Mônica Nóbrega|Estadão
Mônica Nóbrega|Estadão

Skagway

Depois de 60 horas, o navio ancora pela primeira vez na cidade histórica

Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

19 Abril 2016 | 04h30

SKAGWAY - Às seis da manhã do quarto dia, depois de 60 horas em movimento, o Disney Wonder ancora pela primeira vez. O navio carrega mais gente que o total de moradores da cidade que tem diante de si: são 920 os habitantes de Skagway. Boa parte deles mora em trailers e se muda temporariamente da cidade assim que o verão termina. No pico do inverno, sobram menos de uma centena de almas por ali.

A cidade propriamente dita é um triângulo acomodado num vão entre duas montanhas, com meia dúzia de ruas caminháveis em meia hora no máximo, na foz do rio de mesmo nome. Também desemboca ali uma ferrovia inaugurada em 1898, a White Pass & Yukon Route, hoje em funcionamento turístico. O passeio entre montanhas e abismos até Carcross, já no Canadá, é vendido no site da empresa a US$ 229 por pessoa. Navios vendem o tour.

Skagway foi importante durante a mítica corrida do ouro que colocou o Estado canadense de Yukon e o Alasca na mira de aventureiros de toda a América do Norte. O metal precioso, descoberto em 1896 em um afluente do Rio Klondike, levou até 20 mil homens para morar em Skagway e deu origem à ferrovia e à rodovia que ligam a cidade ao Canadá.

O saloon Red Onion foi inaugurado um ano depois da descoberta do ouro. Hoje funciona como pizzaria mas, no fim do século 19, era a antessala de um bordel, no andar de cima. Cerca de 300 mulheres trabalhavam ali, em dez cômodos que formam, hoje, o Museu do Bordel. Por US$ 10, uma guia vestida a caráter mostra objetos e roupas de época e conta as histórias, as corriqueiras e as picantes, daqueles anos. Aprende-se que a sessão com uma das moças custava US$ 5 e durava, no máximo, 15 minutos. E que o local é habitado pelo fantasma de uma das damas, Lydia.

Com os caçadores de fortunas, chegaram a Skagway os jornalistas. O camping Liarsville – vila dos mentirosos – ganhou esse nome em homenagem aos profissionais da notícia. Diz-se que misturavam folclore e realidade. A 5 quilômetros do centro, no meio da floresta, a vila é cenográfica: réplicas dos estabelecimentos da época, inclusive o que poderia ser chamado de sala de imprensa, onde moradores vestidos a caráter apresentam um show, convidam a assar marshmallows na fogueira e a brincar de garimpeiro em tanques cheios de areia e água onde os sortudos (ou muito pacientes) encontram minúsculas pedrinhas douradas. A excursão do navio da Disney inclui ainda a visita de personagens: Donald, Tico e Teco aparecem para fotos.

O passeio é curtinho e termina num almoço gostoso ao ar livre, com salmão no cardápio. Mas, pelo que oferece, não é exatamente econômico: custa US$ 59 por pessoa (bit.ly/liarsville).

Voo. Como o navio passa um dia inteiro em Skagway, dá para marcar um segundo passeio à tarde, com mais emoção. As 11 tirolesas e 4 pontes suspensas do circuito Grizzly Falls (desde US$ 169) passam por dentro de uma floresta de coníferas e por cima de cachoeiras e corredeiras. A paisagem é linda desde o momento que, num veículo 4X4, sobe-se o morro a partir do acampamento Mushers, num percurso repleto de chacoalhões. Apesar das alturas, aceita crianças a partir de 6 anos. 

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