Santo André: para curtir sem pressa

Você desce no aeroporto de Porto Seguro, mas nem entra na cidade. Ao chegar à orla, seu táxi vira à esquerda, tomando a direção norte. Você vai passar por todas as praias de Porto Seguro, as megabarracas, o trânsito de ônibus de excursão. A última vez em que verá muvuca será em Coroa Vermelha, que atrai multidões com o encontro entre a réplica da cruz da primeira missa, uma feirinha de artesanato indígena e a enseada mais mansa de Porto Seguro.

RICARDO FREIRE, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2010 | 02h45

Mas você passará reto. Só vai parar mesmo alguns quilômetros adiante, em Santa Cruz Cabrália, que leva mais jeito de cidadezinha do interior do que de balneário. É ali que seu táxi vai pegar a balsa para atravessar o Rio João de Tiba.

João de Tiba é um rio que tem nome de gente, um mangue vistoso e poderes extraordinários. Uma vez alcançada a outra margem, você terá deixado para trás praticamente todo vestígio de turismo de massa. Dali em diante tudo serão praias selvagens, construções discretas, mata, absoluto silêncio. Bem-vindo a Santo André da Bahia.

A apenas 40 km de Porto Seguro, Santo André da Bahia é a mais singular das praias da região. Tem um pouquinho das qualidades de cada uma de suas vizinhas, mas sem exageros. Assim como Trancoso, não lhe faltam pousadas de bom gosto e ótimos restaurantes, mas sem o nariz empinado ou os preços exagerados. A exemplo do Arraial d"Ajuda, há sempre o que fazer à noite - em escala bastante reduzida, claro. Não ostenta as falésias da Praia do Espelho, mas oferece a beleza de areias invariavelmente desertas. Tal como Caraíva, conserva ares de lugar alternativo, só que mais adulto e com conforto. Finalmente, como Porto Seguro, tem até resort - apenas um, mas tem.

Centrinho. O povoado é pequeno somente em número de habitantes. Sua área se espalha por alguns quilômetros ao longo da costa: por ali ninguém parece querer viver longe d"água. O centrinho - se é que pode ser chamado assim - fica à beira-rio, com vista para um mangue que ganha cores mágicas ao entardecer. A praia propriamente dita começa mais ao norte. O canto direito tem barracas que recebem com cadeirinhas de madeira e sombra de amendoeiras os turistas que vêm passar o dia. Mais adiante ficam os pontos de apoio mais charmosos: a pousada Victor Hugo, com suas mesinhas com tampo de mármore, e o restaurante Casapraia, facilmente reconhecível pelas tendas pé-na-areia.

O canto esquerdo, onde aparece uma piscina natural na maré baixa, é conhecido como Praia das Tartarugas; por ali fica a Fazenda Amendoeira, clube de praia que sediou o réveillon mais disputado da Bahia na última virada de ano.

Os moradores nasceram em vários lugares do mundo - e cada visitante que chega arrisca a se tornar mais um deles. Santo André da Bahia faz parte daquela espécie raríssima de praia que consegue ficar melhor à medida em que o tempo passa, imune às ameaças ao seu sossego. Há dois anos, o vilarejo ficou alarmado ao saber que a CVC, sinônimo de turismo de massa e fortemente identificada com Porto Seguro, passaria a controlar o resort Costa Brasilis. Pois a megaoperadora entrou e não alterou o perfil do lugar, apenas aproveitou o resort para oferecer um produto diferente no seu portfólio.

Neste verão muitos temeram pelo pior quando Santo André da Bahia foi escolhido para o réveillon de dissidentes da turma que organiza o bochinchadíssimo Beach Ball, de Barra Grande. Os temores não se confirmaram: a meninada veio, se comportou, divertiu-se muito, movimentou a economia e será bem-vinda no réveillon que vem.

Apesar de calmo, Santo André da Bahia não é um lugar para ficar à noite na pousada. Passe uma semana por lá e você poderá jantar sempre em restaurantes diferentes - e ainda vai faltar algum para experimentar. Os "locais" costumam bater ponto no Santana"s, onde um italiano prepara boas massas caseiras, algumas servidas no papillotte. À beira-rio, o Floridita tem pratos sofisticados, como uma caldeirada de frutos do mar com legumes selada por uma crosta de massa - os mariscos no ponto, os legumes al dente.

Na Casapraia o cardápio vale por uma volta ao mundo - as receitas foram coletadas durante viagens dos donos e de seus amigos. Mesmo que você não jante, é provável que passe por lá em algum momento da noite: a Casapraia funciona como aquecimento ou saideira de qualquer noitada; muitas vezes, ela é por lá mesmo, como nas sessões de cinema das terças-feiras ou as festas com música ao vivo dos sábados.

Adiante. Quando quiser passear de dia, não atravesse o João de Tiba. Tome o rumo norte. A Praia do Guaiú, a 3 km da vila, é selvagem na medida: tem um riozinho, um coqueiral e um belo restaurante na esquina do rio com o mar, tocado pela talentosa Maria Nilza (peça qualquer moqueca ou o arroz de polvo). Quarenta minutos mais tarde, o asfalto termina em Belmonte, cidade com casarões centenários à beira do Jequitinhonha. De lá, na maré alta, partem voadeiras que zigue-zagueiam pelos canais estreitos do estuário, passando pelo mangue mais bonito da Bahia. Peça para parar na Barra do Peso, uma ilhota com praias de rio e mar. Se der tempo, continue até Canavieiras, na outra margem do Jequitinhonha, dona de um casario ainda mais bonito do que o de Belmonte.

Entre as pousadas mais confortáveis de Santo André da Bahia estão a Victor Hugo, onde você já garante o melhor serviço de praia (pousadavictorhugo.com.br), e a Jacumã (jacuma.it). A Casapraia tem uma suíte charmosíssima, para quem quer ficar o mais perto possível da festa (casapraia.com). O resort Costa Brasilis é uma excelente opção para viajar com crianças para um hotel com estrutura numa praia calma e tranquila (costabrasilis.com.br). Veja todas as alternativas de hospedagem em santoandre-bahia.com.V

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