Mariana Veiga/Estadão
Mariana Veiga/Estadão

Valparaíso: na subida do morro

"Quem gritou de alegria quando nasceu a cor azul?”

Edison Veiga, VALPARAÍSO / O Estado de S.Paulo

13 Junho 2017 | 04h45

De um lado, 42 morros; de outro, o Oceano Pacífico. No meio, um filete de terra plana, quase uma rima plástica com o próprio Chile, portanto. Valparaíso, antiga cidade fundada em 1544, viveu seu auge no século 19 – a inauguração do Canal do Panamá, em 1914, tirou boa parte da importância de seu porto. “Ontem, ontem, disse a meus olhos, / quando voltaremos a ver-nos? / E quando a paisagem muda, / são tuas mãos ou são tuas luvas?”

O charme da cidade, mais do que na decadência, está em seus morros. Para subir até eles – e percorrê-los a pé –, vale tomar os ascensores: são 15 funiculares espalhados pela cidade, considerados monumento nacional, o mais antigo deles, Concepción, inaugurado em 1883.

Então é se entregar às cores. As ladeiras de Valparaíso, em paredes, muros e escadarias, são uma versão ampliada do Beco do Batman, reduto de grafiteiros de São Paulo. Não raras vezes, as casinhas dos morros também são coloridas – ao longo, portanto, a vista é de um mosaico.

Por falar em vista, boa mesmo a tinha Pablo Neruda. Sua casa de Valparaíso, batizada por ele de La Sebastiana, conta com privilegiado panorama da cidade e da orla do Pacífico. “Quando canta o azul da água / a que cheira o rumo do céu?”, “Quando vejo de novo o mar, / o mar me viu ou não me viu?”

Neruda andava cansado da vida em Santiago quando, no fim dos anos 1950, encontrou o imóvel de Valparaíso. Coube a ele contratar o término da construção. Quando a ocupou, o poeta, um colecionador obstinado, a encheu com seus cacarecos, principalmente os relacionados ao mar. Também é nessa casa que estão suas coleções de mapas antigos e peças curiosas como caixas de música. Os cinco andares têm amplas janelas – ele queria aproveitar a vista.

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