Viagem

Sete destinos de férias para explorar no Brasil

Embarque nestas ideias para aproveitar os dias de folga: de cidade histórica a atrações serranas, passando por dunas e parques de diversão

13/06/2017 | 04h55    

Felipe Mortara, especial para o Estado - O Estado de S.Paulo

Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul

Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul Foto: Felipe Mortara/Estadão

A contagem regressiva para as férias de julho já começou. E se você, para variar, deixou o planejamento para a última hora, a gente dá aquela força para organizar sua viagem, com sete destinos nacionais para visitar. Sem necessidade de visto, passaporte ou troca de moeda. 

Precisa de um destino pertinho de São Paulo? Campos do Jordão e seu Festival de Inverno é um programa clássico na Serra da Mantiqueira. E se você precisa de hospedagem mais em conta para curtir o agito da cidade, cogite a vizinha São Bento de Sapucaí.

Ainda para quem procura o melhor do friozinho, tem as serras Catarinense (onde até nevou semana passada) e Gaúcha, com seus vinhos saborosos e passeios perfeitos para fazer a dois. 

Se você procura calor, vale lembrar que chove no Nordeste nessa época, por isso é preciso escolher o destino com cuidado. A época é boa para curtir as lagoas dos Lençóis Maranhenses, que estão cheias como o turista gosta. Uma opção é seguir para o interior do país - que tal a Chapada dos Veadeiros?

Paraty, no litoral fluminense, pode ser uma boa aposta - se o clima não ajudar, as opções culturais certamente vão ocupar o tempo livre. E para quem vai com a família, parques: Beto Carrero, em Santa Catarina, e Beach Park, no Ceará, tem propostas bem distintas, mas em ambos a diversão é garantida.

Se nenhuma dessas opções for o que você procura, sem problemas. Há muito mais destinos para consultar na nossa página. Boa viagem! 

 

Lençóis Maranhenses

Entre lagoas e dunas, destino é ponto de partida ou chegada na Rota das Emoções. E julho é o mês preferido

Melhor época. Meio do ano é o tempo de muita água na região

Melhor época. Meio do ano é o tempo de muita água na região Foto: Felipe Mortara/Estadão

Ninguém fica indiferente quando os olhos descobrem pela primeira vez aquele horizonte de dunas salpicadas por lagoas translúcidas e esverdeadas. Ouvi gritos, vi sorrisos e pulos de felicidade. A paisagem dos Lençóis Maranhenses é capaz de provocar essa reações. No entanto, o festejado parque nacional é apenas um dos destaques da chamada Rota das Emoções, que abraça o Ceará, o Piauí e o Maranhão num roteiro costeiro opcional, mas repleto de surpresas. Ótima alternativa à temporada de chuva em outros estados do Nordeste. 

Geralmente São Luís é o começo da viagem. Embora seu centro histórico ainda esteja bastante descuidado, a capital maranhense guarda sinais charmosos da ocupação portuguesa, principalmente nos característicos azulejos que cobrem as fachadas. Reserve lugar nas vans que saem do aeroporto e dos hotéis até Barreirinhas ou Santo Amaro do Maranhão (R$ 60; 98-99969-4544), portas de entrada para os Lençóis. 

Por concentrar as lagoas mais bonitas, como a da Gaivota e a da Betânia, e por guardar nelas mais água até o fim da temporada, lá para meados de setembro, Santo Amaro é o xodó da região. Se for em julho, vai pegar outras joias repletas de tons cristalinos, como a Lagoa das Andorinhas e as Emendadas. Uma jardineira mais uma van (desde R$ 35) o levam até Barreirinhas, o grande centro dos Lençóis Maranhenses, com boa estrutura de hospedagens e restaurantes. 

Se não tiver visitado as lagoas de Santo Amaro escolha o circuito da Lagoa Azul, que apesar de mais movimentado, passa por seis lagoas e em alguma você encontrará a paz e a beleza que procura (quatro horas; R$ 80). O boia-cross no Rio Formigas é um passeio bonito e divertido, mas sem adrenalina (quatro horas; R$ 70). O que não posso deixar de recomendar é o sobrevoo de monomotor sobre o parque, que apesar de caro (25 minutos; R$ 300) vale cada tostão. Apenas inesquecível. 

Outro clássico, o passeio de voadeira pelo Rio Preguiças rende encontro com saguis em Vassouras, vista panorâmica no Farol de Mandacaru e uma bela refeição em Caburé (cerca de R$ 90 pelo dia todo). Você pode voltar e dormir em Barreirinhas ou negociar para a voadeira o deixar em Atins. À beira-mar, o simples e ainda não muvucado lugar guarda a melhor comida de toda a rota: o camarão grelhado do Restaurante da Luzia (R$ 25), definição palatável de sonho. A volta de jardineira a Barreirinhas leva duas horas e custa R$ 25.

Dali por diante o roteiro depende da disposição e disponibilidade de cada viajante. A Rota Combo oferece transfers em 4x4 entre os principais destinos da Rota das Emoções. Não há rota direta até Jericoacoara, mas é possível seguir de Barreirinhas até Tutoia (R$ 90), e em seguida até Parnaíba (R$ 90), já no Piauí, de onde partem passeios de barco pelo Delta do Parnaíba. 

Amantes e aprendizes do kite-surfe encontram um polo superestruturado em Barra Grande (a uma hora de Parnaíba; R$ 75). Ou reserve uma jardineira de Parnaíba para Jericoacoara (quatro horas; R$ 100). Há transporte nos dois sentidos, mas é preciso coordenar chegadas, partidas e pernoites. Outro cuidado, se for realmente desbravar o emocionante litoral, garanta o voo de ida por São Luís e o de volta por Fortaleza. Ou vice-versa. Vai ser lindo de qualquer maneira.

Se for antes, tem São João. Caso você vá ao Nordeste antes das férias, pode aproveitar as festas juninas e a disputa pelo título de maior São João do mundo entre Caruaru (Pernambuco), até 29 de junho, e Campina Grande (Paraíba), até 2 de julho. Correndo por fora, tem a festa junina de Mossoró (Rio Grande do Norte), até 1º de julho. Tudo regado a quentão com milho e pé-de-moleque. Em comum entre as programações: muito xote, xaxado e baião, além de quadrilhas e shows de artistas consagrados. Em Caruaru, tem Lenine (dia 24) e Alceu Valença (dia 29) fechando as celebrações. Por Campina Grande passam Elba Ramalho (dia 22) e Fernando e Sorocaba (2 de julho). Em Mossoró, Michel Teló marca presença na noite de São João (dia 24).

Chapada dos Veadeiros

Centro-Oeste convida a banhos de cachoeira em meio ao Cerrado

Alta temporada. Julho é mês de tempo seco: chegue cedo às atrações para evitar muita gente

Alta temporada. Julho é mês de tempo seco: chegue cedo às atrações para evitar muita gente Foto: Mônica Nóbrega/Estadão

Previsibilidade pode ser algo entediante, mas não quando se trata de planejar viagens. Certeza de tempo firme, por exemplo, pode transformar qualquer lugar. E, em termos de clima, poucos lugares no Brasil são tão previsíveis quanto a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. De maio a setembro, dificilmente chove e o céu azul do Cerrado só faz inspirar a descoberta de um dos biomas mais incríveis do País, por entre cachoeiras multicoloridas, veredas e complexas formações rochosas. 

A proximidade do Distrito Federal torna a Chapada dos Veadeiros um lugar prático de chegar. Do aeroporto de Brasília, são 230 quilômetros pela BR-010 – uma boa pedida é alugar um carro e ir direto. O veículo será uma baita mão na roda para ir de um atrativo a outro, ainda que depois seja preciso caminhar para alcançar as cachoeiras. 

Espécie de balneário dos brasilienses, a chapada fica bem cheia em feriados e no mês de julho. Por sinal, de três a quatro dias são suficientes para visitar o essencial. Asfaltada, Alto Paraíso é a maior e mais organizada cidade, mas mantém um clima holístico e esotérico. Já a pequena São Jorge é mais anárquica e mochileira. Menos falada, Cavalcante tem agência do Banco do Brasil e concentra algumas das cachoeiras mais lindas. 

Uma vez por lá, comece com os clássicos. A 15 minutos a pé da entrada do parque nacional, São Jorge é um ótimo ponto de partida. Mais fácil de todas, a Trilha da Seriema tem 800 metros e é indicada para grupos com crianças e idosos. As outras duas trilhas principais, a dos Cânions e a dos Saltos demandam algum preparo físico para os circuitos de 11 e 12 quilômetros em cinco ou seis horas. O ideal é um dia para cada. Os percursos contam com boa sinalização, mas contratar um guia (R$ 100 por grupo) vale muito. E as recompensas vêm na forma de quedas d’água inesquecíveis. A dos Cânions leva à Cachoeira da Carioca e à do Rio Preto. Já a dos Saltos é a estrela do parque, um dueto simétrico de quedas de 80 e 120 metros.

Várias atrações estão em propriedades particulares, fora do parque. A mais famosa é o Vale da Lua (ingresso a R$ 15), formação rochosa que dá a um longo trecho do Rio São Miguel um aspecto lunar, repleto de pequenas crateras, grutas, passagens e piscinas naturais. Na alta temporada, tente ir cedinho ou ao entardecer para evitar tanta gente.

Nos arredores de Alto Paraíso, a Cachoeira das Loquinhas é uma parada surpreendente com seus sete poços cristalinos – basta seguir as placas até a fazenda homônima (R$ 20). A dez quilômetros, no caminho para São Jorge, a Fazenda São Bento concentra três belezuras, a cachoeira homônima e as Almécegas 1 e 2. Mas talvez a mais fotogênica de todas as quedas da chapada esteja em Cavalcante, a 90 quilômetros de Alto Paraíso. Com 30 metros de queda, a Cachoeira Santa Bárbara deixa todos boquiabertos com seu poço verde-esmeralda, muito distinto da coloração mais escura dos outros rios da Chapada dos Veadeiros. Sem dúvidas, um fim de viagem maravilhoso.

Parques de diversão

No Sul e no Nordeste, sobra diversão em parques

Emoção. Brinquedo no Beto Carrero

Emoção. Brinquedo no Beto Carrero Foto: Beto Carrero World

Os mais bem-sucedidos parques de diversão do Brasil apostam em seguimentos diferentes para cativar um mesmo público: famílias. Em Santa Catarina, o complexo criado por Beto Carrero foca em montanhas-russas, espetáculos e zoológico. Já o empreendimento à beira-mar no Ceará deixa o DNA claro no nome: o Beach Park propõe entretenimento em piscinas e tobogãs sofisticados.

O resort na Praia de Porto das Dunas, a 27 quilômetros de Fortaleza, foi eleito pelos leitores do site TripAdvisor como um dos cinco melhores parques aquáticos do mundo em 2016. Entre as 18 atrações, destaque para o radicalíssimo Insano, com uma queda livre na qual é possível atingir até 105 quilômetros por hora. Já o Vaikuntudo arremessa o visitante num megafunil colorido em 240 metros de descida. Os pequenos se divertem no Acqua Circo, um dos maiores playgrounds aquáticos do planeta — o piso é antiderrapante. Os ingressos do parque saem a partir de R$ 200 (um dia).

Após completar 25 anos em dezembro, o Beto Carrero World dedica 2017 a celebrações. No cardápio, principalmente novos shows, já que as opções de entretenimento para crianças de todas as idades são fartas. O amplo parque em Penha (litoral norte de Santa Catarina, a 115 quilômetros de Florianópolis) é um mundo fantástico que mescla piratas, batalhas medievais e caubóis.

Mas o forte são os brinquedos radicais. Na montanha-russa FireWhip, o passageiro fica de ponta-cabeça, enfrenta cinco loopings a mais de 100 quilômetros por hora e 4,5 vezes a força da gravidade – tudo em 700 metros. Já o Free Fall é um elevador que despenca a mais de 90 quilômetros por hora de uma altura equivalente a um prédio de 18 andares. Para os pequenos, há carrosséis, mini montanhas-russas e shows como o da turma de Madagascar. No site betocarrero.com.br, ingressos comprados com antecedência custam desde R$ 105 (adulto) e R$ 98 (criança) por dia.

Serra Gaúcha

Gramado e Canela apostam em leque de atrações, já Bento Gonçalves (RS), na cultura Vinícola

Encanto. Frio do inverno dá charme especial a Gramado

Encanto. Frio do inverno dá charme especial a Gramado Foto: Leonid Streliaev/Secretaria de Turismo de Gramado

Ninguém discute que as imigrações italiana e alemã levaram ao Rio Grande do Sul um autêntico tom de Europa brasileira. Também é indiscutível que o interior gaúcho ostenta charme e ótima infraestrutura. E é no inverno que a Serra Gaúcha, principalmente Gramado e Canela, se envolve ainda mais de encanto. Mais ao norte, Bento Gonçalves também conquistou seu espaço, principalmente na área do Vale dos Vinhedos, que recebe visitantes atrás de seus vinhos e da gastronomia colonial.

Embora o Festival de Cinema tenha se consagrado desde 1973 e o Natal Luz seja sua principal atração, Gramado é bem mais do que isso. E em julho revela sua essência com as baixas temperaturas. O frio é garantido diante do principal cartão-postal, o Lago Negro, onde dá para passear de pedalinho. 

No Mini Mundo (R$ 28), há uma incrível coleção de miniaturas de construções brasileiras ao ar livre. Outro hit das últimas temporadas é o Snowland, uma miniestação de esqui indoor, com rinque de patinação no gelo, tubing e até snowboard (a partir de R$ 129). As crianças também se divertem no Gramado Zoo (R$ 54).

Alternativa de hospedagem um pouco menos movimentada, Canela faz parte da Rota Romântica e desfila deliciosos ares europeus. Sua Catedral de Pedra, em estilo gótico, é uma preciosidade que impressiona, com torres de 65 metros de altura. Mas as belezas de Canela ultrapassam as erguidas pelo homem. A Cascata do Caracol é uma das mais belas do País, com 131 metros de altura, e pode ser vista no Parque do Caracol (R$ 10) ou em bondinhos (R$ 42). A cidade também se destaca pelas opções de caminhadas, escaladas, cavalgadas e raftings.

Os pequenos não vão resistir ao Vale dos Dinossauros (R$ 25), espécie de Jurassic Park com grandes réplicas eletrônicas que rugem. Adolescentes vão adorar o Alpen Park (atrações a partir de R$ 27), com montanhas-russas e outros brinquedos. Diversão para toda a família, o museu de cera Dreamland (R$ 65) exibe estátuas de gente como Neymar e Silvio Santos.

Principal área vinícola do País, a região de Bento Gonçalves aprendeu como poucos destinos brasileiros a combinar visitação e vida rural. Assim, desenvolveu seu planejamento em torno de cinco rotas turísticas em seus arredores, uma delas pelo Vale dos Vinhedos – em bentogoncalves.rs.gov.br, você encontra detalhes e links sobre cada roteiro.

 Símbolo do legado dos imigrantes italianos, o Vale dos Vinhedos é um emaranhado de propriedades produtoras de vinho, onde os visitantes degustam alguns dos melhores tintos nacionais e espumantes reconhecidos internacionalmente. Um clássico é o Trem do Vinho: a maria-fumaça percorre 23 quilômetros em duas horas, com música italiana e vinho. Combinado com a visita ao Epopeia Italiana, parque que narra a chegada dos imigrantes, o passeio custa R$ 110. De 10 junho a 21 de agosto, o projeto Bento Sensação tem jantares temáticos, degustações e show de artistas regionais várias vezes por semana.

Serra Catarinense

Termômetros marcando temperaturas baixas e neve, duas características de São Joaquim (SC)

Qualidade. Bons vinhos e produtos da estação

Qualidade. Bons vinhos e produtos da estação Foto: Adriana Moreira/Estadão

Um grupo de turistas amontoados, um termômetro marcando temperaturas negativas, a neve que cai. Você provavelmente conhece São Joaquim, na Serra Catarinense, graças a essa combinação invernal. Ser um dos poucos lugares do Brasil a ter neve (mesmo que raramente) levou para lá os turistas antes mesmo que São Joaquim – uma pacata cidade produtora de maçãs – pedisse por eles.

De alguns anos pra cá, no entanto, não é só a neve que leva visitantes à cidade. Agricultores perceberam que o clima ali seria ideal para produzir vinhos de altitude, e começaram a surgir rótulos de qualidade. Atualmente, 32 empreendimentos estão ligados à Associação Catarinense dos Vinhos de Altitude (Acavitis).

Muitos deles são produzidos em pequenas propriedades, com restaurantes de menu compacto, mas que prezam pelo sabor e pelos produtos frescos. Caso da Monte Agudo, da família Rojas Ferraz, cujo cardápio está em constante transformação, de acordo com a sazonalidade dos produtos.

Carolina, uma das filhas do patriarca da propriedade, serve as poucas mesas numa sala envidraçada com vista para as vinhas, enquanto conversa com a clientela. Os vinhos são harmonizados com as duas únicas opções de menu da casa. O ambiente é sofisticado e ao mesmo tempo informal, no qual você se sente mais convidado do que freguês.

Se estiver em busca de vinhos premiados, o Villa Francioni 2004, da Villa Francioni, ficou entre os melhores tintos do Brasil. Para visitar a propriedade, de quase 5 mil metros quadrados, são oferecidos cinco tours por dia, ao custo de R$ 30 por pessoa, com degustação (e desconto na compra de garrafas, que custam em média R$ 50). A propriedade, de tijolinhos aparentes no alto de uma colina, chama a atenção logo de cara.

Dá para acompanhar cada etapa da produção e descobrir que a principal característica dos vinhos da propriedade é a mistura de uvas – caso do Michelli, considerado o mais nobre, feito com Sauvignon, Sangiovese e Merlot. Outras casas recomendadas por seus bons vinhos foram a Villagio Bassetti e a Leone Di Venezia. (Adriana Moreira)

Campos do Jordão

Destino mais quente da temporada na Mantiqueira celebra o inverno com música e passeios nos arredores

Bares, restaurantes e lojas de Campos são muito frequentados

Bares, restaurantes e lojas de Campos são muito frequentados Foto: Ernesto Rodrigues/Estadão

É no inverno que o clima esquenta na Serra da Mantiqueira. Mais precisamente na badalada Campos do Jordão, a cidade mais alta do Brasil. A mais de 1.628 metros acima do nível do mar, ostenta portentosa infraestrutura para receber mais de 3 milhões de visitantes anuais. E essa região paulista consegue agradar a turistas de variados perfis pois, além de fartas opções de hospedagem e gastronomia, é cercada por uma natureza impressionante.

Com construções em estilo alpino, o bairro do Capivari concentra o agito, com os principais bares, lojas e restaurantes. Espere por dias secos e ensolarados com madrugadas frias (beirando zero grau) e geadas matinais. Um típico clima de montanha. Chocolates quentes e fondues harmonizadas com vinhos sintetizam um pouco o espírito de Campos. Outros ingredientes certos são o pinhão e as trutas. A cerveja tem lugar especial em bares como o famoso Baden-Baden.

Além disso, conte com muita cultura. De 1º a 30 de julho, a 48ª edição do Festival Internacional de Inverno leva à cidade mais de 60 apresentações, muitas gratuitas, com algumas das melhores orquestras do Brasil e do mundo em quatro palcos. Como contraponto, as músicas eletrônica e sertaneja rolam em clubes como o Café de la Musique e o Villa Mix

Não deixe de fazer passeios tradicionais como descobrir as trilhas do Horto Florestal (grátis) ou subir pelo primeiro teleférico do Brasil até o Morro do Elefante, de onde se tem a vista mais clássica de Campos do Jordão. E também descobrir os belos jardins de 60 mil metros quadrados do Parque Amantikir (R$ 40), as esculturas a céu aberto do Museu Felícia Leirner (R$ 10) ou o colorido do Borboletário (R$ 30).

 O bondinho que corta a cidade e a centenária Estrada de Ferro oferecem uma agradável viagem pela Mantiqueira até a vizinha Santo Antônio do Pinhal (desde R$ 15). Por falar em vizinhança, a pequena São Bento do Sapucaí, a 33 quilômetros de Campos, tem sido a xodó das últimas temporadas, com hospedagem mais em conta. É o melhor ponto de partida para explorar a Pedra do Baú. A subida de 1.950 metros até o topo não exige equipamento nem técnica, mas recomenda-se guia – empresas como a Baú Ecoturismo cobram R$ 100 por pessoa. O passeio dura cerca de cinco horas e inclui 40 minutos subindo em escadas pela face norte. Seria redundância dizer que a vista é de tirar o fôlego.

Paraty

Com beleza colonial e atrações culturais e naturais, cidade histórica no litoral do Rio de Janeiro é pedida certeira

Em julho. Paraty combina história, em suas ruas e no casario, e cultura, com a Flip

Em julho. Paraty combina história, em suas ruas e no casario, e cultura, com a Flip Foto: Felipe Mortara/Estadão

O tempo estável do mês de julho é mais do que um convite para aproveitar ao ar livre uma das cidades coloniais mais bem preservadas do Brasil. Espremida entre o Oceano Atlântico e as montanhas verdes do Parque Nacional da Serra da Bocaina, Paraty conjuga passado e natureza como poucos destinos do País. Cercada por praias deslumbrantes e ilhas próximas, a cidade fluminense cadencia ritmo próprio, ao sabor das marés que invadem e recuam sobre o calçamento de pedras multicentenárias.

A 267 quilômetros de São Paulo, o icônico casario histórico parece contemplar os visitantes que chegam em massa para o evento mais querido da cidade. Entre 26 e 30 de julho, a Festa Literária Internacional de Paraty, a famosa Flip, chega à sua 15ª edição e retorna à Praça da Matriz, desta vez homenageando o escritor Lima Barreto (1881-1922). Mesas de discussão sobre literatura, artes e contemporaneidade dão o tom à cidade, que se enche de shows, performances e eventos paralelos, como a Flipinha e as casas culturais. Os ingressos custam R$ 55, e a previsão é que comecem a ser vendidos hoje no site flip.org.br, que já publicou a programação das mesas para este ano. Além da Flip, Paraty sedia um punhado de outros eventos e festas religiosas (veja lista aqui). 

A região guarda também dezenas de praias excelentes, com areias clarinhas e cercadas por Mata Atlântica. O mar pode estar frio, mas ainda assim pronto para os corajosos que terão bastante sol para se esquentar, e as belezas naturais compensam. Na vila de Trindade, tradicional refúgio a 30 quilômetros do centro velho, a Praia do Meio dá as boas-vindas com sua península cênica e a Praia do Cachadaço brinda os visitantes com sua piscina natural. Amantes do surfe encontram na Praia do Cepilho as mais poderosas ondas da região. Há ônibus de hora em hora na rodoviária de Paraty para Trindade ou, de carro, siga as placas por 25 minutos rumo ao sul. 

Na mesma região, o inigualável Saco do Mamanguá é um fiorde, braço de mar envolvido por montanhas como o Pico do Pão de Açúcar. Com 575 metros de altitude, chega-se ao topo após uma caminhada intensa de cerca de uma hora desde a Praia do Cruzeiro. Para o bem e para o mal, não se chega de carro. Pegue a Rio-Santos por dez quilômetros no sentido São Paulo até o km 593 e siga por mais oito quilômetros por uma estrada de terra até a vila de Paraty Mirim. Ali, contrate com um pescador um transporte de barco até o Mamanguá (40 minutos de navegação; cerca de R$ 150 ida e volta por grupo) e agende um horário para o retorno.

Pedida mais clássica é o tradicional passeio de escuna pelas 65 ilhas da Baía de Paraty. No cais há embarcações que fazem roteiros de cinco a seis horas de duração (na faixa de R$ 40 por pessoa) pelas ilhas dos Cocos e dos Mantimentos, com paradas para mergulho em um ponto conhecido como Lagoa Azul. A Estrela da Manhã e a Banzay são algumas das escunas que operam o serviço. Também dá para combinar passeios para ilhas menos badalas, como a do Cedro e a da Lajinha, espetacular na maré baixa.

Muito embora a sensação de caminhar por outros tempos seja natural em Paraty, para compreender mais a fundo a história, vale a pena um city tour com um guia credenciado pela Embratur. Agências como a Paraty Tours ou profissionais como Sibele Wizentier (24-99907-7454) e Renan Pinto (24-99915-9119) cobram a partir de R$ 25 por pessoa por duas horas e revelam mistérios que permeiam as quatro igrejas do centro histórico, o ponto final da Estrada Real e o porto de onde partiam para Portugal as riquezas nacionais durante o Ciclo do Ouro, nos séculos 17 e 18. Seja em termos de passado ou de natureza, nunca faltarão motivos para descobrir Paraty. Pela primeira ou enésima vez.