Verde oriente

Fora do circuito turístico, província de Sichuan reflete o lado mais natural da China: só em Emei Shan estão reunidas 10% das espécies botânicas do país

Paula Moura, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2010 | 02h03

EMEI SHAN - O mestre de kung fu Bai Mei tem uma estátua de cera no museu que reúne lendas sobre a montanha sagrada Emei Shan. Provável inspiração do diretor Quentin Tarantino para criar seu Pai Mei, sarcástico professor de artes marciais da heroína vivida por Uma Thurman em Kill Bill, o lendário mestre teria inventado o estilo de luta que imita os macacos brancos após observá-los na região.

A alcunha "sagrada" resulta da veneração a ela dedicada por budistas, confucionistas e taoistas (o filósofo pai desta última, Laozi, teria vivido uma encarnação mítica naquelas alturas) e por ter sido lar de monges e ermitãos. Mas outro atributo faz desta montanha um destacado ponto turístico da província chinesa de Sichuan. Emei Shan, a 130 quilômetros da capital Chengdu, virou Patrimônio Natural da Unesco por sua diversidade de animais e plantas ? fala-se em 10% da vida botânica da China representada ali.

 

Grandiosa. Subida pelos degraus da montanha sagrada Emei Shan dura um dia

 

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Pelos arco-íris que se formam no topo de Emei Shan graças ao reflexo do sol nascente nas partículas de água das nuvens, a montanha costuma figurar entre os primeiros objetivos do turista que vai a Sichuan. Mas a província tem um vasto cardápio de passeios na natureza.

Na altura. Apesar de exigir dois dias de caminhada entre subida e descida, chegar ao alto dos 3.099 metros de Emei Shan não é o maior desafio nesta região no oeste da China. É possível escapar do trekking: basta tomar um ônibus em Bao Guo, vila aos pés da montanha (por 40 yuans ou R$ 10) até a parada Lei Dong Ping. Dali, caminhe meia hora até a estação do bondinho (40 yuans ou R$ 10) ou chegue ao topo a pé, em duas horas. 

Subir caminhando tem compensações. Borboletas, azaleias, pequenas quedas d"água e macacos que ficam à espreita para roubar comida dos turistas (cuidado, eles podem ficar agressivos) enfeitam o caminho. Vistas esplêndidas se apresentam a partir do Pavilhão Qinyin (a 710 metros de altitude), dos monastérios Wannian (1.020 metros) e Xianfeng (1.752 metros) e da via Hongchunping (1.120 metros).

Primavera e outono são as melhores épocas para a subida. O tempo pode mudar ? independentemente da estação, leve roupas à prova de chuva. Como faz frio no topo, não esqueça de alugar um casaco (10 yuans ou R$ 2,60).

Um templo e uma estátua de Buda, ambos dourados, anunciam que a subida chegou ao fim. Perto do topo, conhecido por Golden Summit, a maioria dos visitantes procura um lugar para passar a noite ? afinal, o objetivo é acordar bem cedo e assistir ao nascer do sol. Para aliviar o corpo do esforço, o três-estrelas Jin Ding Hotel (86-833-509- 8088) oferece massagens. A diária custa desde 400 yuans (R$ 105) ? cartões de crédito não são aceitos. Dá para curtir o local assistindo apresentações de kung fu em um palco entre as árvores.

 

  Tons naturais de azul, verde, vermelho, branco e amarelo (na imagem acima) tingem as águas consideradas sagradas do Lago do Dragão. Foto: Paula Moura/AE

Cá embaixo. A partir da capital, Chengdu, chega-se à região em uma viagem de duas horas e meia de ônibus até Emei, a maior cidade. A passagem custa 35 yuans (R$ 9). Além do museu das lendas, Emei tem um centro gastronômico com restaurantes que preparam os apimentados pratos da culinária local, feitos com vegetais da montanha. Por 70 yuans (R$ 19) por pessoa é possível fazer uma refeição completa. O Teddy Bear Hotel (diária a partir de 80 yuans ou R$ 21; 86-833-559-2881) vende ingressos para a Ópera de Sichuan, por cerca de 180 yuans (R$ 47).

Até Bao Guo, no sopé de Emei Shan, vá de táxi (20 yuans ou cerca de R$ 5). Os destaques ficam entre o templo Bao Guo e as termas, dentro do Hotel Hong Zhushan (86-833-552- 5888). Entrada a 200 yuans (R$ 53).

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