Viajantes da web

De volta da Islândia, nosso intrépido viajante ganhou, de sua amiga Rose, um aparelho de GPS. Avesso a gadgets, mr. Miles parece estar interessado nesse presente, uma vez que está pensando em, finalmente, aposentar sua bússola e seu astrolábio, caso a engenhoca funcione em suas próximas viagens. A seguir, a carta da semana:

MR MILES, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2010 | 03h46

Querido mr. Miles: o senhor não acha que com a internet ficou muito mais fácil viajar pelo mundo sem jamais sair de casa?

Olga Bertoldi, por e-mail

"Well, my dear, é indubitável que a web tornou extremamente exciting a vida dos não-viajantes. Com a ajuda de um simples laptop, você pode, perfeitamente, não viajar para Tuvalu, não conhecer o Vale dos Faraós ou não provar uma sacher torte em Viena. Mas isso, anyway, é muito melhor do que nem sequer saber que essas belezas e esses sabores existem. Com a evolução da tecnologia, oh, my God, pode ser que, em breve, seja possível adquirir uma engenhoca chamada, for instance, iSmell. E com ela sentir o aroma da lavanda na Provence, o cheiro almiscarado dos souqs em Sfax ou em Damasco e, of course, o odor menos agradável do enxofre que exala das regiões vulcânicas do nosso planeta.

Também sempre será possível não dormir no Hotel Ritz de Paris ou não aprender a esquiar em Pontresina, na Suíça - com a notável vantagem de que os riscos inerentes à modalidade também desaparecem.

Quando eu comecei a sonhar em ser um viajante, o cinema era uma tela com pessoas correndo de modo engraçado, não havia televisão e a web, of course, sequer havia passado pela cabeça do mais tresloucado dos visionários. Tudo o que eu tinha a recorrer eram livros, com palavras que incitavam minha curiosidade. Zanzibar, Bombaim (N. da R.: agora Mumbai), Isfahan, Mandalay, cada nome desses fazia surgir um cenário encantado em minha cabeça, eram mundos que eu tencionava descobrir, embora não soubesse como. Quiçá, my dear Olga, se já houvesse o Google à disposição, eu saciasse a minha curiosidade com meia dúzia de cliques. Nesse caso, talvez tivesse me tornado um funcionário dos Correios, who knows?

Fico pensando se viajar pela web não é o mesmo que admirar um terno na tela e jamais usá-lo. É uma grande ideia para quem não gosta de ternos e uma ótima solução para quem não gosta de viagens.

Há, however, algumas novas atrações turísticas que nem sequer existem no mundo real. Ou seja: não há outra maneira de conhecê-las senão acessando o computador. Vou lhe dar alguns exemplos imperdíveis: o Museu Mundial da Cenoura, criado por meu compatriota John Stolarckzyk, ainda não tem uma sede própria. No entanto, se entrar em www.carrotmuseum.uk, você terá a chance de saber tudo sobre essas umbelíferas, seus festivais, seus colecionadores, suas funções medicinais e sobre o seu uso em artes. Amazing, isn"t it? Outra atração é o Museu das Torradeiras (www.toaster.org), que, believe me, reúne os trabalhos e as pesquisas de 501 organizações sem fins lucrativos dedicadas ao indispensável eletrodoméstico.

Mas o meu preferido, sem nenhuma dúvida, é o extraordinário Museu das Meias Incomuns (www.socknitters.com/museum.htm), para o qual é possível enviar alguma de suas meias de estimação - se possível, sem o par -, com a história das venturas e desventuras vividas por aquela preciosa peça do seu vestuário. O melhor é que basta enviar, por e-mail, uma foto da relíquia. O acervo, por enquanto, é pequeno, mas com a ajuda da web, ele pode tornar-se um Louvre do setor. Don"t you agree?"

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ESTEVE EM 132 PAÍSES E 7 TERRITÓRIOS

ULTRAMARINOS

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.