Felipe Mortara/AE
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Vida em ebulição

"Galápagos", a primeira palavra desta reportagem, é também a primeira lembrança que me vem à cabeça quando se fala em Equador. Não é a única, logicamente. Este multifacetado país sul-americano conquista não só por sua natureza preservada, como também pela diversidade cultural e gastronômica. Mas que é difícil falar do país sem começar por Galápagos, isso é.

FELIPE MORTARA / QUITO, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2012 | 03h11

Não sei bem se pela intraduzível cor do mar ou pela família de leões-marinhos dormindo preguiçosamente debaixo do píer, o fato é que a chegada ao aeroporto de Baltra surpreende. As câmeras começam a trabalhar ali mesmo - aliás, elas não terão descanso nos próximos dias.

Há várias maneiras de explorar o arquipélago. Mas até o mais sisudo dos turistas abre um sorriso ao olhar para a Ilha de Santa Cruz a partir do deque do M/V Galapagos Legend. No navio, 60 tripulantes recebem 100 passageiros em cabines confortáveis, para cruzeiros de três ou quatro noites, que permitem um contato privilegiado com as 13 ilhas de origem vulcânica que formam o arquipélago - anexado ao Equador em 1832.

Gritos de surpresa ecoam à medida que os botes chegam à praia. Crianças, adultos ou idosos, ninguém fica indiferente a uma gigantesca iguana ou a uma enorme tartaruga marinha que se aproxima, sem medo. As grandes asas dos pelicanos passam ao lado das cabeças dos turistas que, entre gritos de "uau", aproveitam para fazer mais um clique.

O único problema (se é que isso pode ser considerado um problema) de Galápagos é o excesso de informação. Não tem jeito: enquanto você está embasbacado com o tom rosado dos flamingos se alimentado numa lagoa, pode passar uma revoada de mais de 500 piqueros de patas azuis, que subitamente vão mergulhar juntos no mar. As surpresas se sucedem, seguidamente, e a sensação é a de não ter olhos suficientes para absorver tudo o que se passa ao seu redor.

Cuidar e mostrar. Os 185 mil visitantes anuais de Galápagos são um desafio para os experientes guias, responsáveis por instruir, desembarcar e amolar os turistas que pisarem fora das trilhas demarcadas ou se aproximarem demais dos bichos. Regras necessárias para que tudo se mantenha tão conservado quanto hoje.

O turismo representa 6% do PIB do Equador, que se mostra empenhado em aumentar esse porcentual cuidando não apenas do arquipélago, mas da casa toda. Seja na eficaz revitalização dos prédios históricos do centro de Quito, no moderno e bem cuidado Malecón 2000 de Guayaquil ou na conservação da cultura andina, que se nota no autêntico mercado de Otavalo. Cuidar parece ser o lema do país.

Uma evidência de que o trabalho está mesmo dando certo é a limpeza das praias e a tranquilidade dos animais de outras reservas, como o Parque Nacional Machalilla, na costa sul equatoriana. A natureza - e os turistas - agradecem.

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