Felipe Mortara/AE
Felipe Mortara/AE

Sem filtro

As cores e matizes surreais da luz do sol que banha a Toscana têm fama de longa data. Não custa nada, portanto, fazer um exercício simples ao desembarcar ali. Tire, ao menos por alguns momentos, os óculos escuros. Contemple as nuances do céu como as da terra sem nenhum tipo de filtro. E siga por um roteiro que foge do clássico, deixando de lado as belíssimas, porém lotadas de turistas, Florença, Pisa e Siena.

FELIPE MORTARA , VOLTERRA, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2012 | 03h12

Alugue um carro e se perca pelas infinitas e sinuosas estradinhas. Só não dispense um bom mapa. Com rota planejada ou não, a Toscana recompensa quem se embrenha nos caracóis de suas curvas. No alto de cada colina ou no fundo dos baixios, às margens de riozinhos, surgem vilarejos medievais, vinhedos ou extensas plantação de oliveiras.

É possível se deparar também com um enorme jardim de esculturas à la Gaudí, encontrar um anfitrião com as portas de seu castelo do ano 1300 abertas para uma boa prosa ou uma improvável cordilheira de mármore branco. O que significa que existe uma Toscana além das onipresentes torres das igrejas, pontes de cartão-postal e céus coloridos ao anoitecer.

No ano passado, 500 mil brasileiros (de acordo com a Toscana Promozione, órgão de promoção turística local) visitaram essa terra privilegiada pela geografia. Em poucos quilômetros, é possível passar dos frescos ares marítimos à mais camponesa e bucólica das paisagens. Com um temperinho que dá mais sabor a cada instante dessa descoberta.

A começar, claro, pela comida, que parece ter algo a mais em comparação a outras regiões da "bota". Em todo canto nascem ervas - alecrim, manjericão, sálvia - que ressaltam o sabor de qualquer prato. De uma simples bruschetta a uma sofisticada massa fresca enrolada à mão com tinta de lula, tudo tem um quê particular.

Sem falar no charme das ruas de pedras, dos comércios antiquíssimos e das construções multicentenárias dos pequenos vilarejos. Basta um parco italiano e bastante interesse para bater um papo com um vendedor simpático ou morador, sentado despreocupado num banco de praça ou café.

O agroturismo é outra forma de entrar em contato com a essência toscana. As pequenas hospedarias familiares só recebem tal título do governo caso comprovem que mantêm produção agrícola e um nível mínimo de conforto das acomodações.

Para quem não abre mão de hospedagens confortáveis, sem perder o espírito local, considere o L'Andana, da rede Leading Hotels of the World. Com diárias a partir de 500 (R$ 1.305) por casal, oferece cozinha com a grife Alain Ducasse e bicicletas para se perder entre os vinhedos.

Nesta reportagem, apresentamos cantinhos que são apenas algumas das infinitas possibilidades em uma imersão na Toscana. Em todos eles, cores sem filtro divertirão as retinas e o sol do fim de tarde não machucará nem a mais tenra pele. No máximo, proporcionará uma incrível e longilínea sombra, tal qual uma legítima estatueta etrusca.

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