Jas Lehal/ Reuters
Jas Lehal/ Reuters

Um tour visual pela moda do mundo

Moda interessante está nas ruas, dizia o estilista Yves Saint Laurent. Quer conferir? Siga nossas dicas para incrementar seus looks com o melhor de cada destino

Renata Reps - O Estado de S. Paulo,

20 Setembro 2011 | 09h45

Em 1957, um jovem e talentoso estilista herdava o comando de uma das mais tradicionais maisons de moda do mundo, a Christian Dior. Yves Saint Laurent liderou a marca por quatro anos até decidir fundar sua própria grife. Vários motivos levaram à saída, mas um deles ficou mais e mais claro ao designer ao longo dos anos: era preciso sair dos ateliês, observar a moda das ruas e investir no prêt-à-porter. “Não podemos, jamais, confundir elegância com esnobismo”, ele dizia.

 

Cinquenta anos mais tarde, as cidades mais importantes do mundo da moda – Paris, Londres, Nova York e Milão, mas também, e cada vez mais, Berlim e Tóquio – celebram os mais variados estilos, que tomam conta das ruas e chamam a atenção dos visitantes.

 

Compras facilitadas, tarifas reduzidas pela popularização das lojas de fast-fashion e a busca de sustentabilidade na hora de investir em peças-chave simplificam o acesso à moda de outros países. Levar para casa algo que você vai, de fato, conseguir combinar com as roupas que tem no armário é uma conquista do mundo globalizado.

 

“As pessoas buscam elementos específicos do lugar em que estão, mas os inserem em um contexto global”, explica o professor de Sociologia e História da Moda da UERJ, Paulo Debom. Quanto mais despreocupado com tendências passageiras você estiver, mais vai aproveitar vitrines lá de fora.

 

Peças interessantes podem estar fora do eixo clássico das semanas de moda mais importantes do planeta – os desfiles de primavera-verão começaram na semana passada, em Nova York, e seguem em Londres (até amanhã), Milão (dias 22 a 28) e Paris (27 de setembro a 5 de outubro). Na Antuérpia, na Bélgica, você pode encontrar itens incríveis, sugere Fábio Souza, dono do brechó paulistano À La Garçonne, que viaja sempre em busca de novidades. Em Tel-Aviv, a maquiadora Vanessa Rozan, que já viajou o globo a trabalho, teve agradáveis surpresas. “A Shenkin Street tem lojas e brechós maravilhosos”, diz. Índia e África do Sul têm mostrado ideias criativas ano a ano.

 

Esteja onde você estiver, a dica para realizar boas compras é ficar de olhos abertos para o estilo das pessoas. Como já disse Saint Laurent, é nas ruas que está a parte mais interessante da moda. Para incrementar seus looks com o melhor de cada destino, selecionamos lojas, brechós, galerias e ruas descoladas. Um guia de compras diferente do que você está acostumado a ver por aí. 

 

LONDRES - A capital inglesa é reduto de estilistas locais, fiéis à cidade e que não exportam. Passeie pela Carnaby Street: passe na Howies para produtos sustentáveis, na Irregular Choice  para sapatos e na Pretty Green  para roupas masculinas. Em Londres fica uma das lojas mais baratas da Europa, a Primark. No fim de semana, você pode ir ao Camden Market,  ideal para os estilos rocker e punk. Os brechós What Goes Around Comes Around, Lost 'N' Found e Thea Vintage são especializados em moda dos anos 50. 

 

MILÃO - Em Milão, você vai sentir de cara como o povo italiano respira moda. É claro que vale a visita ao chiquérrimo Triangolo D'Oro, entre as Via Alessandro Manzoni, Montenapoleone e Senato. Mas, para comprar, vá à Piazza 24 Maggio, que tem lojas de segunda mão - os brechós estão repletos de marcas como Prada, Gucci e Dolce & Gabbana das décadas de 40 a 60. Vá ao Humana Vintage, Franco Jacassi ou procure peças de festa na Cavalli e Nastri (Via De Amicis, 9). No último domingo de cada mês, a feira ao ar livre Naviglio tem antiguidades, brinquedos, livros e peças de designers locais. Mas a loja mais imperdível da cidade é a Coin: acessórios, moda feminina, masculina, para crianças, para casa, tudo tipicamente italiano e superelegante. 

 

NOVA YORK - Fazer compras em Nova York é uma experiência muito particular - você encontra de tudo. Procure vestidos, batas e cardigãs estampados na Anthropologie, e camisas, cashmeres e casacos na J Crew . O Soho é destino certo para achar peças descoladas. Modern Anthology, Thomas Sires e Love, Adorned  misturam roupas, acessórios e fragrâncias. Apaixonado pelos estilos rocker e vintage, vá ao Brooklyn. O brechó Stella Dallas (285 N. 6th Street) é um dos mais fantásticos do mundo. O Beacon's Closet, também. Ari Seth Cohen, do blog Advanced Style, indica lojas para quem quer voltar com o estilo nova-iorquino retrô- moderno: Oak, Bess, Opening Ceremony, Assembly New York e Off Broadway Boutique.

 

PARIS - Os parisienses são básicos, não usam muitas cores ou estampas, mas conseguem manter uma elegância simples e de muito bom gosto. Conheça o mercado de pulgas Saint- Ouen de Clignancourt, o maior de Paris, com mais de mil comerciantes que vendem roupas e acessórios novos e usados. A mãe de todas as lojas- conceito do mundo é visita obrigatória: Colette. Para bolsas e sapatos, vá aonde os parisienses vão, o André. Os brechós mais recentes, com peças desde a década de 80, chamam-se friperies. Guerrisol (17 bis boulevard de Rochechouart), Come on Eileen (6-18 Rue des Taillandiers), Vintage (32 Rue des Rosiers, no Marais, bairro excelente para moda alternativa) e o friperie que fica no subsolo da Galeria Lafayette são alguns dos melhores que você pode encontrar.

 

BERLIM - A informalidade domina as ruas de Berlim. Como quase tudo o que é moderno e descolado na capital alemã, os melhores brechós e lojas de designers locais estão no antigo lado oriental. O caótico brechó Colours (Bergmannstrasse, 102), no bairro de Kreuzberg, e o mais arrumado Made in Berlin (Neue Schönhauser, 1), em Mitte, são sinônimos de bons achados. No bairro, a Alte Schönhauser é uma rua lotada de lojas interessantes. A Comme Berlin é especializada em vestidos; a Claudia Skoda, com ótimas opções de roupas masculinas e femininas; a L’Ephemere, com batas e peças femininas. No bairro-tendência de Prenzlauer Berg, a incrível We Are All Beautiful People (Eberswalder Strasse, 26) tem camisetas com frases bacanas e saias idem. Na East Berlin, encontre jaquetas e bolsas. Percorra a Kastanienallee para encontrar brechós e araras nas calçadas.

 

TÓQUIO - A capital do Japão influencia toda a moda do oriente com seus variados estilos que superam o simples vestir e tornam-se traço de comportamento e estilo de vida. Jovens adeptos do cosplay (que se vestem de bonecos e personagens de desenhos animados), todo tipo de cortes e cores de cabelos, sobreposições e as misturas de estampas mais improváveis que você já viu tornam a cidade um ótimo ponto de inspiração para a moda no ocidente. No bairro Harajuku, a rua Takeshita, em frente à estação de metrô, tem bares e cafés intercalados a butiques descoladíssimas. Perto dali, na Avenida Omotesando, as vitrines são modernas, com formatos geométricos e gigantescos painéis de leds brilhantes. Mais: tokyofashion.com.

 

ÍNDIA - Nas passarelas, meninas de pele morena. Muitas são estrelas de Bollywood que, durante a Semana de Alta Costura de Nova Délhi, desfilam as tendências da moda indiana. Apesar do toque moderno e detalhes inovadores, os estilistas não fogem da identidade nacional: sáris, pashminas, lenços e panos únicos transformados em peça de roupa, sempre em tecidos nobres, dominam as coleções. Ideias semelhantes às mostradas nos desfiles estão nas ruas da capital. Mulheres e homens esbanjam vaidade, cores e glamour. Grifes internacionais marcam presença, sobretudo no Emporio Mall , o reduto máximo do mundo fashion, que reserva dois andares para lojas indianas.

 

ÁFRICA DO SUL - Brincos, colares, muitas pulseiras, tudo chamativo. No modelito, vale brincar à vontade: cores vivas - afinal, elas são a marca da cultura sul-africana -, estampas variadas, miçangas, fibras. Tudo no maior estilo. Sem falar nos penteados, verdadeiras esculturas capilares. Um tour pelas ruas de Johannesburgo é suficiente para se deparar com traços de cada um dos grupos e tribos que compõem a nação. São estas características que invadem os desfiles da novata Fashion Week da cidade (a primeira edição foi em 2009), inspiram tendências e ocupam as vitrines das butiques. Para conferir de perto, as lojas mais badaladas estão nos bairros Sandton e Rosebank.

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