Viagem

Tóquio, cheia de tradição e estilo

O maior cruzamento do mundo, meninas vestidas de bonecas, templos centenários, tecnologia, peixe, parques, saquê; veja dez sugestões para começar a desvendar a singular e acolhedora cidade

10/03/2015 | 03h00    

Bárbara Ferreira Santos - O Estado de S. Paulo

Senso-ji, budista

Senso-ji, budista Foto: Bárbara Ferreira Santos

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TÓQUIO - Às portas da primavera, que começa em alguns dias no Hemisfério Norte, cerejeiras por todo o Japão se cobrem de delicadas e efêmeras flores em vários tons entre o branco e o rosa. Não à toa, é a época em que mais turistas chegam ao país. Nos outros períodos, como o outono em que estive na capital, Tóquio, a pouca presença de “gringos” faz uma brasileira morena e de cabelos cacheados, meu caso, chamar a atenção por onde passa. Alguns dos reservados japoneses chegam a pedir para tirar foto. 

Apesar da timidez (para os nossos padrões) que os caracteriza, do idioma tão diferente e de não serem tantas as pessoas que falam inglês, os moradores são solícitos. É com ajuda deles, dispostos até mesmo a mudar o próprio trajeto para acudir o forasteiro, que você reencontrará seu caminho quando se perder, o que vai acabar acontecendo às vezes. 

No bairro de Akihabara, o da tecnologia, dos cosplays e dos animes, gestos foram suficientes para que mãe e filha entendessem que eu precisava chegar a uma entrada específica da estação de metrô. Sem palavras, elas me levaram até lá e ainda esperaram, acenando, que eu descesse pela escada rolante. 

Em outro momento, no sudoeste de Tóquio, ao desembarcar na estação de metrô Yoyogi-Koen, quando era para ter descido na seguinte, Yoyogi-Uehara, percebi o erro já na rua. Estava à procura de um restaurante especializado em saquês. Uma mulher de máscara cirúrgica – acessório comum no Japão durante os meses frios – parou seu trabalho de limpar uma fachada para responder, em inglês, que não conhecia o tal restaurante, mas me ajudaria a procurar no Google. 

Masami Dshibashi, de 59 anos, ainda me convidou a entrar em seu comércio para fugir do frio de 6 graus, depois fechou a loja e tomou o metrô comigo. E foi assim que ganhei uma companhia para o jantar, uma amiga e uma guia especializada em saquês. 

Cores e valores. Tóquio, a cidade com o maior cruzamento do mundo, uma rede de metrôs e trens de ponta a ponta e arranha-céus capazes de suportar fortes tremores de terra também é a terra dos templos, dos jardins e dos deques.

Na capital japonesa, é possível viver o fervor da cidade e também a sutileza das tradições milenares. Ruas de comércio fervilhante abrigam templos silenciosos. Convivem o respeito inquestionável ao próximo e o comportamento rígido com a expressão da individualidade e a exibição de estilos que caracterizam o moderno bairro de Harajuku, onde jovens usam perucas coloridas e vestidos de boneca. 

Ao mesmo tempo em que há superlotação de pessoas, tudo flui. Quase não se escutam buzinas no trânsito, as pessoas são cordiais no transporte público e nem mesmo chuvas e pequenos terremotos (sim, eles ocorrem!) tiram a rotina do eixo. 

É um lugar onde a engenharia se desenvolveu tanto a ponto de todos os espaços possíveis serem ocupados: nas torres comerciais, em lojas e até nas estações de metrô, o subterrâneo esconde shoppings gigantescos, que descem muitos andares abaixo da superfície. 

Em poucos dias é possível visitar os principais cartões-postais da cidade, como as ruas agitadas de Shibuya e Shinjuku, com seus bares e karaokês, e o templo de Asakusa. Ao longe, na Tokyo Skytree ou no deque do Museu Mori Art, em Roppongi, a vista é do Monte Fuji, revelado em meio ao emaranhado dos prédios. No interior de um dos maiores templos da capital japonesa, o Meiji Jingu, domingo é dia de se aglomerar com os demais turistas para assistir a um tradicional casamento xintoísta ou desacelerar no reservado jardim interno. 

Nos bares, os japoneses revelam um surpreendente lado divertido e chegam mesmo a conversar com turistas das mesas vizinhas. Também é em Tóquio que se aprende que o Japão é terra do saquê... e da cerveja. Os japoneses apreciam a bebida e possuem excelentes marcas.

Durante o jantar que acabamos compartilhando exclusivamente por conta de sua boa vontade em ajudar, a comerciante Masami Dshibashi resumiu a acolhida japonesa: “Por favor, conte na sua reportagem que o Japão é um país de povo amigável, humilde, que quer ajudar”. 

Só por esse bom tratamento já compensaria viajar para o outro lado do mundo. A seguir, você descobre outros dez motivos para colocar Tóquio no alto da sua lista de lugares a visitar. 

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A repórter viajou a convite do governo do Japão.


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