Viagem

Um roteiro litorâneo, de São Paulo ao Paraná

Durante três dias a bordo de um catamarã, desbravamos as pequenas cidades e as ilhas com visitação controlada da região do Lagamar, estuário entre o sul de São Paulo e norte do Paraná

28/02/2017 | 05h05    

Bruna Toni/Estadão - Ilha Comprida

Praia no Parque Nacional do Superagui, na cidade paranaense de Guaraqueçaba. 

Praia no Parque Nacional do Superagui, na cidade paranaense de Guaraqueçaba.  Foto: Aryane Cararo/Estadão

A chuva sobre as águas do mar, tão volumosa que interrompeu até o sinal de GPS do catamarã, acabava de dar trégua, enquanto mais um novo contorno de ilha se apresentava aos meus olhos. Não que a tempestade fosse motivo de preocupação: não falta experiência ao piloto João da Cunha. Assim, aguaceiro à parte, o clima era de silenciosa tranquilidade para observar a Baía de Paranaguá, onde estávamos no momento.

O catamarã Maratayama era nosso meio de transporte pelos litorais sul de São Paulo e norte do Paraná. Uma viagem pela região do Lagamar, estuário (ou braço de mar) que começa na cidade paulista de Iguape e se estende até o Parque Estadual do Superagui, na paranaense Guaraqueçaba. Trata-se da maior área contínua de Mata Atlântica do País. Ainda pouco lembrada turisticamente, a região está na mira da Serra Verde Express, empresa que opera trens turísticos e, em parceria com a prefeitura de Ilha Comprida, quer vender passeios que combinam trechos pelos trilhos e outros pelo mar. 

As primeiras viagens, feitas no ano passado, partiram de Curitiba e de Ilha Comprida, com duração de três dias. Ainda não há previsão de novas saídas – há entraves burocráticos a serem desenrolados. O que não chega a ser um impedimento para conhecer a região. A própria Serra Verde vende pacotes para algumas das cidades do Lagamar (veja em serraverdeexpress.com.br) e o catamarã Maratayama também tem os seus roteiros (leia nesta página). Também é possível se deslocar entre as cidades por estradas e barcos, como você confere a seguir. 

Espetáculo. Nosso trajeto começou em Ilha Comprida, cidade a 210 quilômetros da capital paulista. De lá, partimos a bordo do catamarã em direção ao Paraná, passando por Cananeia, Ilha do Cardoso, Antonina, Morretes e Ilha do Mel, até chegar a Guaraqueçaba. No caminho, praias de areias lisas e águas turvas, vegetação de restinga, manguezais, dunas (sim, dunas em pleno Estado de São Paulo) e quase 200 pontos de sambaquis catalogados. 

Isso sem falar no espetáculo de ver, sem esforço, botos indo e vindo, emergindo e mergulhando de novo, como se quisessem mesmo ser aplaudidos.

Eles são, de fato, a principal promessa dos guias e a mais aguardada atração da viagem. Mas espere até ver a primeira revoada de alguma das 400 espécies de aves que circulam pela região, entre elas o guará, para se sentir dividido entre o céu e o mar.

“O cara fica um ano todo na Europa para ver um pássaro. Se ele fica aqui (no Lagamar) duas semanas, ele consegue ver todos”, brinca Rafael Xavier, monitor ambiental de Ilha Comprida há 16 anos e responsável pela parte educativa do passeio de catamarã pelo estuário. A observação de aves por ali é tão atraente que Rafael chegou a fazer um curso sobre o tema. 

Outros moradores, pesquisadores e monitores ambientais têm tentado agir para ajudar a manter a fauna e flora de uma Mata Atlântica que resiste à especulação imobiliária, como nas Ilhas do Mel e do Cardoso, e ao impacto resultante da atividade econômica baseada em pesca e no porto de Paranaguá. Do lado turístico, pelo jeito, a preocupação parece ser a mesma. O estuário agradece. 

O catamarã. A bordo do catamarã Maratayama é possível fazer passeios de um ou dois dias pela área do Lagamar. E nem é preciso ter muita sorte para avistar botos atravessando o caminho e uma infinidade de pássaros pintando o céu – só em Ilha Comprida, são cerca de 250 espécies segundo o monitor ambiental Rafael Xavier. Com capacidade para 76 passageiros, a embarcação deixa à disposição frutas, bolachas, café e água e tem ar condicionado. 

São três roteiros, todos saindo de Ilha Comprida. Para o Boqueirão Sul, dura um dia e sai desde R$ 120. Para a Ilha do Cardoso custa desde R$ 200 e também tem duração de um dia. Já para Guaraqueçaba são dois dias, desde R$ 370: visiteilhacomprida.com.br/catamara

Ilha Comprida: ponto de partida

É na cidade que começa o roteiro no catamarã, direto para Guaraqueçaba, no Paraná

Passeio de Quadriciclo em Ilha Comprida. 

Passeio de Quadriciclo em Ilha Comprida.  Foto: Del Carlos/Prefeitura de Ilha Comprida

Havia um pouco de pânico misturado com euforia quando, orientada por um monitor ambiental e guia, dei partida pela primeira vez em um quadriciclo, ainda na área de testes do Quadri Aventura, um dos principais passeios de Ilha Comprida, cidade no Vale do Ribeira, no litoral sul de São Paulo.

Sobre o veículo, com capacidade para duas pessoas e onde o turista é o piloto, percorre-se 30 quilômetros em um trajeto cujos cenários são difíceis de imaginar numa cidade paulista, ainda que litorânea. A vegetação de restinga está lá, acompanhada de lagoas, do mar adentrando a praia e de dunas. Sim, dunas, daquelas que a gente pensa que só existem muito longe de São Paulo.

As dunas de Ilha Comprida, como as de Juruvaúva, por onde passamos, são, por sinal, os últimos morros naturais de areia ainda intocados no Estado. Atenção: nada de seguir o primeiro impulso e acelerar duna acima. Ali só é permitido subir a pé, uma forma de evitar a degradação da área.

Além das dunas, de onde se tem uma vista valiosa da região, o passeio de quadriciclo inclui um pequeno trecho da trilha da Estrada da Vizinhança, formada por restinga, brejo e algumas pinceladas urbanizadas. E ainda o banho nas águas do estuário do Mar Pequeno, o braço de mar de Ilha Comprida, onde adeptos de esportes náuticos e da pesca amadora se encontram. O roteiro dura 1h30 e custa R$ 200 (uma pessoa) ou R$ 250 (duas, no mesmo quadriciclo; 13-3842-3306).

Outro passeio, o safári ecológico, é feito num 4x4. São dois roteiros: um percorre o mesmo trajeto do Quadri Aventura, tem 30 quilômetros e 2 horas de duração (R$ 480, oito pessoas). O outro segue em direção à simpática vila caiçara de Pedrinhas; são 72 quilômetros em 3 horas (R$ 600, oito pessoas). 

Onde ficar: são oito hotéis e 24 pousadas, com destaque para Arco Íris e Weiss Blau 

 

Como ir: de SP, são 200 km pela BR-116, cuja duplicação está prevista para 2017. De lá, siga pela Rodovia Casemiro Teixeira 

 

Guaraqueçaba: o parque Superagui

Onde fica o parque nacional

Município paranaense de Guaraqueçaba tem seis ilhas para atrair visitantes. 

Município paranaense de Guaraqueçaba tem seis ilhas para atrair visitantes.  Foto: Ed Viggiani/Estadão

Guaraqueçaba, a última parada do roteiro no Estado do Paraná, está a 337 quilômetros pela rodovia do nosso ponto de partida, a Ilha Comprida. Trata-se de um dos melhores trechos a se desbravar no litoral paranaense. 

Assim como em Antonina, a passagem pela área urbana foi rápida e noturna. Nosso foco, como o de grande parte dos turistas que vão à região, era mesmo a natureza fascinante das seis ilhas de Guaraqueçaba e o Parque Nacional do Superagui. 

Mas no meio do caminho estava a curiosa Mercearia Rodrigues, número um entre os restaurantes da cidade avaliados pelo site TripAdvisor. Uma descoberta que valeu toda a noite por lá.

O prazer de se estar ali começa com a decoração inusitada e aconchegante, de estantes com livros, discos, objetos antigos e, ainda bem, cervejas de qualidade. E continua quando os pratos chegam, com destaque para as porções de frutos do mar, como o camarão a milanesa e a famosa casquinha de siri.

Comidas e bebidas à parte, reserve um dia inteiro, se puder, para conhecer a Reserva Natural Salto Morato, pertencente à Fundação O Boticário. 

Imperdível também é o Parque Nacional de Superagui, que tem 34 mil hectares e é Patrimônio da Unesco desde 1999. Com acesso pela Comunidade da Barra do Superagui ou pela Ilha das Peças, o parque reserva trilhas e 38 quilômetros de praias na área conhecida como Praia Deserta. Ali, a vegetação de restinga, as bromélias e as orquídeas acompanham a paisagem. Vez ou outra percebe-se a ilustre presença de micos-leões-de-cara-preta. Já os botos cinzas são presença garantida. 

Onde ficar: nossa equipe se hospedou no Hotel Eduardo I, no centro. Há campings e pousadas dentro do parque estadual

 

Como ir: barcos saem de Paranaguá. De carro, vá pela 

Estrada da Graciosa

Ilha das Peças: total calmaria

Pouco mais de 300 pessoas vivem ali

Caipirinha do restaurante Teodoro Dias é preparada e servida em vidros de palmito; o peixe servido no almoço é pescado no dia. 

Caipirinha do restaurante Teodoro Dias é preparada e servida em vidros de palmito; o peixe servido no almoço é pescado no dia.  Foto: Bruna Toni/Estadão

O tempo nublado que encobria a Ilha das Peças, uma das áreas insulares pertencentes ao município de Guaraqueçaba, foi esquecido tão logo fomos apresentados ao inusitado Paulo Teodoro Dias. Ao lado da mulher, ele é proprietário do bar-restaurante que leva seu sobrenome.

Sem cerimônia, Paulo já se apresentou segurando uma bacia de peixes que acabara de pescar para a hora do almoço. Os pratos do cardápio são sempre preparados em panela limpa e com óleo novo “para evitar a contaminação da região por óleo”, afirma Paulo. Entre as opções, a pescada frita acompanha camarão ao molho, arroz, salada e batata frita e custa R$ 40; o linguado sai a R$ 55 por pessoa.

É na bebida que está, de fato, a exclusividade do Restaurante Teodoro Dias. Apesar de dizer que não gosta mais de prepará-la, Paulo sabe que sua famosa caipirinha feita e servida no vidro de palmito faz sucesso. “Na verdade, eu sou o cachaceiro, né? Faço no vidro para todo mundo ficar com nojo e não me pedir mais”, brinca ele, antes de chacoalhar o primeiro recipiente, com cachaça e kiwi.

Sem qualquer vestígio de palmito e realmente deliciosos, os drinques também são feitos com morango, limão e maracujá e custam R$ 20 – bem justo para um vidro onde cabem 500 gramas de pupunha, não?

Vale a pena se acomodar nas cadeiras do lado de fora ou na areia fina da praia, que serve de estacionamento para barquinhos de cores e qualidades diferentes. Acompanhe o vaivém da água, quase o único movimento de um lugar onde moram apenas 350 pessoas, pescadores em sua maioria, e novas construções são proibidas. Ali, o tempo congela entre o pulo de um boto e outro. 

Onde ficar: como Ilha das Peças não tem estrutura hoteleira, o ideal é se hospedar na Ilha do Mel ou em Guaraqueçaba  

 

Como ir: de barco. Há agências fazendo o passeio, como EcologicaTur.com.br

Ilha do Mel: doces encantos

Ecoturismo e algum agito

Trilhas são uma das grandes atrações na Ilha do Mel. 

Trilhas são uma das grandes atrações na Ilha do Mel.  Foto: Adriana Moreira/Estadão

Durou alguns minutos a discussão sobre qual seria a famigerada origem do nome de batismo da Ilha do Mel, destino dos mais cobiçados no litoral paranaense.

Houve quem acreditasse na versão da extração do mel silvestre na região; outros, na que se baseia na cor da água do estuário; e até quem encontrasse veracidade na existência por ali de um tal alemão produtor de farinha (que, na Alemanha, denomina-se Mehl).

Sem consenso, preferimos apenas contemplar sua beleza, ainda que o tempo chuvoso não estivesse favorável a banhos e trilhas.

Os 25 quilômetros de praias atraem não só os ligados em ecoturismo, mas também que quer um pouco mais de agito. Mas há limite: assim como a Ilha do Cardoso, o número de visitantes é restrito – aqui, 5 mil pessoas por dia –, é proibida a tração animal e a entrada de veículos e nem toda a área natural é aberta a visitação.

Mas não se preocupe, porque há muito o que se ver e fazer na reserva natural, com destaque para o Farol das Conchas, a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres e a Gruta das Encantadas. 

Onde ficar: há opções no AirBnB.com; entre as pousadas, destaque para Astral da Ilha e Villa Verde 

 

Como ir: só se chega de barco, com saídas frequentes a partir da Baía de Paranaguá ou do Pontal do Paraná

Morretes: cheia de atrativos

Entre eles, o famoso barreado, prato para experimentar nos restaurantes do centro

Barreado, o típico prato paranaense, em restaurante da cidade de Morretes. 

Barreado, o típico prato paranaense, em restaurante da cidade de Morretes.  Foto: Aryane Cararo/Estadão

Chegar a Morretes de van ou carro, como chegamos, não é a maneira mais clássica e charmosa de se fazer a viagem até a pequena cidade de 17 mil habitantes no litoral do Paraná. Turistas preferem o famosos trem operado pela Serra Verde Express, que parte de Curitiba todos os dias bem cedo e segue pela histórica Estrada da Graciosa, antiga rota de tropeiros, que a percorriam já no século 19. 

Mas os atrativos da cidadezinha independem do meio de transporte: no centro, que tem apenas seis quadras, tudo pode ser feito a pé. Uma feirinha de artesanato, doces e bugigangas fofas, dessas difíceis de resistir, recepcionam os visitantes. É no entorno da Rua das Flores que estão concentrados, além das barracas e das lojas, restaurantes como o Serra Verde Express, onde paramos para experimentar o mais famoso prato paranaense, de origem tropeira: o barreado (R$ 59).

Para além da simpatia urbana de Morretes, o forte são as atividades na área rural, que ocupa 60% do território. Aposte em passeios como a Cachoeira Véu de Noiva, o Pico do Marumbi e o Morro do Sete.

Onde ficar: há 450 leitos na cidade. Destaque para a Pousada da Graciosa, Bella Morretes e Porto Real Palace

 

Como ir: de Curitiba parte o trem de luxo da Serra Verde Express (bit.ly/amorretes). De Antonina há transfers

Antonina: pequena cheia de charme

Sambaquis e importância histórica

A cidadezinha de Antonina, no litoral do Paraná, já teve um porto tão movimentado quanto o de Paranaguá. 

A cidadezinha de Antonina, no litoral do Paraná, já teve um porto tão movimentado quanto o de Paranaguá.  Foto: Bruna Toni/Estadão

Já era noite quando avistamos a baía de Antonina, primeira parada da viagem de catamarã pela região do Lagamar, já em águas paranaenses.

Mesmo sendo noite de sexta-feira, o pouco movimento noturno – apenas alguns jovens conversando nas calçadas – era o que se pode esperar de uma cidade de cerca de 19 mil habitantes. As ruas de paralelepípedo cercadas de construções antigas e coloridas traduzem o espírito e o charme tímido da cidade. Quem vê Antonina assim não arrisca dizer que seu porto já chegou a concorrer com o de Paranaguá na recepção de cargas durante o século passado.

Mas seu aspecto mais interessante é mesmo a existência de seus diversos sambaquis, montanhas constituídas de depósitos pré-históricos, principalmente de casas de moluscos, que indicam a presença, no passado, de agrupamentos nômades na região, como os índios carijós. 

Como nosso roteiro incluía apenas uma noite por lá – na manhã seguinte, nosso destino foi Morretes, a apenas 20 minutos de Antonina –, pudemos conhecer apenas a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, inaugurada em 1714 no ponto mais alto de Antonina, e a Fonte da Carioca, tombada pelo Patrimônio Histórico e artístico do Paraná. Na tal fonte, até d. Pedro II fez uma pausa na caminhada para beber água fresca, isso lá no longínquo ano de 1880. 

Mas há mais para conhecer na cidade, como a Ponta do Pita, onde banhistas e pescadores se revezam, e o Pico do Paraná, já na divisa com Campina Grande (de onde se tem acesso ao local), que é o ponto mais alto do sul do Brasil, com seus 1.962 metros de altitude. 

Onde ficar: o Camboa Capela Hotel é bem charmoso. Perto dele está a também simpática Pousada das Laranjeiras

 

Como ir: há passeios da Serra Verde Express e, de Morretes, são só 20 minutos 

Cananeia: disputa histórica

Há quem diga que a cidade é mais antiga que São Vicente

Golfinhos da espécie boto cinza são avistados em Cananeia. 

Golfinhos da espécie boto cinza são avistados em Cananeia.  Foto: Clayton de Souza/Estadão

“Antes de São Vicente, Cananeia já recebia degradados portugueses”, diz o monitor ambiental Rafael Xavier, engrossando o coro de quem afirma que a cidade paulista a 99 quilômetros de Ilha Comprida e outros 270 de São Paulo é a primeira fundada no Brasil, em 1531.

Sem documentação escrita para comprovar a data, fato é que Cananeia é rica historicamente. Basta andar por ruas como a Tristão Lobo para achar provas: ali estão construções erguidas com calcário e óleo de baleia, caso da Igreja de São João Batista, de 1577.

É também de Cananeia que vem o nome do catamarã que nos levou litoral adentro, Maratayama, de origem tupi-guarani, palavra que foi o primeiro nome do então povoado.

Além de muita história, Cananeia é um dos principais pontos de partida para conhecer as ilhas desse pedaço do Brasil. Sua extensão começa ainda em Iguape, na foz do Rio Ribeira, e alcança Paranaguá, incluindo o Parque Estadual da Ilha do Cardoso.

Como o passeio de catamarã mais comprido pelo litoral não desembarca em Cananeia – ela é vista pelo ângulo de quem está no mar em direção ao Paraná –, o ideal é reservar um dia na ida ou na volta para conhecê-la. Ou se hospedar na Ilha do Cardoso e aproveitar passeios que partem diariamente do pier (fique ali para observar os botos cinzas) para ir a outras partes do estuário.

Também não deixe de encarar as trilhas para se banhar em uma das quatro cachoeiras de Cananeia, com graus de dificuldade leve a médio. Mais: bit.ly/visitecananeia.

Onde ficar: a Pousada da Neia está entre as melhores nos sites TripAdvisor e Booking.com 

  

Como ir: a 261 km de SP pela BR-116. De Ilha Comprida, vá de barco ou pela Rod. Ivo Zanella (99 km)

Ilha do Cardoso: beleza para poucos

Só 1.200 visitantes são admitidos a cada dia

O catamarã Maratayama navega pelo estuário na região do Lagamar.

O catamarã Maratayama navega pelo estuário na região do Lagamar. Foto: Bruna Toni/Estadão

Criado em 1962 como forma de proteger a fauna, a flora e os mais de cem sambaquis encontrados nessa região litorânea, o Parque Estadual da Ilha do Cardoso é, sem dúvida, um dos pontos mais conhecidos do nosso roteiro pelo litoral sul de São Paulo.

Ali, a proposta é clara: atrair gente interessada em roteiros ecológicos, disposta a abrir mão de qualquer luxo. A ilha, aliás, não tem energia elétrica (só com gerador), nem sinal de celular.

Apesar de ser formada por seis comunidades – Itacuruca, Cambriu, Foles, Marujá, Enseada da Baleia e Pontal – é na de Marujá, com cerca de 200 moradores, que se concentra 70% dos turistas e a maioria das pousadas. Mesmo assim, para ficar por lá durante feriados e alta temporada, é preciso reservar com antecedência, já que são permitidos no máximo 1.200 visitantes por vez.

É também no Marujá que os turistas negociam com barqueiros para fazer passeios pela ilha que, ao todo, soma 45 quilômetros e sete praias. 

Do lado oposto da comunidade do Marujá está a praia, com 18 quilômetros de areia branca e um mar que, de tão agitado, deu origem a um museu na comunidade, cujo acervo é composto pelos objetos trazidos pelas ondas. 

Aproveite o dia na Praia da Laje, onde se chega por uma trilha de 40 minutos – ou 5, se preferir ir de barco (R$ 15 a R$ 20); as praias Foles e Fole Pequeno, a 15 minutos de barco (R$ 40 a R$ 70); e a Cachoeira Grande, a 10 minutos de barco e mais 20 caminhando (R$ 30). 

Guarás e jacarés estão escondidos na comunidade do Pontal do Leste e, para ter contato com o artesanato local, visite aos moradores da Enseada da Baleia.

Onde ficar: são 70 campings e 15 pousadas no Marujá, como a da Ilha do Cardoso e o Recanto do Marujá. Outra boa opção é se hospedar em Cananeia

 

Como ir: de escunas ou voadeiras que saem de Cananeia


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