Sergio Neves/AE
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Todos os caminhos partem e levam à antiga capital Cuzco

'Umbigo do mundo' mescla indícios do esplendor de sua época áurea a serviços turísticos para todos os gostos e bolsos. Com direito a boa gastronomia, passeios históricos e até aventura

Fábio Vendrame / CUZCO,

10 Maio 2011 | 06h00

Todos os caminhos incas levam a Cuzco, e a antiga e eterna capital sagrada leva a todos os cantos daquele que foi o único império das Américas. A atual Praça de Armas, histórica Haukaypata, é o marco zero da civilização que se ergueu sobre os Andes, se esparramou pela costa do Pacífico e avançou Floresta Amazônica adentro. Hoje, o "umbigo do mundo" (tradução de Cuzco em quéchua) mantém indícios de seu esplendor e serve de base para os viajantes explorarem o Vale Sagrado e, claro, Machu Picchu.

 

A 3.400 metros de altitude, Cuzco contabiliza mais de 400 mil habitantes e dispõe de diversos serviços turísticos. Há hospedagem e restaurantes para todos os gostos e bolsos, além de agências com os mais variados tours, de visitas à rica herança incaica a atividades radicais: rafting no Rio Urubamba, trekkings puxados, mountain bike e outras opções. Dentre elas, a mais esquizofrênica, de longe, é o bungee jumping em que quem se joga nu não paga.

 

Ocupada por turistas do mundo todo, Cuzco também se destaca por uma noite das mais badaladas. Redutos tradicionais, como o Mama África, e modernosos, como o Incabar, reúnem gente disposta a varar a madrugada. A noitada rola solta ao redor da Praça de Armas, ponto de referência estratégico para conseguir encontrar o caminho do hotel.

 

Mas é de dia que Cuzco encanta quem a visita. Projetada e erigida sob o governo de Pachacútec, o maior dentre os poderosos incas, a cidade tinha originalmente a forma de um puma, animal cultuado nos Andes, de acordo com a visão de cosmos que norteou todas as ações dos povos pré-hispânicos. Era delimitada pelos Rios Sapi e Tullumayo.

 

Na parte mais alta está Sacsayhuaman, território sagrado interpretado pelos espanhóis como fortaleza militar por causa das imensas muralhas megalíticas, as maiores do mundo andino, que a cercam. Tratava-se, na realidade, de um imponente centro de culto religioso e devoção a 3,6 mil metros de altitude.

 

Em Sacsayhuaman celebra-se atualmente o Inti Raymi, ou Festa do Sol, a grande comunhão do povo inca. A encenação ocorre durante o solstício de inverno, em 24 de junho, e reúne milhares de curiosos, um grande orgulho para os cusqueños - e fonte de renda garantida para a cidade.

 

No entanto, a obra-prima de Qosqo, grafia original em quéchua de Cuzco, é o Qoricancha. Ali ficava o Templo do Sol, cujas paredes estavam recobertas por lâminas de ouro e de prata, e oferecia áreas de culto às deidades do Tahuantinsuyo, o nome autêntico do Império Inca, entre eles Wiracocha (divindade suprema), Inti (Sol), Quilla (Lua), Chaska (Vênus), Jacumama (Água), Illapa (Trovão) e outros.

 

Funcionava também como centro de peregrinação e abrigava sarcófagos incas, cujas múmias de governantes e entes das castas nobres eram recobertas por ouro, joias e adornos, além de utensílios de uso diário. Depois da chegada dos espanhóis, em 1532, o Qoricacancha foi pilhado e destruído. Sobre seus alicerces ergueu-se o Convento de São Domingos.

 

O mesmo ocorreu na atual Praça de Armas, a Haukaypata incaica: onde hoje estão a Catedral e a Igreja da Companhia de Jesus também funcionavam templos incas. Pertinho dali, na Rua Hatum Rumiyoc, encontra-se a pedra de 12 ângulos, um dos símbolos de Cuzco. O bloco compunha o muro da residência de Inca Roca, onde hoje é o Palácio do Arcebispo. Essa estreita via de pedras ancestrais conduz a um belo passeio pelos bairros mais autênticos, como San Blas. Deixe-se levar.

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