Kevin Lamarque/Reuters
Kevin Lamarque/Reuters

Sobre banheiros-família e outras conversas privadas

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Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2017 | 04h40

Eu estava no meio de uma de uma feira de rua, dessas que vendem souvenirs e comida para você comprar e fazer piquenique no parque ao lado. Com pouco mais de um ano, meu bebê curtia a paisagem e o passeio, confortavelmente acomodado no sling à frente do meu corpo, quando o cheiro característico anunciou a fralda suja. Nada de novo sob o sol bonito do domingo: eu tinha todo o necessário para a troca. Só não esperava que o centro cultural ao lado da feira, dentro do parque, estivesse fechado. Era com aquele banheiro que eu contava. 

Para encurtar a história, conto logo que fui à entrada do tal centro cultural, expliquei a situação ao vigilante da portaria, que foi solidário e me deixou entrar para resolver a situação. Mas o exemplo serve para lembrar que encontrar um banheiro-família quando se está viajando com crianças é um alívio menos comum do que gostariam mães e pais. Tem em shoppings, lojas de departamento e outlets, nos grandes museus, em alguns aeroportos – restaurantes, quase nunca. Daí em diante, você vai precisar de estratégias para não passar aperto por causa do aperto dos pequenos. 

Não conte com o trocador. Suportes para trocar fraldas são tão raros quanto os próprios banheiros familiares – estarão praticamente nos mesmos lugares. Na falta deles, qualquer superfície plana serve; já troquei fraldas até nos bancos de madeira do designer Hugo França em Inhotim. É só ter em mãos o necessário, inclusive para forrar a superfície antes de deitar nela o bebê, e depois deixar tudo limpo (carregue sacos plásticos para embalar decentemente as fraldas usadas, porque os outros não são obrigados). Se for o caso, pergunte antes se você está cometendo algum absurdo. 

Pai tem mais dificuldade. Se existir trocador, ele quase com certeza não estará no banheiro masculino. Se você é pai, encare isso como mais um motivo para lutar por um mundo igualitário, não para desistir de viajar com seu bebê. 

O mundo não dá preferência. São pouquíssimos os lugares fora do Brasil onde você vai conseguir furar a fila do banheiro porque está com criança – só consigo lembrar dos Estados Unidos. Em um voo interno na Itália, cheguei a ouvir de um passageiro atrás de mim que deveria ir para o fim da fila porque cedi minha vez a um pai e seu menininho (e fui, cada povo com seus hábitos). Viajando com criança pequena desfraldada recentemente, lembre-se que nessa fase ela só dá o alerta quando está para fazer nas calças. E que dificilmente os outros adultos vão se comover com a mãozinha do pequeno ser humano apertada entre as pernocas no esforço desesperado de conter um acidente.

Procure banheiros amigáveis. Na falta do específico para famílias, o adaptado para cadeirantes ajuda: espaço amplo, pia, sabão e papel. Outra estratégia é dar preferência a cafés: qualquer pequeno consumo dá direito a usar um banheiro razoável. 

Kit de ‘primeiros socorros’. Você vai se especializar em faxina rápida em banheiro público (é nojentinho, mas é isso). Lenços umedecidos e álcool gel se prestam lindamente a este papel, e também servem para higienizar as mãozinhas das crianças e as suas.

Antes de sair, xixi. Do hotel, restaurante, museu, do aeroporto ou estação de trem. Sempre obrigue a criança a usar o banheiro onde ele existe. Minha frase preferida, a que sempre funciona, é: “Sempre tem um xixizinho guardado aí”.

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