Siga a trilha de blocos de gelo até chegar ao Glaciar Grey

Quando o primeiro bloco de gelo azul celeste surge nas águas acinzentadas do Lago Grey, as câmeras disparam. É só o começo. Um instante depois, outro bloco, maior e mais azul. Conforme o barco sobe, vários vão aparecendo. Só se escuta os aventureiros exclamarem: - Olha aquele! E esse, parece um castelo! E todos correm de um lado para o outro, se amontoando para conseguir o melhor ângulo.

Suely Andreazzi PUERTO NATALES, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2010 | 03h23

É assim mesmo: as placas de gelo se desprendem em pedaços desiguais e inventivos no Glaciar Grey, massa de gelo milenar com 6 quilômetros de largura e até 45 metros de altura. A aventura começa na Hosteria Lago Grey, de onde parte o catamarã que levará ao glaciar.

No caminho, o cenário do lago escuro salpicado por blocos de gelo é tão incomum que os passageiros nem percebem que a temperatura vai caindo a cada instante. Ninguém consegue ficar fora da cabine climatizada por muito tempo, mesmo com roupas apropriadas. São só alguns cliques lá fora e o corpo todo parece que vai congelar.

Os mais corajosos sobem no mirante da cabine, sem nenhuma proteção contra o vento, mas também sem ninguém para atrapalhar a foto tão almejada. Uma dica: leve pilhas e baterias extras, pois o frio diminui a vida útil delas e você pode ficar sem carga em pouquíssimo tempo.

Com sorte, pode-se ouvir o exato momento em que um pedaço de gelo se desprende, fazendo um estrondo tremendo. O fenômeno ocorre com mais frequência no inverno, quando as águas das chuvas que penetram o glaciar congelam, expandem e, depois, se soltam em gigantescos blocos. No aconchego da cabine é hora de brindar.

Drinque
    No copo com uísque, pisco sour ou refrigerante, pedras de gelo resgatadas do lago pelos tripulantes dão um toque especial ao drinque. As conversas, no entanto, duram pouco.

Silêncio geral. Quando o barco se aproxima das paredes azuladas de mais de 40 metros de altura é quase um espanto, todos se calam. É chegada a hora da contemplação de um dos maiores espetáculos da natureza.

Cliques e mais cliques. Todos querem levar para casa uma recordação da imensidão azul. De frente com o Glaciar Grey, a sensação é de ver montes de merengues azulados. Sim. Apesar de sua dimensão, a geleira parece feita de clara batida.

Observe os vários tons de azul que compõem cada torre. Em algumas, as listras estão bem definidas, indicando os vários períodos de vida do glaciar. Esse monumento natural também sofre com o aquecimento global, desde 1985 o glaciar diminui de 80 a 85 metros por ano.

Se puder escolher, reserve lugar para a última saída do Grey II, que ocorre no fim da tarde e tem duração aproximada de três horas. Quando o sol se põe, o glaciar extremamente azul forma um lindo contraste com o alaranjado Maciço Paine, complexo de montanhas que se avista do lago. Uma cena patagônica perfeita, que vai permear os sonhos dessa noite e ficará por muito tempo na memória.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.