Silêncio: é hora da pescaria

A chegada ao Lodge Lakutaia, durante a noite, escondia a paisagem de montanhas nevadas que fez os olhos se espantarem com a beleza do cenário ao amanhecer. É para elas que praticantes de trekking partem para caminhadas de até 6 dias. O hotel também organiza cavalgadas, passeios de caiaque e viagens para pesca com mosca, ou fly fishing. O lugar está no meio termo entre o isolamento e o contato com o mundo exterior: internet, só nas áreas comuns.

PORTO WILLIAMS, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2013 | 02h20

Perto dali, o Parque Etnobotânico Omora (colibri na língua Yamana), que integra a Reserva da Biosfera do Cabo de Hornos, pede um equipamento inusitado para a visita: uma lupa. É que o lugar guarda mais de mil espécies de musgos, liquens e hepáticas, minúsculas plantas que formam bosques em miniatura em cada tronco de árvore - para ver tudo, só mesmo com uma lente de aumento. A entrada custa US$ 50 por pessoa e deve ser feita com guia.

A 3 quilômetros dali fica a pequena Porto Williams. No caminho, uma parada no Yatch Club Micalvi (www.micalvi.net/theclub.html). Instalado em uma embarcação atracada, um bar recebe viajantes que estão voltando de Ushuaia, Cabo de Hornos ou mesmo da Antártida. Muitos penduram uma bandeira, uma flâmula ou uma cédula de dinheiro - as do Brasil não podiam deixar de estar lá.

Finalmente, chegamos a Porto Williams. Nascida como base naval, em 1953, a cidadezinha é usada como ponto de partida para várias trilhas de trekking. Apesar de pequena, tem até aeroporto - e voos diretos desde Punta Arenas.

Os chilenos querem que os visitantes, além de se encantar com a beleza natural da província de Magalhães, conheçam a história local. Prova disso é o capricho com que foi montado ali o Museu Antropológico Martin Gusinte, onde a história dos índios que povoaram a região é contada em fotos, textos e objetos de caça. Logo na entrada, a réplica do barco e das armas dos Yamana deixa no ar uma dúvida: como eles sobreviveram em lugar tão inóspito com instrumentos aparentemente tão frágeis?

É de se imaginar também quão difícil foi erguer a cidade, localizada em uma região onde o clima é cheio de humores. E, ainda assim, dá vontade de ficar mais por lá. /MARINA PAULIQUEVIS

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