Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

São Paulo

De patinho feio a estrela da Copa

Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2014 | 03h00

O ano de 2014 assistiu a uma goleada de São Paulo. Patinho feio do turismo brasileiro por excelência – como competir com Rio, Salvador, Foz do Iguaçu ou com a Amazônia? –, a capital paulista fez bela figura na Copa do Mundo de futebol. Recebeu 68,94% dos visitantes do Mundial, de acordo com a SPTuris, a empresa municipal de promoção turística, contra 5,25% do Rio e 5,11% de Minas. Quem veio, gostou: 81,4% avaliou a cidade com notas positivas. 

Poucas semanas antes do começo da Copa, em abril, São Paulo já tinha sido considerada o melhor destino de viagens do Brasil no ranking anual Traveler’s Choice da comunidade virtual TripAdvisor, a maior do planeta. Durante os jogos, transporte e segurança fora do estádio foram eleitos os melhores da competição pela Fifa.  É verdade que os turistas estrangeiros deram preferência à Vila Madalena, boêmia há bastante tempo e que, hoje, passa por um processo acelerado de elitização. Mesmo assim, a fileira de bares das ruas Fidalga, Aspicuelta e adjacências (como Filial e São Cristóvão) segue com público cativo. Ainda tem grife – Ronaldo Fraga (ronaldofraga.com.br) –, loja de brinquedos de madeira – Pindorama (pindoramabrinquedos.com.br–, restaurantes de chefs como Andrea Kaufmann, do AK Vila (akvila.com.br). E centros culturais alternativos, a exemplo do Rio Verde (centroculturalrioverde.com.br), com programação de música independente. 

Mas, enquanto a Copa serviu para divulgar ao mundo que São Paulo tem o que mostrar, a cidade segue trilhando uma mudança de perfil capitaneada por jovens que, nas áreas centrais, têm jogado para escanteio hostesses e consumações mínimas estratosféricas. 

Já não é mais preciso esperar pela Virada Cultural, em maio, para encontrar música ao vivo e intervenções artísticas ao ar livre. Aos pés do Teatro Municipal – de onde, aliás, parte, às quintas-feiras, o tour a pé Caminhada Noturna (caminhadanoturna.com.br) –, o Vale do Anhangabaú tem show gratuito quase todo fim de semana. Proliferam festivais organizados por coletivos independentes que ocupam ruas, praças e calçadões comerciais da região, como SP na Rua (facebook.com/spnarua) e Baixo Centro (baixocentro.org). 

Festas como a pioneira Voodoohop (voodoohop.com), criada há cinco anos, e Buraco da Minhoca, que nasceu dentro de um túnel sob a Praça Roosevelt, ambas com periodicidade e endereço variáveis, implodiram a antiga ideia de que fila na porta é inevitável. 

Pela perspectiva gastronômica, a novidade atende pelo nome de food truck. Vários desses caminhões de comida não têm endereço fixo e é preciso segui-los nas redes sociais para saber a localização do dia. Encontre a lista atualizada em foodtrucknasruas.com.br.

Para escapar do trânsito, as bikes vieram com tudo. O novo sistema de ciclovias segue em expansão, e a ciclofaixa de domingo tem vários itinerários, como o que liga os parques Villa-Lobos e Ibirapuera ou o que leva ao centro histórico. Nos fins de semana, o tour guiado Bike Tour SP é gratuito (biketoursp.com.br). 

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