Ed Alcock/The New York Times
Ed Alcock/The New York Times

Segredos para conquistar uma cidade

Afinal, é uma boa ou não pegar um city tour para se conhecer uma localidade nova?

Mr. Milles, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 03h00

O outono está agradando Trashie, a mascote de Mr. Miles. A raposinha que perdeu a visão mas tem olhos para novos lugares, amigos e whiskies, está com idade avançada para padrões caninos. Fidelíssima, entretanto, envelhece lentamente, no ritmo de Mr. Miles. 

A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: vou com a família para a Europa. Devemos visitar muitas cidades pela primeira vez. Eu gosto de fazer city tours em lugares nos quais nunca estive antes, mas meus filhos acham isso ridículo. Qual é a sua opinião (que certamente vai ajudar a por ordem aqui em casa)? 

Raquel Marques Ollinto, por e-mail

My dear Rachel: como eu sempre digo, a informação é o segredo de qualquer viagem. Ler antes – inclusive romances que envolvem o destino – ajuda muito a conhecê-los. Referências, filmes, relatos de amigos, lembranças ocultas em remotas caixinhas dentro do cérebro – tudo isso faz uma viagem. E o sonho, of course.

Jovens com muita conexão nas redes sociais costumam ter algumas referências, que também são úteis. In other words: tudo é útil quando o assunto é conhecer novos lugares, novas pessoas e novas sensações.

Lembro-me, by the way, que, no passado, afligia-me a ideia de não ter ‘dominado’ um lugar. Em minha angústia de Gengis Khan, queria tornar minhas as latitudes e as longitudes de cada destino. Entender o mapa (quando não haviam aplicativos que fizessem isso por mim), conquistar a topografia, ver aonde o sol nascia e se punha, de onde sopravam os ventos, em que parte havia alma, em que seção não havia nada, só gente dormindo à espera de sair para outro lugar.

Believe me, darling: a sensação (falsa, I must say) de ter conquistado uma cidade (ainda que você jamais seja capaz de fazê-lo de verdade) é extraordinária.

Não se pode, therefore, subestimar a capacidade de quem vive no local ajudá-lo em sua descoberta. O motorista de táxi, o garçom do bar, a moça sentada no banco da praça. Todos eles são potenciais auxiliares para quem quer ajuda. Os ônibus de turismo, of course, também são. Tanto aqueles em que você viaja com fones de ouvido em um trajeto determinado, quanto os do tipo hop on/hop off, dos quais você desce quando quer e sobe quando deseja. Eles são uma espécie de localizadores fundamentais. 

Você vai descobrir os bairros, as praças, os parques e as atrações turísticas. Vai entender de que forma eles se ligam, a que distância estão de um determinado ponto e como é o entorno de cada coisa. Nesses veículos, você vai ter uma primeira visão da cidade (ou do lugar). Vai ver uma espécie de grande rascunho e descobrir quais das partes merecem ser finalizadas com esmero. É o que alguns chamam de viagem de aproximação. 

Mais tarde, sentada com um café, uma cerveja ou uma taça de vinho, você estará apta a organizar-se. ‘Não, aquele museu não, porque as filas eram enormes; preciso voltar para aquele rio que tem lojinhas curiosas em suas margens’; and so on.

Diga aos seus filhos que Mr. Miles, I’m afraid, acha que a sua ideia é boa. Não vale, however, para todos os lugares. Tenho bons amigos que, anos atrás, decidiram contratar um city tour por Assunção, no Paraguai.

Não apareceu um ônibus, mas apenas um carro pequeno com um guia-motorista (que também cantava guarânias, conforme a gorjeta).

Well: o tour foi, basicamente, uma volta pela praça aonde ambos estavam hospedados – e ficava tudo o que era artístico e histórico na cidade. Houve, in fact, uma esticada para a praça ao lado (cerca de cem jardas adiante), onde ficava o palácio do governo.

Foi, I must say, uma decepção. Irritados, eles não deram gorjeta e, at least, escaparam da música.”

*É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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