Vem ou não vem?

A ausência da coluna de Mr. Miles do caderno Viagem da semana passada suscitou uma série de reações de preocupação – fato que deixou nosso correspondente britânico envaidecido. Houve até uma leitora (cujo nome, por motivos óbvios, permanecerá em sigilo) que, finalmente, decidiu confessar seu amor pelo viajante, anunciando-se disposta a largar imediatamente o marido e três filhos pequenos para poder “carregar as malas de meu querido viajante”.

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2015 | 02h31

Mr. Miles mandou dizer que, antes de mais nada, espera receber algumas fotos mais recentes da leitora, porque as que recebeu estavam em preto e branco. Havia até uma colorizada à mão, fato que, na análise do correspondente, levanta suspeita de fraude. Mr. Miles afirma que não tem nada contra as mulheres mais velhas (“I love them!”), mas não suportaria compartilhar viagens com uma possível estelionatária.

A redação apurou que parece muito provável que o adorável correspondente, que frequenta este espaço há mais de uma década, venha mesmo à Itacaré para passar o réveillon. Consta que o movimento de fãs no aeroporto de Ilhéus tem crescido dia a dia, mas se isso se confirmar, não é improvável que Mr. Miles venha a bordo de um ultraleve – como já o fez anos atrás, pousando, por falta de combustível, na Praia de São José. Pontualmente às 5 da tarde, of course.

O paradeiro do solerte peregrino durante o Natal ainda é desconhecido. Dizem que, neste ano, ele dispensará a festividade, por ter passado o Chanuká (uma festa parecida, mas judaica) no Brooklin, na casa dos irmãos Bernstein, fornecedores de binóculos para o birdwatching que nosso amante de pássaros tanto aprecia.

A expectativa é de que o correspondente britânico traga Trashie, sua raposa das estepes siberianas, para o furdunço baiano – este ano, finalmente regado a suco de cacau sem vassoura de bruxa. Trashie, como os leitores sabem, deixou de ver há algum tempo – mas segue enxergando como ninguém. Porque tem o que os viajantes possuem de melhor: faro apurado, apetite indiscriminado, ouvido afilado e sede... muita sede de single malts e scotchs com pelo menos 12 anos de envelhecimento.

A redação, como sempre, segue esperando a muitas vezes anunciada visita de seu colaborador de bowler hat. Mas parece mais fácil que a liderança do ISIS converta-se à Igreja Universal do Reino de Deus. Mr. Miles, como se sabe, apesar de muito cosmopolita, é, antes de tudo, um tímido.

De qualquer forma, os fatos são, ainda, pura especulação. O interminável viajor do Condado de Essex pode, como sempre, ir a qualquer lugar. Como se sabe, ele gosta muito de mudar de ano em Jost van Dyke, a pequena ilha caribenha onde iatistas reúnem-se para seu porre de passagem.

A única mensagem oficial que recebemos continha seus cumprimentos de Natal. Dizia que estava pronto para, em 2016, redescobrir “esse mundo que cisma em mudar minuto a minuto, tornando a vida e a viagem atividades esplêndidas e renováveis como as melhores fontes de energia para o futuro”. Dizia também que, apesar dos pesares, não perde seu amor incomensurável pelas pessoas, sobretudo aquelas que ainda não conheceu. E, claro, como sempre, tratava-se de uma mensagem extensiva a todos os leitores.

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