Ricardo Freire/AE
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Trens na Europa: modo de usar

Veja como encaixar sua viagem no modo mais autenticamente europeu de viajar

Ricardo Freire - turista.profissional@grupoestado.com.br,

28 Abril 2011 | 06h00

Começou a primavera no Hemisfério Norte - e com ela, a melhor época para viajar de trem pela Europa. Veja como encaixar sua viagem no modo mais autenticamente europeu de viajar.

 

Para que serve. O trem é o meio mais rápido e civilizado de chegar a qualquer lugar situado a até 4 horas de distância. Para comparar: um voo de uma hora de duração costuma resultar nas mesmas 4 horas de viagem, contando os perrengues envolvidos no deslocamento, check-in e recolhimento de malas. O trem deixa você no centro da cidade, muitas vezes a poucos passos do seu hotel. É imbatível para explorar regiões delimitadas, com paradas em cidades de médio e grande porte, onde o carro seria um estorvo.

 

Para que não serve. Na hora de cobrir grandes distâncias, o trem perde feio para o avião. Oito ou dez horas num trem podem ser ainda mais desgastantes do que o mesmo período no ar. Trens também não são interessantes como se imagina para apreciar paisagens. Claro que existem as rotas realmente panorâmicas, mas são poucas (as da Suíça são imbatíveis). Nos trens de alta velocidade, então, só se vê um borrão na janela. Para apreciar o caminho (percorrendo estradas secundárias), o carro ainda é mais indicado na maioria dos lugares.

 

Estude sua viagem. Quanto tempo leva o trem entre Budapeste e Viena? Quais são as paradas intermediárias de Milão a Florença? Será que dá para ir e voltar confortavelmente de Paris ao Monte St.-Michel no mesmo dia? O lugar para você começar a destrinchar a sua viagem de trem pela Europa é no site da Deutsche Bahn, a ferrovia alemã: bahn.de/international. Desde os primórdios da internet, a Bahn oferece o melhor (e mais amigável) banco de dados sobre as ferrovias de toda a Europa. Dica: simule viagens sempre nos próximos 30 dias.

 

Onde vão as malas? No trem você não despacha as malas, nem tem nenhuma restrição de peso a transportar. A limitação está justamente no tamanho de bagagem que você consegue carregar sozinho para dentro do trem e armazenar nos compartimentos disponíveis. Malas maiores devem ser postas nas prateleiras que se encontram na entrada dos vagões; se já estiverem ocupadas, você vai ter que fazer força para pôr no compartimento acima do seu assento. A experiência leva os passageiros de trem a viajar leve. Procure levar uma mala de quatro rodinhas tamanho M (65 centímetros de altura, em pé). E também um cadeado de bicicleta para prender a mala ao gradil da prateleira, e assim não passar aflição enquanto a mala não estiver sob a sua mira.

 

Trem noturno: pense duas vezes. Muita gente sonha em viajar de trem à noite. Lamento informar que não é tão divertido quanto ver neve ou subir na Torre de Pisa. Trens chacoalham, fazem barulho, param em estações pelo caminho (ocasiões em que sobem e descem passageiros). Quem não está acostumado pode acabar pagando para passar a noite em claro. Chegar cedo demais ao destino também pode não compensar: poucas cidades funcionam antes das 9 ou 10 horas, e é provável que o quarto do seu hotel só esteja disponível depois do meio-dia.

 

Passes valem a pena? Os passes de trem já não compensam como antigamente. Hoje em dia não são emitidos por dias corridos, mas por dias estanques de viagem. Na ponta do lápis, só valem muito a pena quando envolvem longos deslocamentos - justamente aqueles que são melhor feitos de avião. Comprando com antecedência trechos ponto a ponto diretamente nos sites das companhias ferroviárias europeias você consegue tarifas descontadas. No entanto, para compras de última hora - quando os descontos já se esgotaram - os passes podem se justificar economicamente também.

 

A maior vantagem é poder mudar o itinerário (dentro da área de abrangência do passe). A parte chata é precisar fazer reservas de assentos em trens rápidos ou internacionais - e pagar entre 4 e € 22 de taxa suplementar por viagem. Nos trens noturnos os suplementos vão de € 25 (beliche num compartimento de seis) a € 105 (cabine individual). Os passes mais vantajosos são o German Pass (válido na Alemanha, com direito a ir até Salzburgo na Áustria e Basileia na Suíça) e o Swiss Pass, que dá direito também a barco e ônibus.

 

Passagens ponto a ponto: macetes. Na ponta do lápis, o melhor negócio é descolar seus trechos ponto a ponto diretamente nos sites das companhias ferroviárias europeias. Comprando com antecedência no site do país no qual se origina o trecho pode garantir descontos de até 70%. Na bahn.com/international (Alemanha), trechos de € 19 e € 29 aparecem 81 dias antes da data. Na voyages-sncf.com (França), as tarifas Prem e Loisirs aparecem com 90 dias de antecipação. Na trenitalia.com (Itália), as tarifas Mini (60%) dos trechos de alta velocidade aparecem com 60 dias. Na renfe.com (Espanha), as tarifas Web e Estrella começam a pulular entre 120 e 90 dias antes da viagem.

 

Você também pode xeretar ofertas em thalys.com (Paris-Bruxelas-Colônia-Amsterdã), nshispeed.com/en (Holanda), obb.at/en (Áustria), sbb.ch/en (Suíça), cp.pt (Portugal) e thetrainline.com (Reino Unido). Para comprar passagens no Eurostar saindo de Londres, use eurostar.co.uk; saindo de Paris, sncf-voyages.com.

 

Passagens ponto a ponto: pegadinhas. Não tente comprar com antecedência demasiada: antes dos prazos descritos no parágrafo anterior, os trens (e os descontos) podem ainda não estar inseridos no sistema. No voyages-sncf.com, não saia da versão francesa; se você mudar para a versão inglesa, vai ser redirecionado ao site do TGV internacional, onde os descontos mais polpudos não aparecem. Na trenitalia.com, reserve os trechos em alta velocidade separadamente dos trechos regionais (que não oferecem descontos grandes porque já são normalmente baratos).

 

Na bahn.de, as passagens com origem fora da Alemanha (por exemplo: Praga-Berlim) não dão direito a e-ticket; a entrega então é só pelo correio, que leva três semanas até o Brasil. O maior problema com esses sites é que muitos deles (Renfe e Trenitalia, sobretudo) encrencam com cartões emitidos no Brasil. A blogueira Dri Setti, que mora em Barcelona, descobriu que o Diners Club é aceito sem problemas na Renfe; quem não tiver o cartão pode tentar os trechos espanhóis mais importantes no site de reservas Atrapalo.com.

 

Onde comprar em português. Caso você não queira esquentar a cabeça com sites estrangeiros e esteja disposto a pagar pelo serviço, há ferramentas próprias para brasileiros. A própria Rail Europe (o consórcio de companhias ferroviárias liderado pela SNCF francesa) tem um site em português do Brasil, o raileurope.com.br. Há uma sobretaxa de R$ 35 por trecho e mais R$ 25 para entrega por DHL (cobrada uma única vez). No site a companhia pede oito dias para entregar a passagem, mas na internet é fácil achar reclamações de quem não recebeu a tempo e não consegue ser atendido nem pelo telefone nem pelo e-mail de contato.

 

Há também os sites de revendedores brasileiros, como a ttoperadora.com.br, que cobra por passageiro (não por trecho) € 30 de taxa de emissão e € 15 de taxa de comunicação, e tem um serviço de pós-venda eficiente. As mesmas condições são oferecidas por agentes de viagem.

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