guerra do Vietnã chegou ao fim - ou seja, é lá que as lembranças do conflito estão mais presentes.

 

O principal marco é o Palácio da Reunificação, cuja invasão, em 30 de abril de 1975 por tanques do governo comunista, cimentou os quase 20 anos de guerra. Os tanques continuam até hoje estacionados no pátio do palácio, que se transformou num dos principais museus do conflito. Não muito longe dali, o Museu dos Sobreviventes da Guerra traz artefatos bélicos, relatos e fotos - muitas de partir o coração - de vítimas do conflito.

 

A curiosidade sobre os tempos de guerra pode levar o turista a outro local importante: o complexo de túneis Cu Chi, usados pelos guerrilheiros vietcongues para cercar Saigon. Os túneis eram usados como depósito de armas, remédios, alimentos e como esconderijo. Seu tamanho dos túneis era usado com inteligência pelos vietnamitas: estreitos, funcionavam como barreiras aos grandalhões soldados americanos.

 

De Saigon também é possível conhecer o colorido templo da religião Cao Daí (100 quilômetros ao norte), que mistura elementos do budismo, taoismo, cristianismo e confucionismo.

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