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Sigilo quebrado

Alguma coisa se movimenta nas Ilhas Cayman. Algo de pessoal e intransferível, protegido pela mais alta confidencialidade das senhas e códigos de verificação. Seriam os U$ 2,07 trilhões que circularam em transações bancárias só no ano passado? Seriam os mais de 250 bancos de 45 países que se instalaram ali aproveitando as benesses de um paraíso fiscal?

NATALY COSTA / GEORGETOWN, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2012 | 02h10

Não. Quebrar o sigilo da ilha é mais simples do que se pensa. É pisar em um pequeno aeroporto com uma foto da Rainha Elizabeth na saída da imigração, entrar em um carro que segue pela mão inglesa, caprichar no sotaque "caribritânico" e pedir a primeira Caybrew (a cerveja artesanal deles) 15 minutos depois, já de frente para o mar do Caribe.

Ou seja, nada de trilhões, bancos, transações. Apenas um destino de praia incrível a menos de 1h30 de Miami que o turista brasileiro ainda deixa passar batido: somente 681 deles pisaram nas Ilhas Cayman em 2011, incluindo os que moram lá (uns 150) e passaram sabe-se lá quantas vezes pela imigração, puxando a contagem para cima. Apesar de pouco explorada pelos brasileiros, as Ilhas Cayman são destino consolidado dos americanos - nada menos que 80% dos 1,5 milhão de turistas recebidos anualmente pelo arquipélago.

A aura de paraíso fiscal habita o imaginário popular sobre Cayman, mas,

a bem da verdade, é até difícil ver um banco na ilha. A maioria fica em salas de algum prédio insuspeito no centro

de Georgetown,

a capital, em Grand Cayman.

Três ilhas compõem o cenário caymanês: na minúscula Little Cayman há mais iguanas do que gente (são somente 200 habitantes). Em Cayman Brac, o forte são as trilhas na floresta, o birdwatching e as praias praticamente desertas. Já Grand Cayman, a mais visitada, tem tudo isso e uma infraestrutura muito bem montada de hospedagem, restaurantes, passeios e vida noturna.

Estilo. Ser mais bem preparada para receber o turista faz Grand Cayman passar longe do estilo rústico das outras duas ilhas, e, ao mesmo tempo, não ter nada em comum com o Caribe dos resorts all-inclusive que o brasileiro conhece. Aqui, a vida acontece fora dos hotéis e até fora da praia, em um passeio nas lojas de Georgetown, uma noitada depois do jantar ou um happy hour no Camana Bay, espécie de segundo centro da cidade com pracinha, sorveteria, lojas e restaurantes com mesa na calçada.

Apesar de ser uma vida sem IPTU, o custo de vida em Cayman é alto, seja para moradores ou turistas: uma refeição dificilmente vai sair por menos de US$ 40, sem bebida alcoólica (a Caybrew é de US$ 8 para cima). Os principais passeios custam por volta de US$ 100. Acorrida do aeroporto para Seven Mile Beach, onde está a maioria dos hotéis, sai por US$ 23, em táxis que são vans e levam de cinco a sete pessoas - mas quanto mais gente, mais caro.

Como Grand Cayman é comprida e as distâncias entre os principais pontos de interesse não são andáveis, fica mais em conta alugar um carro - U$ 30 a diária na baixa temporada, o dobro na alta. Há opções com a direção do lado esquerdo, mas é preciso ficar atento ao trânsito, que segue na mão inglesa. E, de quebra, você pode explorar a ilha como quiser. Um ótimo negócio.

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