Uma semana de muita estrada na Califórnia

A duração da viagem era quase a única certeza. Eu teria 7 dias para percorrer 1.000 km até San Diego - e depois voltar. As paradas foram definidas na hora. Uma experiência 'on the road'

Nívea Terumi, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2009 | 01h25

Rodar a Califórnia de carro, encarar um mochilão na Europa, percorrer a Trilha Inca. Por mais diferentes que pareçam ser - e de fato são -, essas aventuras trazem de imediato uma incrível sensação de liberdade e, como saldo, histórias para não esquecer jamais.

 

 

Liberdade foi mesmo a palavra de ordem da viagem que agora você acompanha. Nunca houve um "roteiro obrigatório" - não saber exatamente o que viria pela frente era a única condição irrevogável para essa experiência on the road. Então, calibre os pneus, confira o mapa (ou, melhor ainda, o GPS) e caia na estrada com a gente.

 

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O ponto zero foi a cidade de Napa Valley e o final, San Diego, quase 1.000 quilômetros à frente. Prazo total: uma semana e nada mais, ida e volta. Para ajudar na empreitada, a escolha do modelo do carro foi fundamental. Afinal, ele deveria resistir a muitas horas de estrada (nem sempre tão boa quanto costumamos pensar), além de oferecer o conforto necessário (o ar-condicionado foi a salvação nos trechos desérticos entre Los Angeles e Sacramento).

A Interstate 5 (I-5), rodovia que corta o país de norte a sul pela costa oeste, abriu caminho para o nosso destino sobre quatro rodas: a inspiradora California State Route 1 ou CA-1 ou, ainda, Highway 1, considerada a primeira scenic route (algo como estrada de paisagem) da Califórnia. Construída em 1919, ela desvenda, em mais de mil quilômetros, paisagens de tirar o fôlego, sustentadas pela costa do Pacífico, protagonista da viagem.

O trecho mais bacana é uma unanimidade: os 160 quilômetros do Big Sur, no coração da CA-1. Estamos falando de uma parte praticamente selvagem da costa californiana, devidamente protegida por parques estaduais, longe dos riscos da civilização. E você nem precisa sair do carro para ver as principais atrações. Elas estão ali, serpenteando junto com a estrada o litoral marcado por penhascos e o azul arrebatador do mar.

Impossível não imaginar o beatnik Jack Kerouac percorrendo esse caminho, que insiste em se equilibrar nas encostas abruptas do Pacífico. Ou a empolgação do casal de pombinhos Orson Welles e Rita Hayworth, que na década de 1940 chegou a comprar, por impulso, um casebre por lá - que nunca chegou a ser usado.

A embriaguez provocada por tanta beleza natural será interrompida sem mais nem menos. A região central do Big Sur é a que tem a infraestrutura mais precária.

Foram dezenas de quilômetros sem que houvesse sinal de vida ou lugar para descansar. E um galão de gasolina (3,8 litros) chegou a custar incríveis US$ 5 no único posto da região (este, sim, um grande problema).

Se o tempo não estiver gritando contra, vale fazer uma visita ao Castelo Hearst, em San Simeon. Casa do milionário William Randolph Hearst (1863-1951) e local de festas frequentadas por celebridades hollywoodianas, seu principal atrativo é ter inspirado Orson Welles em Cidadão Kane (1941).

VOLTA

Depois de cinco dias descendo a costa da Califórnia e percorridas as principais cidades e regiões próximas, era hora de retornar. Com o cronograma apertadíssimo, a solução foi usar a I-5 no trajeto de volta. Apesar de não ser nem de longe parecida com as autobahns alemãs - o limite de velocidade nas rodovias estaduais da Califórnia é de 70 milhas por hora (pouco mais de 100 km/h) -, ainda assim era a opção mais rápida.

A escolha foi excelente. No trajeto, longas áreas de pomares cultivados sob intensa irrigação nas regiões central e norte da Califórnia. Laranjas, pêssegos e ameixas crescem em meio à imensidão de areia para ganhar fama em todo o país. Uma prova e tanto de que sempre há algo mais para conhecer. Basta cair na estrada.

DICAS DO ASFALTO

linkA dúvida surge antes de pôr o carro na estrada: como definir os passeios e o tempo reservado para cada atração? Já é difícil estabelecer horários e rotas rígidas em viagens tradicionais, em que a única preocupação é lembrar o endereço do hotel ao fim do dia. Mas a situação fica mais complicada quando o próximo endereço a se hospedar (diga-se, passar a noite) está a seis ou sete horas de estrada, sendo que neste "meio tempo" se dará o grande barato da viagem

linkUma estratégia é ter uma ideia do ponto de chegada de cada dia e fazer pré-reserva nos hotéis. Cidades como Los Angeles e São Francisco são muito concorridas e os quartos ficam logo lotados nas redes que cobram diárias amigáveis, como o Best Western e o baratíssimo Motel 6. Assim, você estará livre para fazer o que quiser ao longo do caminho e não correrá o risco de ficar sem ter onde dormir. Mais: www.motel6.com; www.bestwestern.com

linkAchar a melhor locadora de carro nem sempre é simples, ainda mais porque a maioria dos sites não explica claramente as condições de aluguel. Uma forma de decidir é verificar, além dos preços, qual tem mais lojas na região que você pretende percorrer. Veja valores de aluguel na pág. 10. Outra dica é conferir o www.hotwire.com (ofertas de última hora)

linkSe quiser quilometragem ilimitada, você vai pagar um pouco mais, mas a diferença vale a pena quando a ideia é cair na estrada. Detalhe: a locação fica mais barata se você não for cruzar os limites do Estado. Para economizar com o aluguel de um GPS, a alternativa é turbinar seu celular ainda no Brasil, baixando aplicativos. Isso evita dor de cabeça no caminho

linkPara alugar um carro, é mais seguro estar com a carteira internacional de habilitação. O documento nem sempre é pedido pelas locadoras, mas os policiais não perdoam quem está sem a carteira. Você vai precisar ainda de um cartão de crédito, usado como garantia

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