Sobre o país da Copa

De algum ponto não identificado do planeta, nosso intrépido viajante conseguiu fazer chegar à redação a resposta à correspondência da semana:

O Estado de S.Paulo

11 Maio 2010 | 03h57

Olá, mr. Miles. As notícias que nos chegam sobre a África do Sul variam entre o deslumbrante e o caótico. Quais são suas experiências na região, principalmente em Durban e na Cidade do Cabo, localidades que pretendo ver durante a Copa do Mundo?

Luís Marcelo Pires dos Santos,

São Paulo

"Well, my friend, as notícias estão absolutamente corretas e fazem justiça a diversos países que têm riquezas naturais, belezas variadas e, unfortunately, distribuição de renda muito desigual. Tive a oportunidade de responder a uma questão semelhante colocada por cidadão sul-africano interessado em ir ao Brasil na Copa de 2014. Disse-lhe que, essentially, a diferença entre os dois países é que o Brasil ainda não tem nenhum estádio.

Depois do ignominioso período do apartheid - durante o qual sequer pus os pés naquele país -, encontrei a África do Sul milagrosamente pacificada por Nelson (N.daR.: Nelson Mandela, estadista), que viria a se tornar um elegante e talentoso adversário nas partidas de xadrez que disputamos.

Encontrei, as well, um país mais bonito e equipado do que supunha, com estradas de primeiro mundo, belas cidades e grande infraestrutura oriunda de sua riqueza mineral. Com praias arrebatadoras no Oceano Índico, magnificent safari resorts, ótima comida e um vinho notável. A pobreza, derivada de tantos anos de exclusão, também está presente e, com ela, alguma violência urbana, semelhante à de cidades como Rio e São Paulo. Nada, however, que alguma precaução básica não resolva.

Eu diria, sem medo de errar, que, por sua diversidade, a África do Sul está, hoje, entre meus destinos prediletos. Therefore, mesmo que não houvesse um evento da dimensão da Copa (que, by the way, não vou perder), eu o recomendaria sem pestanejar.

Sobre Cape Town e Durban, que você menciona especificamente, são duas cidades muito diferentes entre si. Cape Town, como você deve saber, tem uma geografia invejável, dominada pela Table Mountain, com lindas praias e um porto magnificamente rejuvenescido, repleto de bares, lojas e casas noturnas. Suas praias são lindas, mas, I"m sorry to say, apenas pinguins e lobos-marinhos ousam frequentá-las em junho e julho.

Não sei quais são as suas preferências, mas nunca deixo de visitar o Parque Kirstenbosch, um notável jardim botânico de espécimes africanas. Também gosto de ir ao Cabo da Boa Esperança - uma jornada majestosa -, sempre com a esperança de que os babuínos da região não entrem pela janela do meu carro. Alongar a viagem até a vizinha região do vinho - ainda mais dirigindo na mão correta, a inglesa, of course, - é quase tão bom quanto viajar pelas Highlands.

Já Durban, no Pacífico, é a capital da Zululândia e também fica em frente ao mar. A temperatura da água é mais agradável, mas procure as praias protegidas dos tubarões. Para vê-los, prefira o aquário de Ushaka Village, quite interesting. Vá também (e pode falar em meu nome) ao Victoria Market, onde milhares de nativos vendem ervas e condimentos em um ambiente quase tribal. E não deixe de visitar restaurantes hindus. A cidade tem milhares de habitantes da terra de meu saudoso amigo Gandhi e oferece ótima culinária daquela procedência.

Vou deixar, my dear Luís, que você descubra o resto, se é que haverá tempo para fazê-lo. Não sem uma última recomendação: assim que chegar, compre uma vuvuzuela e sopre-a o máximo que puder, de modo a acostumar seus ouvidos. It can be useful para evitar exasperações posteriores."

É O HOMEM MAIS VIAJADO

DO MUNDO. ESTEVE EM 132

PAÍSES E 7 TERRITÓRIOS

ULTRAMARINOS

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