Viajar sozinho: melhor do que você imagina

Viagens solo são cercadas por preconceito e incompreensão. Parte do estigma associado a viajar sozinho decorre do fato de que sempre se fala dos problemas - e quase nunca das recompensas. Sim, elas existem. Viajar desacompanhado não é a alternativa que resta a quem não conseguiu companhia. É uma experiência que todo viajante que se preze deveria viver ao menos uma vez.

RICARDO FREIRE, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2010 | 01h57

A viagem solo é sempre mais intensa: você se relaciona diretamente com o lugar que visita. Não há distrações. Você é o narrador de seu filme. Não precisa negociar horários, nem movimentos. Passar um tempo sem que ninguém ao seu redor saiba exatamente quem você é pode ser uma experiência tão interessante e enriquecedora quanto a viagem em si.

Xô, baixo astral. Existem vários truques para não deixar que a sensação de solidão se sobreponha ao prazer da viagem. O principal é acordar cedo e encher o dia de atividades, para que a noite tenha peso menor em sua agenda. Fazer do almoço a sua refeição principal - pelo menos até que você ache natural pedir mesa para uma pessoa - também ajuda. Levar bons livros é fundamental. Ainda não se inventou melhor companheiro para viajar. Antigamente era recomendável manter um diário de viagem, mas hoje existe algo muito melhor: crie um blog ou um perfil no Twitter, e você vai se sentir viajando com os amigos.

Viajando sozinha. Por um detalhe, digamos, anatômico, nunca vou saber o que é viajar desacompanhada. Ainda assim, duvido que a leitora encontre, entre os destinos internacionais manjados, algum lugar que seja mais inseguro do que as grandes cidades brasileiras. Se você mora aqui, está pós-graduada no assunto. Eu não evitaria nem mesmo lugares normalmente desaconselhados, como países muçulmanos. Caso o assédio - que existe, e como! - incomodar além do limite tolerável, entre em uma agência local e compre passeios em grupo. Treine antes de viajar. Faça sozinha, em sua cidade, programas que só faria acompanhada. É todo o know-how de que você precisa.

Viaje e faça amigos. Não arranjou companhia e detesta a ideia de viajar sozinho? Existem muitas alternativas a considerar:

Faça ecoturismo: a maioria das atividades é proposta em grupo, com guia. À diferença do que acontece em excursões convencionais, os participantes não carregam o estigma de inexperientes ou apressados: no ecoturismo, viajar em grupo é o jeito unanimemente recomendado. Além do que, a própria natureza das atividades favorece o convívio e o início de amizades.

Hospede-se em albergues: hostels funcionam como agências de viagem e centros sociais. É quase impossível não se enturmar. E você nem precisa dormir em quarto coletivo: quase todos oferecem apartamentos privativos.

Encaixe-se em passeios guiados: só que não em city tours, que tendem a reunir um público formado por pequenos grupos que dificilmente se misturam. Escolha programas diferentões, que atendam a interesses ou públicos mais específicos. Caminhadas históricas, passeios guiados de bicicleta, pequenas excursões a lugares fora do circuito juntam pessoas com gostos em comum e mais abertas a conhecer outras. A recepção de albergues é ótima para procurar passeios assim.

Entre para uma rede social: mesmo que você não queira se hospedar na casa de ninguém, registre-se em sites como o couchsurfing.com e o hospitalityclub.org. Nos dois, você encontra moradores dispostos a apresentar suas cidades a estrangeiros. Antes de embarcar, receba ou guie couchsurfers em sua cidade. Aos poucos, você terá um círculo de amigos prontos para ajudar em suas próximas escapadas.

Aonde ir sozinho. No Brasil, considere os principais destinos de ecoturismo - Itacaré, Chapada Diamantina, Bonito, Lençóis Maranhenses, Fernando de Noronha. Além desses, ponha na sua lista os lugares preferidos por turistas gringos independentes, que acabam tendo algum movimento o ano todo: Jericoacoara, Canoa Quebrada, Pipa, Olinda, Morro de São Paulo, Arraial d"Ajuda, Ilha Grande, Parati, Ouro Preto. No exterior, evite a combinação de frio extremo com lugares pacatos - é depressão na certa. Grandes cidades, porém, não apresentam contraindicação: sempre há muito o que fazer. E destinos exóticos, até mesmo por causa de percalços do percurso, rendem diários de viagem sensacionais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.