Felipe Mortara Estadão
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Tudo azul na Laje de Santos

Parque marinho no litoral paulista tem farta vida subaquática; de maio a agosto, as arraias-manta são as visitantes mais esperadas

Felipe Mortara, Estadão

13 Abril 2015 | 17h37

No meio do mar tinha uma pedra, ou melhor, um rochedo. Sobre ele, centenas de ninhos de atobás. Entre os atobás, o apetite por peixes. Para matar essa fome, fartos cardumes nadando ao redor. Em volta deles, tartarugas, golfinhos e arraias-manta. No mesmo quadro, um naufrágio cênico e grupos de mergulhadores desfrutando dos 5 mil hectares de área preservada do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, o único do tipo no Estado de São Paulo.

Diferentemente do que o nome indica, os pontos de partida para visitar a reserva são marinas de São Vicente, a 77 quilômetros de São Paulo.Um excelente destino de bate-volta, que abriga a mais farta vida subaquática do Estado. Ao longo do ano, todos os fins de semana e feriados, seis operadoras regulamentadas por órgãos ambientais organizam saídas em lanchas rápidas, que levam cerca de 1h30 até o parque. O deslocamento e o aluguel de cilindro para dois mergulhos custa, em média, R$ 390 para certificados. Durante o trajeto, é comum avistar bandos de golfinhos, que não hesitam em acompanhar o barco. Emocionante.

Mergulhadores certificados aproveitarão muito mais as belezas submersas desse santuário, a 42 quilômetros da costa. No entanto, algumas empresas, como Orion e Cachalote, oferecem mergulhos de “batismo” para não credenciados, acompanhados de um instrutor (R$ 550, uma descida). Escolas de mergulho, como a Sea View (seaview.com.br), podem levar alunos para o chamado check-out, prova prática antes do diploma, se as condições do mar permitirem. Cursos completos desde R$ 1.920, com quatro mergulhos na Laje.

No caminho, os imensos navios cargueiros que aguardam ancorados permissão para adentrar o porto de Santos, vão ficando para trás. A navegação costuma ser suave no verão e no outono, e a visibilidade pode alcançar 40 metros. É possível mergulhar o ano todo, mas de maio a agosto o parque recebe visitantes costumeiras: imensas arraias-manta, que podem chegar a 4,5 metros de envergadura.

Depois de quase duas horas de navegação, a chegada ao parque espanta. Em meio ao azul do Atlântico, brota um imenso rochedo de 550 metros de comprimento, 198 de largura e 33 de altura. Não há praias ou areia. A palavra “laje” faz alusão à formação rochosa marinha que ultrapassa a superfície. Os atobás, às centenas, nos ninhos e voando à espreita de comida, parecem debochar de quaisquer explicações.

Cilindros a postos. Quando estive por lá, em fevereiro, a visibilidade debaixo d’água era boa, mas não a ponto de justificar a ida até a Laje de Calhaus, área de mergulho vizinha da rocha principal, considerada a de vida mais abundante – porém, mais sujeita às correntes do mar aberto. Na primeira imersão, o instrutor João Paulo Scola, da Pé de Pato, optou pelo Portinho, ponto mais abrigado, com profundidade máxima de 22 metros.

À medida que se aprofunda, o costão fica mais nítido. Cardumes curiosos de sargentos se aproximam dos seres desengonçados que soltam bolhas estranhas. Budiões verdes e outros vermelhos e amarelos, jaguariças e peixes-cirurgião azuis se revelam aos poucos. Uma tartaruga verde grande passa ao largo do nosso grupo, e as pintadinhas arraias-chita são figurinhas fáceis. Confortável, a temperatura da água na média anual fica em torno de 22 graus. 

Mais um pouco e alcança-se uma das paradas obrigatórias. Por entre uma leve nuvem de sedimentos, surge a proa da traineira Moréia. Com 15 metros de comprimento, o velho barco foi afundado em 1992 com o propósito de se transformar em um recife artificial. Sempre em casais, os peixes-frade deram as boas-vindas à portentosa carcaça que repousa no banco de areia, a 22 metros da superfície. 

Já com pouco ar no cilindro, subimos em direção à lancha para descansar um pouco antes de voltar à água. Dessa vez, contra a corrente, na direção sul, margeando a pedra principal até o Parcel das Âncoras, formação rochosa completamente subaquática. A visibilidade enevoou um pouco, mas alcançamos os 26 metros. Ali, uma surpresa para coroar o mergulho: um raríssimo grupo de oito enormes garoupas, uma delas com um metro de comprimento. Assunto de sobra para a viagem de volta ao continente.

Quem leva:

- Pé de Pato: lajedesantos.com 

- Orion Diver: oriondiver.com.br

- Nautilus Dive: dive.nautilusdive.com.br

- Anekim: anekim.com.br 

- ATM Diver: atmdiver.com.br 

- Cachalote: cachalote.com.br

- Instituto Laje Viva: lajeviva.org.br

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