Verdades sobre o Mar Morto

Mr. Miles, Estadão

15 Dezembro 2015 | 03h09

Nosso bravo viajante já provocou a criação de um comitê de recepção em Itacaré, na Bahia, apenas por ter cogitado a hipótese de passar o ano-novo por lá. Ele ainda não garante que vai, mas manda um beijo doce como o cacau a todos os seus admiradores.

Mr. Miles: eu canso de ler, nas publicações de turismo, exageros mercadológicos do tipo “na Polinésia, a água é tão transparente que é possível ver peixes a 30 metros de profundidade” ou “no Canadá, o frio pode ser tão forte que uma cusparada pode congelar no ar”. Sobre o fato de que as pessoas flutuam no Mar Morto, que tipo de verdade existe?

Mario Sergio Volpatto, por e-mail

"Well, my friend: as pessoas de fato flutam em Yam ha-Melah (o nome hebraico do Mar Morto). Mas só se quiserem, of course. A grande lagoa bíblica que ocupa a maior depressão do planeta é uma espécie de mar embriagado. Let me try to explain: enquanto outras porções de água salgada ao redor do mundo têm, em média, 30 gramas de sais diversos por litro, o falecido mar entre Israel e a Jordânia possui algo como dez vezes a dosagem padrão. Em outras palavras: o pobre mar, além de morto, seria preso e multado nesses comandos de vossa Lei Seca.

However, é exatamente essa concentração de sais que torna o Mar Morto mais denso, propiciando aos apreciadores da modalidade maior conforto ao flutuar. Não se conclua com isso, fellow, que se trata de um mar impenetrável. Já ouvi relatos sobre diversos místicos que imaginaram sobrepujá-lo caminhando sobre suas águas e, of course, deram com os burros nas mesmas. Sobretudo os mais pesados. Esses vão ao fundo com igual facilidade seja no Lago di Como ou no Mar Morto. Águas sólidas mesmo, unfortunately, só as de alguns rios urbanos lastimavelmente negligenciados.

Eu já estive no Mar Morto algumas vezes apreciando sua paisagem e, indeed, rezando por sua alma. Jamais, contudo, tive vontade de banhar-me nele, mesmo quando o calor era grande. Confesso que tenho traumas que me impedem de viver essa experiência. O primeiro deles remonta à minha infância: as detestáveis sopas de tia Geraldine, com toda a certeza mais salgadas do que o Mar Morto.They were disgusting!

Mas pior foi o ocorrido com um conhecido argentino, que usava suas férias para trabalhar em um kibutz em Israel. Certo dia, levaram-no e ao seu grupo para um passeio pelo Mar Morto. Pablito (assim o chamarei) ficou emocionado com o mar de tantos versículos e, mesmo usando um blue jeans, resolveu provar de suas águas. Esqueceu-se, however, que sofria de uma furunculose crônica, sobretudo da cintura para baixo. Nem é preciso dizer que o sal do Mar Morto obrigou Pablito a despir-se na praia sob um raro chuveiro de água doce - gritando a maior variedade de impropérios portenhos já ouvida no Oriente Médio. Você não acha esse um bom motivo para evitá-lo, my friend?

E só para constar, Mario: é mesmo possível ver peixes a 30 metros de profundidade na Polinésia. Quanto ao “canadian frozen spit”, depende apenas da época do ano e da distância do “arremesso”. Did you get met?"

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