Thiago Momm/Arquivo Pessoal
Thiago Momm/Arquivo Pessoal

Sucessão de atrações ao longo de uma avenida

Quatro quilômetros de prados e florestas separavam o Almirantado do Monastério Alexandre Nevsky. O projeto para conectá-los partiu do arquiteto francês Alexandre LeBlond; a anuência, de Pedro, o Grande; e a mão de obra, de prisioneiros suecos da Grande Guerra do Norte. Assim surgia, no início do século 18, a avenida Nevsky, consolidada como a principal do país pelos 300 anos seguintes.

SÃO PETERSBURGO, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2012 | 02h07

No começo do século 20, se acumulavam pela Nevsky pontes, praças, bondes, carruagens, populares e nobres, no que era um dos grandes bulevares europeus da época. Por ali passaram inúmeros personagens literários e, ao lado do monastério, descansam Dostoievski e Tchaikovski. Lá lutaram, em 1917, os exércitos vermelho e branco na Revolução Russa; na avenida surgiram o prédio da antiga Duma, a catedral Kazan, a biblioteca nacional e, nas quadras em volta, vários dos outros prédios que garantem a grandeza de São Petersburgo.

Embora seja um passeio indispensável, Nevsky se torna um programa ainda melhor com algumas escapadas ali por perto. Para compras, a galeria Bolshoi Gostiny Dvor, à parte o apelo dos seus mais de dois séculos, não se compara ao contemporâneo shopping Galeria, a duas quadras da avenida. Para ocidentais interessados por livros russos, a tradicional livraria Don Knigi não alcança a Anglia Books, a cem metros da Nevsky - se a primeira vale pelo prédio, a segunda oferece uma grande seleção de história e literatura russas em inglês.

Hermitage, Teatro Alexandrinsky, Museu Russo, as suntuosas (e imperdíveis) Catedral de Santo Isaac e Igreja do Sangue Derramado também ficam próximos à Nevsky.

Sair um pouco da avenida significa trocar um excesso de ruído pelo quase silêncio dos melhores parques da cidade. Caso dos Jardins de Verão (no detalhe), reabertos em maio, após longa reformulação. Fontes, pavilhões, 92 esculturas, um café e belos corredores com arcos e trepadeiras recebem os visitantes. Ali está também o modesto palácio habitado por Pedro, o Grande.

Barbas de molho. Quando Pedro, o Grande fundou São Petersburgo, em 1703, o espaço onde ficaria a cidade era apenas um pântano, e os russos, para alguns estrangeiros, não mais que "ursos batizados".

O preconceito se devia ao pouco contato dos barbudos russos com o Ocidente. Em 1697, Pedro reuniu mais de 250 pessoas e foi o primeiro czar a fazer expedição significativa pelo mundo ocidental, viagem conhecida como a Grande Embaixada. Em centros como Londres e Amsterdã, o czar ampliou seus conhecimentos navais para construir uma flotilha, o que almejava, mas foi muito além: depois da viagem, a Rússia ganharia novo calendário, novo alfabeto, o primeiro jornal, uma academia de ciências e uma educação secular - mas perderia as barbas, que o czar proibiu e, em muitos casos, cortou pessoalmente.

No delta do Rio Neva, à beira do Golfo da Finlândia, São Petersburgo se tornaria a capital russa entre 1712 e 1918. Poucos queriam morar naquele emaranhado de ilhas frequentemente inundadas, mas, à base de incentivos (e convites forçados), a cidade já contabilizava 34 mil prédios em 1714.

São Petersburgo começou pela Fortaleza de Pedro e Paulo, planejada como defesa contra os suecos. A atração mais visitada da fortaleza é a sua catedral, com 122 metros de altura, interior barroco e tumbas de quase todos os czares - como a do próprio Pedro. Bem menos turistas passam pela Bastilha Trubetskoi, onde ficaram presos Dostoievski, Trotski e Gorki, e pela Casa do Almirante, com preciosos objetos da história da cidade. /T.M.

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