Eduardo Asta
Eduardo Asta

Um lado rústico, Zâmbia

Entrar no país é deixar as facilidades da África setentrional e se aventurar na oriental. Visita ao Parque Nacional Luangwa do Sul é obrigatória para quem quer ver os big five: elefante, leão, búfalo, rinoceronte e leopardo

Bruna Tiussu, Dar-es-Salaam

17 Abril 2018 | 04h15

Sair do Zimbábue e entrar na Zâmbia é deixar as facilidades da África setentrional para se aventurar na África oriental. Estradas, paisagens e campings ficam mais rústicos, muitas vezes precários. De novo, um longo dia de viagem parece moldado para deixar os viajantes sentirem e absorverem, no ritmo local, esta outra realidade que se abre.

De Victoria Falls a Lusaka, capital da Zâmbia e próxima parada, são 490 quilômetros rodados em estradas ora aceitáveis, ora terríveis. Pelas condições das vias e os entraves na fronteira, a jornada dura mais de dez horas. Sorte que existe todo um mundo novo passando pela janela do caminhão. 

A primeira coisa que se nota é a vida organizada ao longo das rodovias. A concentração populacional está na capital, ao norte, nas áreas de extração de cobre, produto número um da economia nacional. No sul, as famílias se organizam em vilarejos posicionados de forma a facilitar a venda de produtos agrícolas. Frutas e verduras cultivadas em pequenas roças e frangos (vivos, obviamente) são mercadorias oferecidas nas estradas. Eis o primeiro contato com os coloridos e apaixonantes mercados da África oriental.

Conforme o caminhão avança, outros deles aparecem, marcando a existência de cada uma das vilas. Além dos produtos serem sempre os mesmos – mangas, abacaxis, bananas, repolhos e cebolas –, outra característica que têm em comum é a predominância de mulheres. Elas fazem a função de vendedoras antes ou depois de cuidarem do roçado, da casa, dos filhos. 

Em paralelo, percebe-se também o vaivém constante de ciclistas e andarilhos, agora homens em sua maioria, na mesma estrada que os veículos usam – acostamento é coisa rara. Os africanos dos vilarejos estão sempre em movimento. Vão, no seu compasso, aonde há trabalho hoje. E assim a vida segue, um dia depois do outro.

Bicho por todo lado. Em nosso roteiro, Lusaka funciona só como uma parada-dormitório, assim como Petauke, cidade alcançada após outros 230 quilômetros percorridos. É só no terceiro dia de Zâmbia que chegamos ao destino que coloca a nação no mesmo nível de experiência de vida selvagem que as famosas e cobiçadas África do Sul e Tanzânia.

Com 9 mil quilômetros quadrados, o Parque Nacional Luangwa do Sul deveria constar no mapa de toda pessoa que viaja a fim de ver os big five: elefante, leão, búfalo, rinoceronte e leopardo. Com exceção do rinoceronte, que foi extinto dali no fim da década de 80 por conta da caça predatória, os outros integrantes do grupo habitam o território em números consideráveis.

Sem cercas, o parque é delimitado de um lado por uma cadeia de montanhas e do outro pelo Rio Luangwa, que deságua no Zambezi, aquele do Zimbábue. A presença do rio aumenta o interesse dos animais pela área, que também apresenta grande quantidade de hipopótamos e crocodilos. São 60 espécies de mamíferos e 400 de pássaros.

O safári pelo parque garante também fotos de bichos fofos, como impalas, pukus, zebras e girafas. Fomos ainda surpreendidos por um grupo de uns 30 cachorros selvagens. A espécie, que já foi comum em toda a África subsaariana, atualmente está ameaçada de extinção – estima-se que existam pouco mais de seis mil indivíduos em todo o continente. Ver um grupo deste tamanho é mesmo um presente.

O encontro com animais continua noite adentro, mesmo depois de deixarmos o parque. O lugar do pernoite é o camping Wildlife, na beira do Rio Luangwa, funcionando, assim, como uma espécie de corredor para os animais que vão se banhar e beber água. Espere ver impalas, zebras e javalis correndo em grupos no caminho entre a barraca e o banheiro. Espere ainda escutar o grunhido de hipopótamos e o bramido de elefantes durante a madrugada. E, pela manhã, prepare-se para defender pães, frutas e até xícaras de café dos divertidos babuínos, que acordam com fome e prontos para o ataque.

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