St.-Barth para duros

Poucos lugares do Caribe são tão metidos quanto Saint-Barthélemy. No inverno do Hemisfério Norte a ilha vira uma espécie de Saint-Tropez dos trópicos. O porto de Gustavia, a pequena capital, fica lotado de megaiates que chegam antes de seus donos. Celebridades de todos os quilates desembarcam às dezenas, em busca de uma temporada de sol, rosé e paparazzi.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2010 | 01h59

O que quase ninguém sabe é que não é preciso ser quaquilionário para ficar íntimo de St.-Barth (na grafia francesa) ou St. Barts (como preferem os americanos). A ilha não é frequentada apenas por quem pode pagar hotéis de 700 a diária ou passar as noites entretido em menus-degustação nos restaurantes top. Se a sua carteira não é tão recheada, basta seguir os europeus descolados e aproveitar a estrutura voltada para os ilhéus.

Muito além do hype. A badalação é um dos grandes atrativos de St.-Barth, mas não é o único. Até porque a temporada do ver-e-ser-visto é curta - começa no Natal, experimenta o auge no Réveillon e vai murchando aos poucos até desaparecer depois da Páscoa.

Em qualquer época do ano - inclusive durante a altíssima temporada - St.-Barth vale a pena por inúmeras outras razões. Não só pelo que tem (praias lindas, por exemplo), como sobretudo pelo que não tem. A saber: St.-Barth não tem prédios verticais, não tem hotéis enormes, não tem estrutura para atender a grandes navios de cruzeiro, não tem shopping centers. Você pode vasculhar a ilha de cima a baixo, e não vai encontrar um pingo de mau gosto. Não é preciso estar em ambientes caros para apreciar a beleza e usufruir do charme do lugar.

Hotéis BBB? Voilà. St.-Barth começa a se tornar viável para mortais quando você abdica de um endereço glamouroso ou de uma localização pé na areia.

A maior pechincha da ilha é um flat que vem com um carro incluído. Ou seria o contrário? O Auberge de Terre Neuve (lodge-stbarth.com) pertence aos mesmos donos da locadora Gumbs, e por isso oferece um bem-bolado imbatível: por 80 entre maio e novembro ( 150 de dezembro a abril) você aluga um apartamento com varanda, cozinha equipada, Wi-Fi e a chave de um jipinho Suzuki Jimny. O check-in e o check-out são feitos no aeroporto, no guichê da locadora. Com o seu jipinho você chega em 5 minutos à bela praia de Flamands - e em pouco mais do que isso a Gustavia. Querendo apenas o carro, um jipe Jimny sai 270 por semana no início do ano (180 por semana entre abril e dezembro). O seguro contra colisão custa 11 extras por dia (gumbs-car-rental.com).

No centro, o Sunset Hotel (st-barths.com/sunset-hotel) tem quartos básicos porém charmosinhos a 64 na baixa (e 94 na alta). Perto da areia, o melhor negócio é oferecido pelo hotel Salines Garden (salinesgarden.com), que tem cabanas a 140 por noite entre janeiro e abril (90 na baixa temporada), com café da manhã incluído.

Modo de usar. Bem instalado num hotel abordável e com um carrinho à disposição (item de primeira necessidade), é hora de aprender a curtir o dia a dia de St.-Barth à maneira low-cost.

Não é difícil. As duas melhores praias da ilha, Gouverneur e Salines, são públicas, selvagens - e gratuitas. Outras areias são ocupadas por clubes de praia esnobes, como o Nikki Beach e o Tom Beach na praia de St.-Jean, mas em Gouverneur e Salines toda atividade comercial é proibida. Os frequentadores levam geladeirinhas equipadas com bebidas e queijos comprados no supermercado, mais saladas e sanduíches escolhidos a dedo num dos inúmeros traiteurs - delicatessens, em francês - de Gustavia e St.-Jean.

Nada impede que você leve a sua geladeirinha a praias onde há lounges. Muita gente faz isso em Shell Beach, a praia mais próxima do centro (se você está em Gustavia, pode ir a pé), onde fica o badalado bar Dõ Brazil, do ex-tenista Yannick Noah.

O happy hour mais tradicional da ilha é num sujinho do centro, o Le Sélect, onde as Heinekens saem por módicos 3.

Em vez de seguir a lista das revistas chiques, siga a sua intuição, e você vai descobrir lugarzinhos como o restaurante L"Entreacte, no deque da marina de Gustavia, ou a delicatessen italiana Kiki e Mo, em St. Jean, e comer por bem menos do que gastaria em Camburi ou Búzios.

Depois de alguns dias nesse esquema você vai se dar conta de que a sua estada na ilha mais metida do Caribe está praticamente econômica - e de repente vai se animar a fazer alguma extravagância, como marcar um jantar no célebre Maya"s ou se entregar às caipirinhas de 8 servidas no Dõ Brazil.

Como chegar. O acesso a St.-Barth é feito por St. Maarten. A viagem de monomotor leva 15 minutos e custa 130 ida e volta (stbarthcommuter.com).

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