Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Felipe Mortara, Península Antártica/ Especial para O Estado

05 Dezembro 2017 | 05h00

Quase onze da noite e, atipicamente, eu já dormia. O princípio de um sono bom, quentinho e pesado na cabine 342 foi interrompido pelo aviso sonoro. Naquele momento, o navio Hebridean Sky cruzava o Estreito de Gerlache, na Península Antártica. “A essa hora só pode ser notícia ruim”, pensei. Sem abrir os olhos nem me mexer, esperei a convocação para uma evacuação às pressas. Precedida por um pedido de desculpas do chefe da expedição, Brandon Harvey, a mensagem veio clara pelo alto-falante: “senhoras e senhores, temos orcas ao redor do navio. Muitas delas”. Seria um sonho? 

Por breves segundos fiquei dividido entre o calor do edredom, o frio obsceno lá fora e o risco de perder tempo me vestindo com várias camadas e não ver nada. Afinal, bichos vêm e vão. Bocejos. Por fim, virei um boneco recheado de casacos, luvas e preguiça. Segui no corredor, subi a escada, entrei no deque 4. Abri a porta. Logo ali, a primeira e enorme nadadeira dorsal preta rasgando as águas, em meio a blocos de gelo de todos os tamanhos. Êxtase não define. 

Este foi apenas um dos incontáveis momentos dignos de lembrança eterna durante as quase três semanas de uma jornada “diferentona”, rumo ao Continente Antártico. Mas há cada vez mais viajantes dispostos a investir alto para experimentar sem intermediários um dos destinos mais gelados, inóspitos e únicos da Terra. 

De acordo com a Associação Internacional dos Operadores de Turismo Antárticos (Iaato, na sigla em inglês), mais de 44 mil cruzeiristas, a bordo de 53 embarcações, visitaram o continente na temporada passada contra 38 mil na anterior (2015-2016). Um contingente considerável para um pedaço de planeta ocupado por 98% de gelo, e onde até duas décadas atrás pisavam apenas

cientistas e velejadores aventureiros. 

Roteiro gelado. Além de um desejo antigo de ir à Antártida, o roteiro que tive o privilégio de vivenciar engloba o crème de la crème da natureza no Atlântico Sul. Com partida de Puerto Madryn, a cidade-base para explorar a Península Valdés, o navio seguiu por dois dias até as controversas (e surpreendentes) Ilhas Malvinas. Ou Falklands, como preferem os locais. 

Dali, mais duas noites rumo à deslumbrante Ilha Geórgia do Sul, palco de uma das mais célebres histórias de sobrevivência da navegação, protagonizada pelo capitão Ernest Shackleton (1874-1922). Quatro dias de muitos desembarques em meio às maiores colônias de pinguins-rei e elefantes-marinhos do planeta, sob picos nevados enormes e piramidais. Quem já leu livros do navegador Amyr Klink ou qualquer literatura sobre viagens oceânicas na certa abriu um sorriso agora (se você não leu, é uma boa dica de leitura para levar a bordo).

Duas noites em mar aberto nos separavam do destino mais desejado. Não sei bem dizer se quatro dias intensos na Antártida deram conta de traduzir em sensações um lugar cuja alma nenhuma foto ou vídeo consegue capturar. Nem a fofura de uma foca-de-Weddell, a perseverança de um pinguim-gentoo ou a despreocupação de uma baleia jubarte

Uma semana após voltar para casa, ainda tenho a sensação de que poderia passar uma eternidade por lá. Mesmo sem essa opção no catálogo, pacotes de muitas operadoras se dedicam exclusivamente aos infinitos pontos de ancoragem diante de geleiras monumentais, “piscinas” de gelo e montanhas como o Monte Vinson, o maior do continente, com 4.892 metros de altitude. Nenhuma foto consegue reproduzir o que é o lugar ao vivo. 

Depois de 20 dias, atracamos em Ushuaia, no extremo sul argentino, às margens do Canal de Beagle, de onde partem e chegam a maior parte dos cruzeiros com destino à Antártida. Diante das luzes da cidade, a cabeça voltava algumas milhas náuticas no tempo. Como se a memória quisesse confirmar o que os olhos não cansavam de constatar: o paraíso é azul. E gelado.

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6.828 quilômetros navegados ao longo de 20 dias de viagem (ou 3.687 milhas náuticas)

15 desembarques no total e oito dias de navegação sem tocar a terra

40 quilômetros de comprimento e 10 quilômetros de profundidade mede o B15T, o maior iceberg da viagem

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O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 04h30

Bastam algumas horas de vento forte e mar bravio na travessia do Mar de Drake para entender porque muitos consideram essa atividade não um ‘cruzeiro’, mas uma ‘expedição’. Mas as condições extremas lá de fora não significam perrengue dentro do navio Hebridean Sky. Operado pela Polar Latitudes, empresa norte-americana fundada em 2010, a embarcação de 90 metros de comprimento e capacidade para até 114 passageiros e 75 tripulantes dá conta de ser um hotel cinco-estrelas flutuando por águas congelantes. 

Confortáveis, porém sem extravagâncias, todas as cabines têm janela (algumas até varanda). Mesmo com a água dessalinizada, o chuveiro é bom. A comida se destaca, com farto café da manhã e bufê no almoço – com salada de folhas até quase o fim da viagem. À noite, pratos clássicos e ingredientes de primeira, além de uma respeitosa seleção de vinhos à vontade. Divertido e carismático, o time de garçons filipinos é uma atração à parte.

Aliás, numa viagem em que o tempo e a sorte podem influenciar diretamente o resultado, o diferencial humano do serviço e do conhecimento se sobressai. Os 18 membros da expedição fazem muito mais do que pilotar botes. Cada um na sua especialidade e paixão, apresentam elaboradas palestras sobre temas como ornitologia, biologia marinha e geologia. Além disso, têm um nível notável de comprometimento, paciência e gentileza. 

Talvez essa seja o cerne de uma operação complexa que envolve usar botes, desembarcar em segurança e garantir a harmonia entre dezenas de turistas tão heterogêneos. É um navio pequeno, éramos 81 passageiros a bordo, com idades entre 31 e 89 anos. Havia uma alta concentração de viajantes acima dos 60 anos, principalmente americanos, canadenses, chineses e ingleses. Em comum, o interesse em visitar um dos cantos mais exclusivos da Terra e a disposição de pagar valores a partir de US$ 16.995, sem passagem aérea. 

Dia a dia. A rotina no navio se divide em dias de desembarque e dias de navegação. Em comum, o despertar cedo, no máximo às 7h30, sempre com a voz leve do chefe da expedição pelo alto-falante da cabine, repassando as atividades previstas. 

Achei que me entediaria com a paisagem em algum momento, mas a coisa parecia só melhorar a cada dia. “Como o tempo é imprevisível, só na véspera defino o plano A. Os passageiros são uma folha em branco e têm uma história que eu quero contar. Esse é o meu storytelling”, explica Brandon Harvey, diretor de operações da Polar Latitudes e há mais de 15 anos nos mares do sul.

A bordo, tecnologia via satélite e até internet (cara e lenta, é verdade) para os mais conectados. Conhecimento não falta. Além de paredes com dezenas de mapas, ilustrações e aquarelas da fauna antártica, cada andar homenageia um explorador com fotos e relatos. Tudo é inspiração e, na bem servida biblioteca, entre ensaios e romances, uma vasta sessão se dedica a explicar o que os olhos veem ao redor. 

Há uma retrospectiva no fim de cada dia com curiosidades extras sobre os pontos visitados – o nome daquela ave diferente ou por que tal nuvem tinha tal formato – e uma preleção para o dia seguinte. Calmarias ou encrencas climáticas são igualmente debatidas. O ambiente é leve e quase todos fazem perguntas. Uma família eclética e multinacional vai se construindo. Para se despedir, emocionada, em Ushuaia

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O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 04h29

Quando desembarquei do bote sobre o cascalho preto da praia de Salisbury Plain, foi como se tivesse entrado em outra dimensão. Como se eu não fosse mais um humano com casacão vermelho e câmera fotográfica em punho. Por vezes, o sol até aparecia, mas imperava um frio de temperaturas negativas. Uns 10 pinguins-reis logo se aproximaram, curiosos. Mais atrás, lobos-marinhos-antárticos e elefantes-marinhos despreocupadamente esparramados. Difícil segurar a emoção. 

A Geórgia do Sul causa esse efeito na gente. Considerada a mais pulsante das ilhas subantárticas, reúne a maior concentração de mamíferos e aves do Atlântico Sul. Grandes metrópoles selvagens, Salisbury Plain e Saint Andrews, as duas maiores colônias de pinguins-rei da ilha, concentram cerca de 350 mil indivíduos. “Parece Tóquio”, brincou um dos guias. No mar, é comum avistar baleias jubarte e franca. Pelos ares, desfilam petréis gigantes e albatrozes

“A vida é tão exótica e farta que faz Galápagos parecer uma fazendinha para criança”, exagera o engenheiro Sebastian Coulthard, membro da expedição e especialista em história antártica. Para além dos bichos, a geografia da ilha, com 2,5 vezes o tamanho da cidade de São Paulo, é dramática, repleta de montanhas nevadas de até 3 mil metros de altitude, geleiras, fiordes e baías. E apenas 8 mil visitantes pisaram ali na última temporada.

Outro desembarque ali foi em Gold Harbour, uma enseada compacta, onde quase não descemos em razão da quantidade de elefantes-marinhos ocupando a praia. Pinguins-rei iam e voltavam do mar trazendo alimento para os filhotes, de plumagem marrom. Emoldurando tudo, um dos mais belos glaciares da viagem, que outrora tocava a praia e é uma das provas de que as geleiras estão retraindo. 

Na Antártida, nem todas as belezas estão em terra firme. Ao longo de três horas de navegação pelos quase 11 quilômetros de extensão do Drygalski Fiorde, era impossível deixar o convés do navio, mesmo com as fortes rajadas de vento castigando os cruzeiristas. Parecia que estávamos colados aos blocos, que caíam aos poucos. Montanhas pontiagudas e nevadas, como as dos Andes ou as do Himalaia, brotando do fundo do mar é algo surreal.

Passado. O capitão James Cook aportou na Geórgia do Sul em 1775 e a reclamou como britânica. Depois vieram os caçadores de focas e baleeiros ao longo do século 20. Principalmente noruegueses, receberam licença para abater e processar centenas de milhares de baleias até 1965. Por décadas, a ilha foi a maior produtora mundial. 

Hoje, o foco é a preservação. Desde o fim da cessão do território aos noruegueses nos anos 1960, o Reino Unido mantém na ilha uma estação de pesquisa com cerca de 15 cientistas que se alternam em ciclos de 6 meses a um ano. A base fica em Grytviken, a maior das usinas, e na antiga casa do gerente funciona um museu com a história da ilha e bichos empalhados. É o único momento em que se pode tocar na pele de pinguins e focas e perceber sua textura – nada de encostar nos animais vivos, a regra é clara. Ali há um posto dos correios com cartões-postais (que saem com carimbo da Antártida), além de uma lojinha de souvenirs. 

O homem, a lenda. A Geórgia do Sul ficou famosa também pela história do navegador inglês Ernest Shackleton, que em 1914 pretendia cruzar o continente antártico passando pelo Polo Sul. À frente de 27 homens, o capitão viu seu navio, o Endurance, ficar preso numa banquisa e ser esmagado pela pressão do gelo. A partir dali se consumou, quiçá, a mais impressionante história de sobrevivência da navegação. Durante dois anos os homens ficaram desaparecidos – mas todos saíram com vida. 

Depois de sair da Ilha Elefante numa travessia de 1.500 quilômetros em 16 dias, a bordo de um barco salva-vidas, Shackleton e mais cinco homens chegaram à Geórgia do Sul. Porém, do lado sul da ilha, dividida por uma cordilheira e geleiras com enormes fendas. O Shackleton e mais dois homens, fizeram o percurso em 36 horas – sem mapas. 

Caminhamos pelo último trecho dessa aventura, os 6 quilômetros que ligam as baías de Fortuna e Stromness. Foi emocionante alcançar o exato ponto em que os homens avistaram a estação baleeira, cujas ruínas seguem ali. O apito da fábrica foi a certeza de que estavam a salvo. Era 19 de maio de 1916, mas ao ecoar sua buzina pelo vale 101 anos depois da jornada, o Hebridean Sky nos fez sentir um arrepio extra. 

Shackleton descansa no pequeno cemitério de Grytviken, onde morreu de enfarte em 1922. É tradição jogar um pouco de uísque em sua lápide. Ah, e na saída, fechar o portão para as focas não entrarem. 

Num caiaque, remando entre blocos de gelo

Da coleção de vivências desta viagem gelada, remar um caiaque na Antártida é a que mais causa surpresa. A sensação é de estar muito mais envolto na natureza, sem intermediários, como nos passeios em botes com motor de popa. “Você está consigo mesmo, num mundo de silêncio, que não existe. Essa experiência tem a ver com estar em harmonia com a Antártida, talvez o lugar mais cheio de paz que existe”, explica Ewan Blyth, instrutor de caiaque da Polar Latitudes. 

A atividade é cobrada à parte (custa US$ 695) e é limitada a 16 passageiros, que precisam aderir para a viagem toda – não dá para ir apenas uma vez e pagar avulso. É um contrato peculiar, pois não dá para prever quantas vezes haverá condições propícias de as pequenas embarcações irem para a água. Daí, a cada desembarque em que o mar “está pra caiaque”, os integrantes do grupo são convocados pelo alto-falante e podem optar se irão remando ou de bote. Mas vale muito a pena. 

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O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 04h28

Nenhuma operadora consegue prometer com exatidão os pontos de visitação de um cruzeiro pela Antártida. O motivo é simples: o clima ali muda repentinamente. Com a ajuda de mapas meteorológicos, o chefe da expedição planeja para o dia seguinte os pontos de visitação. A ideia é que cada desembarque coloque o visitante em contato com ambientes e animais diferentes dos dias anteriores. Aqui, os lugares mais marcantes por onde passei. 

Baily Head, Ilha da Decepção

Formada pela erupção de um vulcão inativo, a ilha tem formato de ferradura e é uma das mais visitadas pelos cruzeiros. Mas poucos guias haviam desembarcado nesse ponto, que geralmente tem muitas ondas. Vimos de perto a mais pulsante colônia de pinguins-de-barbicha da Península Antártica. Com mais de 150 mil indivíduos, esta cidade tem enormes vias – as chamadas “highways de pinguim” –, por onde enormes grupos vão à praia se alimentar de krill e trazer pedrinhas para seus ninhos.

Ilha D’Hainaut, Porto Mikkelsen

Pequenina, a ilha resume bem o que é uma vila de pinguins-gentoo, com cerca de 15 mil indíviduos. Agrupados em ninhos, por casais, e em espécies de quarteirões, os pinguins transitam desajeitados por caminhos esburacados. No alto da colina, há uma antena, e do lado oposto, uma pequena casa de madeira construída como posto de sobrevivência pela marinha argentina. 

Antarctic Sound,  Mar de Weddell

Era para ser o único dia sem desembarques, por causa de fortes ventos que chegavam a 80 km/h. Mas virou um desfile de icebergs tabulares, com o topo bem horizontal e plano, e outros que já haviam girado e tinham seus topos cobertos com o que parecia ser neve macia. Margeamos com o navio uma vasta camada de fast ice, formação de gelo extensa, com altura de 50 centímetros a 2 metros, atrelada ao continente ou a geleiras. Sobre ela, algumas focas e os únicos pinguins-de-adélia da navegação. 

Porto Neko, Península Antártica

Ponto de desembarque confortável, com águas sempre calmas, de um azul-chumbo. Cerca de 30 mil gentoos se espalhavam pela baía enquanto algumas focas-de-weddell repousavam preguiçosas. As montanhas formam um anfiteatro natural, com uma geleira de onde um enorme bloco se desprendeu. Ali foi celebrado o casamento entre Habir, o médico indiano da expedição, e Laura, sua noiva francesa. Pinguins passando ao redor e uma neve leve caindo na hora do “sim” deram o tom de conto de fadas da cerimônia celebrada pela ornitóloga Hannah.

Ilha Half-Moon, Shetland do Sul

No último desembarque da viagem, descobri que os saltitantes pinguins-de-barbicha não eram as criaturas mais fofas do mundo. Em meio a paredões de basalto forrados por um líquen vermelho, um único exemplar de pinguim-de-testa-amarela foi aceito e incluído entre os mais de 40 mil de barbicha. Um inesperado par de elefantes-marinhos deu as caras. Na ilha em formato de meia-lua, como sugere seu nome, encontrei ainda uma mamãe foca-de-weddell com seu bebê, de cerca de um mês. Entre uma mamada e outra, o pequeno ia descobrindo suas nadadeiras e cauda. E derretia os corações. 

Ilhas Falkland (ou Malvinas)

Foi o primeiro desembarque depois da saída, dois dias antes, de Puerto Madryn, na Argentina. Port Stanley, a capital, é um pedaço da Inglaterra, com casas em estilo vitoriano, cabines telefônicas vermelhas e mão inglesa. Durante poucos meses, em 1982, o local ganhou o nome de Puerto Argentino, antes de as tropas inglesas retomarem o controle das 776 ilhas na Guerra das Malvinas, que matou 907 pessoas. Diferentemente dos outros desembarques, ali vivem 3 mil habitantes entre uma grande concentração de vida selvagem. 

Os 55 mil visitantes que no ano passado aportaram em cruzeiros nas Falkland encontraram em Port Stanley lojinhas de souvenir, três pubs, uma igreja católica e uma anglicana. Um museu narra a saga desde os colonos pioneiros no início do século 19. Um dos legados tristes da guerra dos anos 1980 são as 20 mil minas terrestres ainda ativas em 117 áreas suspeitas. Tudo bem cercado e sinalizado, como na idílica praia de Gipsy Cove, cuja areia não pode ser pisada. Um grupo de zimbabuanos trabalha diariamente para livrar as ilhas desse pesadelo.

Com praias de águas translúcidas a ilha de West Point honrou a responsabilidade de ser o cartão de visitas da viagem. Debruçada sobre um penhasco à beira-mar, a colônia de pinguins-de-penacho-amarelo (rockhopper) e albatrozes é estonteante. Tanto ou mais do que as águas de The Neck Beach, praia com águas tão claras que justificariam a confusão das ilhas Malvinas com as tropicais Maldivas, lá no Oceano Índico. Ali vimos a maior diversidade de pinguins da viagem num único lugar, com gentoos, reis e de Magalhães. E era só o começo. 

Rotina animal

Para não confundir 

É difícil entender as diferenças sem vê-las de perto. O básico: lobos-marinhos têm orelhas e focas, não. As de Weddell têm manchas pela barriga e cabeça pequena.  Já as focas-leopardo são um pouco maiores (chegam a quase 4 metros), mais agressivas e têm o focinho arredondado. 

Voar, voar 

A maior parte das aves vistas na viagem não voa (sim, estamos falando dos pinguins). Mas outros pássaros marcam a jornada. O albatroz-real e o albatroz-errante têm envergadura de até 3,50 metros e são as maiores aves do mundo. Os petréis-gigantes têm olhar ameaçador e comem carniça. Já o biguá-das-shetland exibe uma mancha azul ao redor dos olhos. 

Rainhas do mar 

Nenhum outro lugar do planeta concentra tantas espécies diferentes de baleia – os meses de janeiro e fevereiro são os melhores para avistá-las. Mais numerosas, as jubarte começam a chegar em novembro com filhotes. Com até 27 metros e menos rara do que a azul, a baleia-sei é a segunda maior do mundo. Orcas são raras, mas podem dar as caras em grupos.

O dono do harém 

Elefantes-marinhos até toleram outros machos ao redor, desde que não mexam com seu harém – que pode chegar a 50 fêmeas. Muito maiores, os machos podem ultrapassar os 6 metros de comprimento e 3 toneladas, enquanto as fêmeas não passam dos 3 metros. Vivem 80% do tempo no mar e podem mergulhar a profundidades de até 1.600 metros.

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O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 04h26

Como ir

Várias empresas de cruzeiros levam à Antártida, boa parte saindo de Ushuaia, na Argentina. Viajamos com a Polar Latitudes (cruzeiros de 12 dias a partir US$ 7.995). Quem pretende economizar ou busca uma oferta incrível para ir á Antártida pode separar alguns dias em Ushuaia para tentar as promoções de última hora, os chamados "last minute deals". Como as armadoras evitam sair com cabines vazias, muitas vezes acabam baixando os preços para quem topa embarcar no mesmo dia, ou no dia seguinte. É possível encontrar opções na faixa dos US$ 5 mil, mas nada é garantido. É mais fácil encontrar ofertas no início ou no final da temporada.

 

Quando ir

De outubro a março, da primavera ao verão no Hemisfério Sul. Com menos navios, o começo da temporada é a época do acasalamento. A partir de janeiro, há filhotes, aves e baleias.

 

Dicas 

Vestir-se em camadas: As empresas emprestam (ou até dão) casacos de qualidade para as saídas externas. Por baixo, vista-se em camadas: comece por duas meias térmicas ou de lã.  No corpo, calça e blusa de segunda pele de tecido sintético. Em seguida uma ou duas camadas de fleece térmico grosso no peito ou nas pernas. Casacos de pluma de ganso ou "duvet" podem ser um extra para dias muito frio. Calça impermeável. Par de luvas finas mais par impermeável. Não se preocupe, pois a maior parte dos navios empresta galochas de qualidade para as saídas. 

Enjoo: Na Passagem de Drake e nos outros dias de navegação em oceano aberto o navio balança muito -  é comum os passageiros tomarem remédios antienjoo como Dramin. Os médicos a bordo costumam receitar e medicamentos específicos. Adesivos com sustâncias e pulseiras que pressionam pontos específicos também são artifícios usados.

Plano de saúde: É recomendável um seguro com apólice de, no mínimo U$S 150 mil. 

Equipamento fotográfico: A melhor câmera é aquela com a qual você está familiarizado. Essa é a regra básica para decidir qual equipamento levar. Muitos se satisfazem com seus celulares enquanto outros preferem câmeras leves. Boa parte dos animais está a alguns metros de distância e não é permitido se aproximar deliberadamente dos bichos. Por isso muitos escolhem câmeras profissionais com lentes de até 500mm. É importante considerar um tripé se estiver fotografando a uma distância muito grande. 

Cuidados com o corpo: Por ter mais de 16 horas por dia de sol - podendo chegar a dias inteiros com luz - a Antártida demanda cuidados com a pele. Protetor solar fator 50 ou 60 é obrigatório no rosto, bem como protetor labial. Lembre-se, vento também queima. Em dias com muito vento uma balaclava pode fazer a diferença. óculos escuros e até máscaras de esqui são muito úteis nos dias mais luminosos. Tome muita água e, na cabine, não esqueça o hidrante.

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