Kirkenes Snowhotel
Kirkenes Snowhotel

Um hotel em que até a cama é feita de gelo

Que tal passar uma noite em um hotel de gelo? Parece atraente? Agora imagine que, para não derreter, a casa deve de ficar permanentemente a uma temperatura de 5o graus negativos. Ainda está interessado? Uma coisa é certa: trata-se de uma experiência forte, mesmo para os espíritos mais aventureiros.

KIRKENES, O Estado de S.Paulo

26 Março 2013 | 02h14

Talvez por isso o próprio hotel recomende que os turistas durmam ali apenas uma noite. Além disso, oferece opções mais quentes e confortáveis para quem desistir em cima da hora (ou mesmo no meio da madrugada). Mas essas defecções não são comuns. Duas noites seguidas, em toda a história de oito anos do Snowhotel de Kirkenes (kirkenessnowhotel.com), só mesmo um grupo de brasileiros em janeiro.

O hotel gelado de Kirkenes, no extremo norte da Noruega, tem como construtores trabalhadores chineses, famosos pelas elaboradas esculturas de gelo da cidade de Harbin. Há oito anos, um empresário norueguês decidiu montar uma estrutura com vários iglus gigantes unidos por dois corredores, cada um com 12 quartos. Tudo inteiramente de gelo: as paredes, o chão, as camas...

As obras começam sempre em outubro, quando o frio chega ao norte da Noruega. A estrutura principal se repete todos os anos, mas a cada temporada mudam os temas das figuras que vão decorar os quartos e a recepção, como num parque temático gelado. Neste ano, as habitações de um corredor foram decoradas com cenas de Branca de Neve e os Sete Anões; no outro, passagens de filmes norte-americanos - incluindo Marilyn Monroe segurando a saia esvoaçante em O Pecado Mora ao Lado (1955).

Passo a passo. O hotel fica ao lado de um grande lago que, em outubro, ainda não está congelado. Assim, bombas ligadas a canhões de produção de neve artificial retiram dali cerca de 12 mil metros cúbicos de água - uma montanha de neve que serve de matéria-prima para as obras.

Para erguer o grande iglu principal, onde fica a recepção e o início dos dois corredores, é inflado um grande balão de ar de 12 metros de diâmetro. No início de dezembro, tratores jogam neve sobre esse balão, enquanto operários socam a neve para compactá-la. Bastam algumas horas para que se forme uma parede tão dura quanto concreto. O balão então é desinflado e retirado.

O Snowhotel abre em 20 de dezembro e recebe hóspedes até 30 de abril. Depois dessa data, o prédio se derrete lentamente à medida que chega o verão.

Sem tédio. Durante o dia, o hotel oferece atividades típicas, como passeios de trenós puxados por renas ou cachorros, esqui de travessia e snowmobile.

À noite, contudo, é que se tem uma autêntica experiência. Dormir sobre uma cama de gelo, é algo intenso, tornado possível graças a recursos modernos - como um poderoso saco de dormir usado pelo exército norueguês para que seus soldados possam dormir ao ar livre no inverno. Ele protege o hóspede com segurança até temperaturas de 30 graus negativos (mas isso não vai acontecer durante sua noite de sono).

Alguns desconfortos, no entanto, persistem: como o hotel é gelado, não pode ter água corrente. Ou seja, o banheiro mais próximo fica em uma casa, com aquecimento, a 100 metros do grande iglu. Você terá de escolher entre a vontade e o frio fora do saco de dormir.

Mas nem tudo é sofrimento. Ao contrário, a experiência começa com uma saudação na recepção do hotel, quando é servido um drinque não alcoólico feito com suco concentrado de frutas do campo, um poderoso energético. Ali são dadas as instruções sobre como se vestir, como dormir, onde comer...

O jantar é preparado pelos próprios hóspedes, no restaurante do hotel, numa charmosa casinha de madeira com um grande fogareiro no centro. As refeições são compostas de bifes e linguiças de carnes de rena ou de vaca. O cardápio inclui ainda bons vinhos e sobremesas. Terminada a refeição, resta dormir. Em sua cama de gelo. /LEÃO SERVA, ESPECIAL PARA O ESTADO

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.