Thiago Momm/Estadão
Thiago Momm/Estadão

Vigo, ponto de partida para explorar a Galícia

Um dos portos mais importantes da Europa, cidade espanhola é o centro para explorar vizinhança de vilarejos e praias escondidas

Thiago Momm, Especial para O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2016 | 05h00

VIGO  - Quem aterrissa em Vigo, um dos braços de mar do recortado litoral da Galícia, no noroeste da Espanha, aterrissa em vários lugares: em Pontevedra e Baiona, de vielas labirínticas e históricas que alternam silêncio e alacridade; nas breves e amenas Ilhas Cíes, que os romanos chamaram “ilhas dos deuses” e os monges medievais adotaram; na Península do Morrazo, ideal para passeios azuis-claros por praias e vilas; e claro, na própria Vigo, destaque em arte, história e gastronomia galegas.

Isso para se concentrar em lugares entre 20 e 50 minutos de carro ou barco a partir do centro de Vigo. Um pouco mais além surgem os arquipélagos de Ons e de Sálvora, Santiago de Compostela (a 95 km) e a cidade do Porto, já em Portugal (154 km). 

Um dos principais portos da Europa, Vigo ganhou em julho voos diários de ida e volta pela TAP, em um avião para 70 passageiros. De Lisboa, são apenas 65 minutos – a empresa permite stopover (descer na cidade de conexão) de até três dias na capital portuguesa sem custo adicional. 

Vigo honra a alma oceânica galega no Museu do Mar da Galícia, expõe mais de cem obras de dois renomados pintores da região na Casa das Artes e concentra temas atuais no Museu de Arte Contemporânea, o Marco. Uma visita a esses lugares combina com um passeio pela Rua Policarpo Sanz, concentração de pontos culturais e prédios de granito ecléticos e modernos.

O centro histórico guarda delícias galegas como o pimientos de padrón (pequenos pimentões verdes), o percebes (crustáceo apanhado na parte submersa de pedras onde há marés altas) e o polvo à feira (no preparo galego, cozido com azeite, páprica e sal), acompanhados de um Albariño, vinho da região e do norte de Portugal. À noite, é um prazer fazer o tapeo – provar tapas de bar em bar – em estabelecimentos que vão dos mais simples, na Praça da Igreja, a opções de cozinhas mais dedicadas, como a da taverna Baiuca e da taperia La Sabrosa. Para noites musicadas com indie e rock, a Rua Churruca e seu entorno são a referência. 

VEJA TAMBÉM: Ilhas Cíes, para fugir do óbvio na Galícia

Vizinhança. Vigo pode ser sua base de hospedagem para percorrer a região – para esse propósito, considere também Pontevedra e Baiona. Cada uma delas vale ao menos um dia. Já a visita às Ilhas Cíes é limitada a períodos. As balsas funcionam diariamente até 2 de outubro, com mais três saídas extras nos dias 8, 9 e 12. Só voltam a operar em 2017 na Semana Santa, em sábados e domingos de maio e junho. A operação volta a ser diária em julho, agosto e setembro. 

As Cíes são três: as ilhas de Monteagudo e do Farol, conectadas naturalmente por uma praia e artificialmente por um molhe, e a de San Martinho, 500 metros afastada ao sul. A (pequena) infraestrutura turística fica nas duas primeiras, que têm um camping, um bar, uma sanduicheria, um minimercado e três restaurantes. É o suficiente para um lugar onde o que importa são praias, trilhas, mergulho, caiaque, vegetação e vistas, das panorâmicas buscadas de dia à Vigo tremeluzente, a cerca de 15 quilômetros dali, contemplada à noite. 

A ida às ilhas não implica o pernoite – a viagem de barco leva 45 minutos, e você pode voltar no mesmo dia. Se quiser ficar, mas livre do empenho de levar barraca, o camping oferece pequenas cabanas simples com camas de casal para duas ou quatro pessoas.

 

PELO CENTRO ANTIGO DE VIGO

1. Estátua de Julio Verne  

O dia pode começar pelo Júlio Verne (1828-1905) sobre um monstro marinho, próximo de onde partem os barcos para as Ilhas Cíes. A estátua do autor francês está ali porque ele ambientou páginas de 20 Mil Léguas Submarinas na Baía de Vigo, explorando o mito de um tesouro naufragado na Batalha de Rande (1702). Diários do escritor anunciados em anos recentes revelam duas elogiosas estadias suas na cidade. 

2. Estação Marítima

Realiza diversas exposições. Conta ainda com shopping (e um estacionamento mais em conta, ideal para idas às Cíes). 

3. Restaurantes de frutos do mar 

Em uma área coberta, a Rua Pescadería reúne cardápios com as melhores iguarias locais, mas a intensidade turística pode estressar – fuja do ambulante e de um recepcionista tentando fazê-lo sentar e você ainda cairá em lojas de infinitos cacarecos duvidosos.

A poucos passos dali, as ruas paralelas Oliva e Palma oferecem restaurantes qualificados com frequentadores nativos e preços mais baixos (menus na faixa de € 10). Dali, são apenas 500 metros até a Praça de Compostela, que estende linda vegetação e algumas valiosas sombras por cinco quadras.

4. Fortaleza e Parque do Castro

Escavações recuperaram construções de um povoado de mais de dois milênios atrás, onde Vigo surgiu. Foram então construídas três réplicas, que mostram como era a vida na época e podem ser visitadas em breves horários ( bit.ly/fortavigo). Siga dali para o aprazível miolo do parque, de onde se avista a baía de Vigo. Júlio Verne esteve ali e aprovou. “Vista admirável. A baía. Os vales”, anotou em seus diários.

VEJA TAMBÉM: Desbravando Baiona e Pontevedra

 

SAIBA MAIS

Aéreo: a TAP opera desde julho voo ida e volta entre São Paulo e Vigo, com stopover opcional em Lisboa, a partir de R$ 3.285,37. Na Iberia, ida e volta desde R$ 3.595,54, com conexão em Madri. Voos pesquisados para outubro.

Sites: turismo.gal; turismodevigo.org; spain.info

Ilhas Cíes: cheque as balsas e passeios nos sites mardeons.es e crucerosriasbaixas.com

*O repórter viajou com o apoio da TAP.

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