Trem: para quem tem medo de vulcão

Depois que o implacável (e insoletrável, impronunciável) Vulcão Eyjafjallajoekull provocou o caos aéreo na Europa ? primeiro no norte, depois no sul do continente ?, muita gente passou a ter receio de avião por motivos inteiramente diferentes dos habituais. Não são poucos os que estão repensando a próxima viagem à Europa para usar o avião o mínimo necessário.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2010 | 02h41

Se esse é o seu caso, tome cuidado. O trem é o mais europeu dos meios de transporte, mas não se presta a qualquer roteiro, não. Por mais que a malha ferroviária de alta velocidade tenha se alastrado nos últimos anos, cruzar o continente de trem ainda é penoso e, sobretudo, caro. Aquele passe baratinho de trinta dias consecutivos da época do mochilão dos seus pais não existe há muito tempo.

Pense no trem para viajar dentro de um país ou entre países contíguos. Planeje um roteiro com deslocamentos de até três, no máximo quatro horas (ou até duas horas em esquema bate-volta). Dessa maneira você só vai experimentar as vantagens do trem: chegar e sair do centro das cidades, embarcar sem burocracia (só há check-in nos trens rápidos da Espanha e no Eurostar), desembarcar já com a sua bagagem.

Veja as oportunidades e as inconveniências do trem nos principais destinos de brasileiros na Europa:

Portugal. O carro é o meio de transporte ideal para esquadrinhar Portugal. O trem é ótimo para viajar entre Lisboa, Coimbra e o Porto, mas é superado pelo ônibus para lugares como Fátima, Óbidos e Évora. As ligações ferroviárias com a Espanha são deficientes. De Lisboa a Madri só há um horário de trem ? e noturno. Para a Andaluzia, apenas ônibus, via Algarve (Albufeira ou Faro).

Espanha. As linhas de alta velocidade de longa distância são poucas: Madri-Saragoça-Barcelona, Madri-Córdoba-Sevilha e Madri-Málaga. Ou seja: para ir da Andaluzia à Catalunha é mais rápido passar por Madri. As ligações com a França são lentas. O trem de Madri a Paris leva 14 horas; o de Barcelona a Paris, 10 horas. Ao sul da França, desde Barcelona, são 4h30 até Montpellier, 7 horas até Avignon e 10 horas até Nice.

França. O TGV é tão francês quanto a baguete. Saindo de Paris, você dificilmente leva mais do que três horas para chegar a qualquer lugar. As tarifas promocionais entram no sistema com três meses de antecedência. Compre em voyages-sncf.com.

Eurostar (Paris-Londres). Atravessar o túnel é tedioso, mas é mais rápido que ir de avião (incluindo as viagens aos aeroportos e a antecedência do check-in). Se for partir de Paris, compre em voyages-sncf.com; de Londres, em eurostar.co.uk. Simule também o valor da viagem ida e volta; às vezes sai mais barato do que somente a ida.

Bélgica & Holanda. Com exceção dos horários do Thalys (que faz a rota Paris-Bruxelas-Amsterdã), nenhum outro trem exige reserva de assento. Há passes diários e passagens ida e volta muito em conta. As duas capitais são bases perfeitas para viagens bate-volta.

Alemanha. Outro país em que dá para subir sem reserva e comprar a passagem dentro do trem ? com exceção das linhas ICE Sprinter. Compre com 89 dias de antecedência em bahn.de/international e encontre passagens promocionais desde 29. Na Baviera, aproveite o Bayern-Ticket, que, por apenas 28 dá direito a cinco pessoas viajarem juntas durante um dia nos trens regionais.

Suíça. Se você sonha em fazer uma viagem de trem por causa da paisagem, não há lugar mais indicado. Há trens panorâmicos caros, mas mesmo nos comuns a vista é deslumbrante. Considere fazer um Swiss Pass.

Itália. Perfeitamente factível de trem, desde que você não resolva atravessar de norte a sul numa viagem só. Sempre que possível, escolha os trens mais modernos (ES AV). Os InterCity são bastante lentos.

Leste Europeu. Leve paciência na bagagem: os trilhos são vagarosos e os trens, antiquados. O lado bom: as passagens são superbaratas. Deixe para comprar os trechos logo ao chegar: não há venda online, e os representantes no exterior cobram sobretaxas salgadas.

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